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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

O MODERNISMO: VANGUARDAS EUROPEIAS/ PRIMEIRA FASE MODERNISTA

AS VANGUARDAS EUROPEIAS
A Arte acadêmica colocada em xeque
  Desde as últimas décadas do Século 19, a História da Arte assistia a profundas modificações e rupturas. Os modelos que vinham sendo valorizados desde a época do Renascimento Italiano pelas academias começavam a ser realmente questionados. Os artistas, acompanhando as mudanças sociais, econômicas, políticas e filosóficas do mundo, passavam a desejar novas expressões artísticas. O desenvolvimento das vanguardas europeias do Século 20 está intimamente relacionado com os artistas da geração anterior, que abriram caminho para as gerações seguintes. Os Impressionistas, os Pós-Impressionistas e até mesmo os Realistas foram os verdadeiros pioneiros das transformações artísticas que marcariam a arte moderna.
Os primeiros sinais de contestação
   Artistas do final do século, independentemente de pertencerem a qualquer escola, também tiveram influência espantosa sobre a arte moderna .Destaca-se, em particular, Paul Cézanne e sua obsessão em imprimir objetividade àforma de encarar o mundo. Pode ser considerado o verdadeiro exemplo para a arte moderna, exercendo alguma influência em todos os movimentos e artistas de projeção do século XX. Georges Seraut (1859 -1891), apesar de ter morrido prematuramente, também é considerado um dos grandes precursores da arte moderna, dando expressão artística à mentalidade científica de sua época, incorporando, por exemplo, estudos de ótica e cor às suas concepções artísticas e adicionando a eles suas refinadas descobertas estéticas.
Muito além do Impressionismo
   Van Gogh pode ser considerado uma terceira influência decisiva sobre a arte doséculo XX. Além dele podem ser colocados Gauguin, Pissaro e Signac. É importante pontuar que essas influências, às vezes, manifestaram-se pela negação de algum aspecto do trabalho do artista ou mesmo pela compreensão limitada ou desvirtuada de sua obra.
    O Século 20, sem dúvida, foi uma época de profundas transformações em todas as esferas da experiência humana e os artistas não podiam manter-se alheio a essas mudanças, o que em parte justifica a profusão de movimentos e ideais artísticos que nele surgiram Entretanto, resta a dúvida: todas as mudanças na arte foram realmente típicas desse conturbado período da História ou apenas tivemos mais acesso a cada mínima manifestação artística devido ao desenvolvimento dos meios de comunicação? De qualquer forma, trata-se de contribuições à História da Arte extremamente marcantes e, apesar do artista e sua criação serem considerados únicos e autônomos,não se pode alienar sua produção do momento histórico e das mudanças dementalidade que assistimos nesse século.
A Europa na vanguarda
   Um dado curioso exemplificando essas tendências maiores que movem uma geração, pode ser o encontro em Paris de praticamente todas as importantes figuras que marcariam as vanguardas, vindos de todas as partes do mundo. Além de Paris, e em menor escala, apesar da importância, Munique foi outro importante centro vanguardista europeu. Os Fauves (as Feras), liderados pela figura de Henri Matisse (1869-1954) começaram com uma reação ao divisionismo metódico (ver Neo-Impressionismo) e assumiram características expressionistas. O Fauvismo pode ser classificado entre os primeiros grupos de vanguarda, pois, apesar da curta duração (1905 a 1908) e da incoerência associada a ele, agrupou e influenciou figuras importantes da arte moderna, como André Durain (1880-1954),Georges Braque e exerceu influência, por exemplo, sobre Picasso.
Movimentos “rebeldes” se multiplicam
   Os expressionistas alemães, agrupados no Die Brücke, Dresdem e Der Blaue Reiter, Munique foram outras importantes influências para a Arte Moderna. Desse mesmo período é o Cubismo, o Futurismo e posteriormente o Dadaísmo e o Surrealismo, os movimentos da vanguarda europeia mais conhecidos e que exerceram influência sobre toda a arte do século XX. O Construtivismo, o Suprematismo e o Neoplasticismo, originados principalmente do Cubismo, também foram movimentos importantes do início do século.
A filosofia é o principio de tudo
   Um dado curioso dos movimentos vanguardistas do Século 20 é o fato de normalmente terem origem em ideias filosóficas.
  Estas ideias podem receber, a princípio, expressão na literatura e poesia, para posteriormente passar às artes plásticas, como é o caso mais específico do Surrealismo e do Futurismo. Além disso, a popularidade entre os artistas das teorias, que justificavam a arte, também foi grande, como as obras extremamente lidas e comentadas entre os círculos vanguardistas da época: "Do espiritual na Arte", de Kandinsky (1912) e"Abstração e Sentimento" (1908) de Wilhelm Worringer. Em muito ajudou a formação de grupos que, normalmente. estava relacionada à necessidade de sobrevivência material e a facilidade de transmissão de ideias, uma vez que, apesar de aparentemente expressarem os mesmo ideais, eram constituídos por personalidades e estilos pessoais bastante fortes e distintos.

CUBISMO
   Como movimento, teve vida curta.
   O movimento cubista começou em 1907 e terminou em 1914, apesar de ter persistido ainda quando os artistas envolvidos abandonaram-no. Seus principais focos de resistência foram as artes decorativas e arquitetura do Século 20.Apesar de ser considerado um ato de percepção individual, o movimento possuía coerência. Era inspirado na arte africana(sua "racionalidade") e no princípio de "realização do motivo" de Cézanne.
Geometrização das figuras
   A geometrização das figuras resulta numa arte intuitiva e abstrata, derivada da "experiência visual ".Baseia-se essencialmente na luz e na sombra. Rompe com o conceito de arte como imitação da natureza (que vinha desde a Renascença), bem como com as noções da pintura tradicional, como a perspectiva. Pablo Picasso definiu-a como "uma arte que trata primordialmente de formas, e quando uma forma é realizada, ela aí está para viver sua própria vida". Apesar da identificação imediata do cubismo às figuras de Pablo Picasso e Georges Braque, vários outros artistas deram grandes contribuições individuais ao movimento. Entretanto, devido ao enorme número de artistas que aderiram ao estilo, havia grandes diferenças pessoais estilísticas. "Casas e Árvores", de Georges Braque, com suas formas geométricas e perspectiva própria, pode ser considerada a obra de origem do movimento. O cubismo costuma ser dividido em fase analítica - desenvolvida por Picasso e Braque entre 1909 e 1912 - e fase sintética (a partir de 1912).
    Entretanto, esses termos não são considerados adequados, uma vez que tentam, baseados em conceitos falhos, estabelecer grandes diferenças estéticas dentro de um estilo em processo de definição e evolução. "O Jogador de Cartas" e "Retrato de Ambroise Vollard" de Pablo Picasso; "Moça com Guitarra" e "Cabeça de Moça", de Georges Braque; "Paisagem", de Jean Metzinger; "Garrafa e Copo", de Juan Gris; "Cidade" e "Soldado com Cachimbo", de Fernand Léger e "Janela", de Robert Delaunay, podem ser considerados bom exemplos dos diferentes estilos presentes no movimento.
Cubismo na Escultura
   A escultura cubista, cujos principais nomes formam Brancusi, Gonzalez, Archipenko, Lipchitz, Duchamp-Villon e Henri Laurens, desenvolveu-se separadamente da pintura, apesar do intercâmbio inicial de ideias-chave. Entre os escultores, Duchamp-Villon, merece ser citado. É considerado um dos primeiros escultores cubistas e realizou uma tentativa de conceituação da esculturacubista, relacionando-a à arquitetura .A peça em bronze "O Cavalo", com seu efeito dinâmico, é um bom exemplo de suao bra.
Primeira Guerra Mundial dispersou idealizadores
   O fim do movimento cubista deve-se à eclosão da Primeira Guerra Mundial, em agosto de1914.Com efeito, uma boa parte dos artistas desse movimento foi recrutada e partiu para o campo de batalha, extinguindo o Cubismo, enquanto movimento. Todavia, o estilo permaneceu vivo nas mãos d outros pintores, exercendo forte influência sobrea arte moderna como um todo. Por suas características abstratas, foi bastante adaptável, inspirando movimentos como o futurismo, o orfismo, o purismo e o vorticismo.

FUTURISMO
Um envolvimento na política da Itália
   O futurismo foi um movimento fundado pelo poeta italiano Fillippo Tomasso Marinetti, que redigiu um manifesto e tentou espalhá-lo em1909. MARINETTI (Filippo Tommaso), escritor italiano (Alexandria, 1876 - Bellagio, 1944),iniciador do movimento futurista , cujo manifesto publicou no jornal parisiense Le Figaro (20 de fevereiro de 1909).Nesse manifesto, já proclamava o fim da arte passada e a ode à arte do futuro(futurismo, daí o nome do movimento).Com implicações políticas, buscava tornar a Itália livre do peso de sua história e inseri-la no mundo moderno.
A dinâmica é o centro da arte
   Ao poeta juntaram-se outros artistas - principalmente poetas e pintores –como Umberto Boccioni (1882 - 1916), Carlo Carrá (1881 - 1966), Giacomo Balla(1871 - 1958), Luigi Russolo (1885- 1947) e Gino Severeni (1883 - 1950). Em abril de 1910 era lançado um manifesto da pintura futurista, seguido por um manifesto da escultura futurista em 1912 e um livro sobre seus objetivos em 1914(Pinttura, Scultura Futurista, Milão) os dois últimos escritos por Boccione. O movimento, a velocidade, a vida moderna, a violência, as máquinas e a quebra coma arte do passado eram as principais metas do futurismo. Somente a forma e a cor não mais bastavam para representar o dinamismo moderno, como se lê no manifesto de 1910:«Deve ser feita uma limpeza radical em todos os temas gastos e mofados a fim de se expressar o vórtice da vida moderna - uma vida de aço, febre, orgulho e velocidade vertiginosa.» Até 1912, as influências maiores na maneira como davam formas artísticas às suas ideias era a dos impressionistas e pós-impressionistas, artistas que já apresentavam certa preocupação em representar o dinamismo.
O mundo moderno e a velocidade
     Após 1912, uma exposição em Paris marca a hegemonia da influência cubista sobre a arte do grupo. Os artistas futuristas deparavam-se com o sério problema de representar a velocidade em objetos parados. As soluções normalmente foram a representação de seres humanos ou animais com múltiplos membros dispostos radialmente e em movimento triangular. Forças mecânicas ou físicas eram fontes temáticas bastante frequentes, em especial nos primeiros trabalhos futuristas. «Automóvel e Ruído», de Balla ou «O que o Bonde me contou», de Carrá, são bons exemplos desses quadros. Talvez Boccioni, uma das principais forças do futurismo, tenha sido o artista mais bem-sucedido na representação da velocidade. «Formas Únicas de Continuidade no Espaço» transmite o efeito de projeção no espaço, diferenciando-se, de acordo com Herbert Read, em História da Pintura Moderna, do vigor dinâmico barroco, por não mais gravitar em torno de si).
A influência das guerras nos movimentos artísticos
    A Primeira Grande Guerra Mundial e a morte de Boccioni em 1916, ferido no conflito, foram golpes decisivos no movimento futurista que acabou se dissolvendo. Entretanto, os futuristas deixaram contribuições importantes para a arte do Século 20, seja no futurismo russo, composto por artistas como Malevitch, ou no dadaismo. Também teve grande influência para artistas importantes como Marcel Duchamp e Robert Delaunay em atentá-los para a representação do movimento que acabaria marcando os estilos característicos dos artistas.De qualquer forma, ambos se situaram entre os pioneiros a chamar a atenção para anova vida que se punha à frente do a essa nova vida (como as máquinas).

DADAÍSMO
O vácuo criado pela guerra
   O Dadaísmo foi um movimento originado em1915, em plena 1ª Guerra Mundial, em Zurique (cidade que conservou-se neutra com relação à guerra).O movimento, que negava todas as tradições sociais e artísticas, tinha como base um anarquismo niilista e o slogan de Bakunin: "a destruição também é criação". Contrários à burguesia e ao naturalismo, identificado como "a penetração psicológica dos motivos do burguês", buscavam a destruição da arte acadêmica e tinham grande admiração pela arte abstrata. O acaso era extremamente valorizado pelos dadaístas, bem como o absurdo. Tinham tendências claramente anti-racionais e irônicas.
O objetivo máximo era o escândalo
   O Dadaismo procurava chocar um público mais ligado a valores tradicionais e libertara imaginação via destruição das noções artísticas convencionais. Acredita-se, ainda, que seu pessimismo venha de uma reação de desilusão causada pela Primeira Guerra Mundial. Apesar de sua curta durabilidade - no período entre guerras, praticamente havia sido esquecido- e das críticas realizadas ao movimento, fundamentalmente baseadas em sua ausência de vocação construtiva, teve grande importância para a arte do Século 20.Fez parte de um processo, observado nesse século, de libertação da arte de valores pré-estabelecidos e busca de experiências e formas expressivas mais apropriadas à expressão do homem moderno e de sua vida.
O Cabaré
   Originou-se de um grupo composto por artistas como Tristan Tzara, Hans Harp, Richard Hülsenbeck, Marcel Janko, Hugo Ball e Hans Richter que se encontrava em cafés de Zurique. A ideia inicial era a realização de um espetáculo internacional de Cabaré que contava com músicas diversas, recitais de poesia e exposição de obras.
 A maneira como surgiu o nome do evento é sugestiva: por acaso Ball e Hülsenbeck abriram um dicionário de alemão-francês e acabaram se deparando com a palavra dada, que foi posteriormente adotada pelo grupo e pelo movimento que daí surgiria. A brochura "Cabaret Voltaire", a inauguração da "Galeria Dada" em 1917 eas revistas "Dada", seguidas de livros sobreo movimento, ajudaram a popularizá-lo.
A arte escrachada dos dadaistas
    Sua provocação, ativismo e conceito de simultaneidade (realizar ao mesmo tempo diversas apresentações, como a leitura de poemas distintos) muito deve aos futuristas, entretanto, não possuía o otimismo e a valorização da tecnologia que esse último movimento tinha. O dadaísmo costuma ser bastante identificado aos ready-mades de Duchamp, como os urinóis elevados à categoria de obras de arte ou outras proezas do artista, como o acréscimo de bigodes à Mona Lisa.Os poemas non-sense, as máquinas sem função de Picabia, que zombavam da ciência, ou a produção de quadros com detritos, como Merzbilder, de Schwitters, são outras obras características do dadaísmo. Além disso, o dadaísmo, desde o começo, pretendia ser um movimento internacional nas artes. Picabia era o artista que acabou por fazer a ponte entre o dadaísmo europeu e o americano, tornando-se, juntamente com Duchamp e Man Ray, uma das principais figuras do dadaísmo forte em Nova York. A revista "Dada 291" era publicada nessa cidade americana, além de Barcelona e Paris, outras cidades por onde o movimento espalhara-se. Berlim, Colônia e Hanover eram outros importantes focos Dada. Na Alemanha, o movimento ganhou características mais próximas de protesto social que de movimento artístico.O dadaísmo forneceu grande inspiração para movimentos posteriores, como o Surrealismo, derivado dele, a Arte Conceitual, o Expressionismo Abstrato e a Pop Art americana.

SURREALISMO
   O Surrealismo foi um Movimento fundado pelo poeta André Breton que a princípiotinha apenas expressão literária e caminhava ao lado do Dadaismo. 
   O Surrealismo pretendia explorar a força criativa do subconsciente, valorizando um anti-racionalismo, a livre associação de pensamentos e os sonhos, norteado pelas teorias psicanalíticas d Freud. O automatismo, que buscava lograr o controle da mente racional através da expressão de um pensamento que não passasse por censuras, era uma das técnicas utilizadas pelos surrealistas. Seguindo a tradição dos demais movimentos do Século 20, o Surrealismo era composto por grandes individualidades, que lhe deram importantes e diferencia das contribuições.Seus principais expoentes foram: Hans Arp, Joan Miró, Kurt Schwitters, MarcelDuchamp, Max Ernst, Salvador Dali, André Masson, René Magritte, entre outros.
   Além disso, parte da incongruência associada ao movimento, além das diferenças pessoais entre seus vários membros, devia-se a pelo menos duas fortes e contraditórias tendências do Surrealismo.Uma delas se achava mais próxima ao dadaísmo e era mais niilista, contrária a todos os conceitos de arte tradicional (exemplificada por Marcel Duchamp). Quanto à outra,estava ainda sendo guiada por valores estéticos (que pode ser representada, por exemplo, por Salvador Dali e Magritte).
   O alto grau de beleza estética que os trabalhos possuíam também eram considerados,de certa forma, contraditórios ao princípio do acaso e do automatismo como métodos de produção. O frottage, desenhos a partir de"decalques" sobre superfícies irregulares e a colagem, montagens predominantemente incongruentes,eram alguns métodos utilizados pelos surrealistas para explorar suas potencialidades inconscientes.Os principais adeptos do primeiro método eram Max Ernst (inventor do método, entre suas obras,"Histoire naturelle", de 1929), Miróe Masson, enquanto expressivos trabalhos de collage foram realizados por Kurt Schwitters e até pelo poeta André Breton.Uma das muitas provas de que as influências do Surrealismo extrapolaram as fronteiras de um movimento (além da inspiração que forneceu a vários artistas e gerações) pode ser exemplificada por obras de Picasso, como Guernica, bastantepróximas das premissas artísticas propostas pelos surrealistas, apesar de ele mesmonunca ter pertencido ao grupo.

CONSTRUTIVISMO
O "Manifesto Realista"
  O construtivismo foi um movimento artístico que nasceu na Rússia em 1913.De um movimento inicialmente ligado à escultura e à colagem, passou a envolver outras manifestações artísticas.Seu nome vem do "Manifesto Realista",publicação de 1920 que prega o ideal de se"construir” a arte. A arte deveria refletir o mundo moderno e sua tecnologia, utilizando-se para isso de materiais da indústria, como por exemplo, o plástico.
A utilidade social da arte
  O movimento foi fundado por Vladimir Tatlin. Trabalhando ao lado de Alexander Rodchenko,aplicou também os princípios construtivistas à  arquitetura. Relacionava a arte à sua utilidade social."Monumento para a Terceira Internacional" é uma de suas obras mais conhecidas.Os irmãos Antoine Pevsner e Naum Gabo (que publicaram o manifesto acima citado), apesar das divergências com o grupo de Tatlin, formavam outro importante foco do movimento.Esses últimos acreditavam na arte como um valor absoluto e independente. Espaço e tempo deveriam ser as base das artes construtivas.
Inspirado no Cubismo
   Com forte inspiração cubista e na pintura de Kandisky (assimilados principalmente através dos irmãos Naum e Antoine), o construtivismo fundia percepção artística aconhecimentos científicos, como potencialidade dos materiais e possibilidades formais.Esteve intimamente ligado a outro movimento artístico,o suprematismo, fundado pelo pintor Kasimir Malevich (1878 -1935).
   Este, também inspirado no cubismo, era baseado na arte geométrica abstrata. Enfatizava a cor como instrumento de criação de realidade na arte. Dá um extremo valor à emoção, desprezando as idéias da"mente consciente".
Perseguição na Rússia ajuda a disseminação de ideias
  As pinturas eram realizadas normalmente em cima de superfícies preparadas. "Branco no Branco", de Malevich é considerado o melhor exemplo de realização do que se propõe o suprematismo.Chocando-se com o regime socialista soviético, o construtivismo foi condenado e Naum e Antoine deixaram o país.Esse exílio facilitou a disseminação de suas ideias pela Europa, exercendo bastante influência sobre artistas e movimentos importantes do período, como o Bauhaus e o grupo Stijl. Tatlin permaneceu na Rússia, associando-se ao teatro, realizando especialmente cenários.
   Este, também inspirado no cubismo, era baseado na arte geométrica abstrata. Enfatizava a cor como instrumento de criação de realidade na arte. Dá um extremo valor à emoção, desprezando as ideias da"mente consciente".
Suprematismo
    Movimento que aconteceu na Rússia, entre os anos de 1915 e 1923, e teve como alguns artistas: El Lissitzky, Kazimir Malevich, Lyubov Popova, Ivan Puni, Aleksandr Rodchenko. Na Última Exposição Futurística de Pinturas: 0-10, organizada por Ivan Puni em Petrogrado em dezembro de 1915, Kazimir Malevich, um artista russo, escolheu esse termo para descrever suas próprias pinturas, porque era o primeiro movimento em artes a reduzir a pintura à pura abstração geométrica. Foi também o movimento que mais influenciou o Construtivismo. Malevich, no seu manifesto "Do Cubismo ao Suprematismo", define o Suprematismo como "a supremacia do puro sentimento", o essencial era a sensibilidade em si mesma, independentemente do meio onde teve origem.
 Neoplasticismo
   Neoplasticismo foi a denominação dada pelo artista Piet Mondrian (1872-1944), para um estilo de arte baseado na abstração geométrica, que acabou se tornando uma de suas principais características.
   Nascido do cubismo, defendia uma arte construída somente a partir de elementos abstratos, não naturalista e sem pretensões de representar detalhes de objetos naturais. No Neoplasticismo, pois, de acordo com Mondrian, a arte reduziria a versatilidade da natureza à expressão plástica com relações claras. A pintura deveria ser realizada a partir de linhas verticais e horizontais e formas retangulares. As cores utilizadas seriam as primárias - o vermelho, o azul e o amarelo - juntas com o branco, o preto e o cinza.Com sua teoria artística Mondrian pretendia instaura ruma arte anti-individulista, intuitiva, que representasse as características do cosmosou da harmonia universal. Mondrian foi bastante influenciado pela filosofia do holandês M. H. J. Schoenmaekers e pela teosofia, elementos que podem ter inspirado suas elaborações neoplásticas. O livro Do espiritual em arte, em especial popular entre alguns artistas vanguardistas do período, parece ter sido lido por Mondrian na elaboração de suas ideias. "Composição em Vermelho, Amarelo e Azul" , com seus retângulos formados por linhas horizontais e verticais é um bom exemplo da aplicação de sua teoria. Mondrian e Theo van Doesburg eram ainda os principais líderes do movimento modernista holandês De Stijl, uma da futuras influências do Bauhaus. Entre os membros do De Stijl, destacam-se os arquitetos Oud, responsável pelo planejamento urbano deRoterdã (1918), Robert Van’t Hoff e Gerrit Thomas

Pré Modernismo e Vanguardas Européias
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MODERNISMO (1922-1960)
    Iniciou-se no Brasil com a SAM de 1922. Mas nem todos os participantes da Semana eram modernistas: o pré-modernista Graça Aranha foi um dos oradores. Apesar de não ter sido dominante no começo, como atestam as vaias da platéia da época, este estilo, com o tempo, suplantou os anteriores. Era marcado por uma liberdade de estilo e aproximação da linguagem com a linguagem falada; os de primeira fase eram especialmente radicais quanto a isto.
   Didaticamente, divide-se o Modernismo em três fases: a primeira fase, mais radical e fortemente oposta a tudo que foi anterior, cheia de irreverência e escândalo; uma segunda mais amena, que formou grandes romancistas e poetas; e uma terceira, também chamada Pós-Modernismo por vários autores, que se opunha de certo modo a primeira e era por isso ridicularizada com o apelido de neoparnasianismo.
 Referências históricas
 . Início do século XX: apogeu da Belle Époque. O burguês comportado, tranqüilo, contando seu lucro. Capitalismo monetário. Industrialização e Neocolonialismo.
. Reivindicações de massa. Greves e turbulências sociais. Socialismo ameaça.
. Progresso científico: eletricidade. Motor a combustão: automóvel e avião.
. Concreto armado: “arranha-céu”. Telefone, telégrafo. Mundo da máquina, da informação, da velocidade.
.  Primeira Guerra Mundial e Revolução Russa.
. Abolir todas as regras. O passado é responsável. O passado, sem perfil, impessoal. . . . .      
. Eliminar o passado.
. Arte Moderna. Inquietação. Nada de modelos a seguir. Recomeçar. Rever. Reeducar. . Chocar. Buscar o novo: multiplicidade e velocidade, originalidade e incompreensão, autenticidade e novidade.
. Vanguarda - estar à frente, repudiar o passado e sua arte. Abaixo o padrão cultural vigente.
 Primeira fase Modernista no Brasil (1922-1930)
   Caracteriza-se por ser uma tentativa de definir e marcar posições. Período rico em manifestos e revistas de vida efêmera.
   Um mês depois da SAM, a política vive dois momentos importantes: eleições para Presidência da República e congresso (RJ) para fundação do Partido Comunista do Brasil.      Ainda no campo da política, surge em 1926 o Partido Democrático que teve entre seus fundadores Mário de Andrade.
   É a fase mais radical justamente em conseqüência da necessidade de definições e do rompimento de todas as estruturas do passado. Caráter anárquico e forte sentido destruidor.
Principais autores desta fase: Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Antônio de Alcântara Machado, Menotti del Picchia, Cassiano Ricardo, Guilherme de Almeida e Plínio Salgado.
 Características
. busca do moderno, original e polêmico
. nacionalismo em suas múltiplas facetas
. volta às origens e valorização do índio verdadeiramente brasileiro
. “língua brasileira” - falada pelo povo nas ruas
. paródias - tentativa de repensar a história e a literatura brasileiras
    A postura nacionalista apresenta-se em duas vertentes:
 . nacionalismo crítico, consciente, de denúncia da realidade, identificado politicamente com as esquerdas.
. nacionalismo ufanista, utópico, exagerado, identificado com as correntes de extrema direita.
 Manifestos e Revistas
 Revista Klaxon Mensário de Arte Moderna (1922-1923)
    Recebe este nome, pois klaxon era o termo usado para designar a buzina externa dos automóveis. Primeiro periódico modernista, é conseqüência das agitações em torno da SAM. Inovadora em todos os sentidos: gráfico, existência de publicidade, oposição entre o velho e o novo.

“— Klaxon sabe que o progresso existe. Por isso, sem renegar o passado, caminha para diante, sempre, sempre.”

 Manifesto da Poesia Pau-Brasil (1924-1925)
   Escrito por Oswald e publicado inicialmente no Correioda Manhã. Em 1925, é publicado como abertura do livro de poesias Pau-Brasil de Oswald. Apresenta uma proposta de literatura vinculada à realidade brasileira, a partir de uma redescoberta do Brasil.

“— A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de ocre nos verdes da Favela sob o azul cabralino, são fatos estéticos.”
“— A língua sem arcaísmos, sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros. Como falamos. Como somos.”

A Revista (1925-1926)
   Responsável pela divulgação dos ideais modernistas em MG. Teve apenas três números e contava com Drummond como um de seus redatores.
 Verde-Amarelismo (1926-1929)
   É uma resposta ao nacionalismo do Pau-Brasil. Grupo formado por Plínio Salgado, Menotti del Picchia, Guilherme de Almeida e Cassiano Ricardo. Criticavam o “nacionalismo afrancesado” de Oswald. Sua proposta era de um nacionalismo primitivista, ufanista, identificado com o fascismo, evoluindo para o Integralismo de Plínio Salgado (década de 30). Idolatria do tupi e a anta é eleita símbolo nacional. Em maio de 1929, o grupo verde-amarelista publica o manifesto “Nhengaçu Verde-Amarelo — Manifesto do Verde-Amarelismo ou da Escola da Anta”.
 Manifesto Regionalista de 1926
   1925 e 1930 é um período marcado pela difusão do Modernismo pelos estados brasileiros. Nesse sentido, o Centro Regionalista do Nordeste (Recife) busca desenvolver o sentimento de unidade do Nordeste nos novos moldes modernistas. Propõem trabalhar em favor dos interesses da região, além de promover conferências, exposições de arte, congressos etc. Para tanto, editaram uma revista. Vale ressaltar que o regionalismo nordestino conta com Graciliano Ramos, José Lins do Rego, José Américo de Almeida, Rachel de Queiroz, Jorge Amado e João Cabral - na 2ª fase modernista.
 Revista Antropofagia (1928-1929)
   Contou com duas fases (dentições): a primeira com 10 números (1928 e 1929) direção Antônio Alcântara Machado e gerência de Raul Bopp; a segunda foi publicada semanalmente em 16 números no jornal Diário de São Paulo (1929) e seu açougueiro (secretário) era Geraldo Ferraz. É uma nova etapa do nacionalismo Pau-Brasil e resposta ao grupo Verde-amarelismo. A origem do nome movimento esta na tela Abaporu de Tarsila do Amaral.
 1ª fase - inicia-se com o polêmico manifesto de Oswald e conta com Alcântara Machado, Mário de Andrade (2º número publicou um capítulo de Macunaíma), Carlos Drummons (3º número publicou a poesia No meio do vaminho); além de desenhos de Tarsila, artigos em favor da língua tupi de Plínio Salgado e poesias de Guilherme de Almeida.
 2ª fase - mais definida ideologicamente, com ruptura de Oswald e Mário de Andrade. Estão nessa segunda fase Oswald, Bopp, Geraldo Ferraz, Oswaldo Costa, Tarsila, Patrícia Galvão (Pagu). Os alvos das críticas (mordidas) são Mário de Andrade, Alcântara Machado, Graça Aranha, Guilherme de Almeida, Menotti del Picchia e Plínio Salgado.

“Só a Antropofagia  nos une, Socialmente. Economicamente. Filosoficamente. / Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. / De todos os tratados de paz. / Tupi or not tupi, that is the question.” (Manifesto Antropófago)

“A nossa independência ainda não fo proclamada. Frase típica de D. João VI: — Meu filho, põe essa coroa na tua cabeça, antes que algum aventureiro o faça! Expulsamos a dinastia. É preciso expulsar o espírito bragantino, as ordenações e o rapé de Maria da Fonte.” (Revista de Antropofagia, nº 1)

Outras Revistas
Revista Verde de Cataguazes (MG - 1927-1928)
revista Estética (RJ - 1924)
revista Terra Roxa e outras Terras (SP - 1926, colaborador Mário de Andrade)
revista Festa (RJ - 1927, Cecília Meireles como colaboradora)

AUTORES

ALCÂNTARA MACHADO (1901 - 1935)
   Foi um importante escritor modernista da primeira fase, apesar de não ter participado da SAM, integrando o grupo somente em 25. Produziu prosa ficcional, renovando sua estrutura para construir histórias curtas e do cotidiano. Privilegia o imigrante, principalmente o italiano, e sua fusão, ampliando o universo cultural de São Paulo.
   Apesar de não ser tão radical como os outros modernistas contemporâneos seus, usava uma linguagem em seus contos que se aproximava muito do falado. Seus personagens do livro de contos Brás, Bexiga e Barra Funda falavam uma mistura de italiano e português. Retrata uma realidade citadina e realista, num tom divertido, enfatizando a vida difícil dos imigrantes e sua ascensão.
   Nunca chegou a completar seu romance Mana Maria, que foi publicado um ano depois de sua prematura morte. Pouco antes do fim da vida, rompeu relações com Oswald de Andrade por motivos ideológicos, ao mesmo tempo em que sua amizade com Mário de Andrade se estreitava.
 Brás, Bexiga e Barra Funda - contos com fragmentação de episódios, até registro de cenas sem interesse, mapeamento de São Paulo, exótico nos nomes das personagens, menção a produtos de consumo da época, gírias esquecidas etc.
“Ali na Rua Oriente a ralé quando muito andava de bonde. De automóvel ou carro só mesmo em dia de enterro ou casamento. Por isso mesmo o sonho de Gaetaninho era de realização muito difícil. Um sonho. (...) Gaetaninho saiu correndo. Antes de alcançar a bola um bonde o pegou. Pegou e matou. / No bonde vinha o pai do Gaetaninho. / A gurizada assustada espalhou a notícia na noite. / — Sabe o Gaetaninho? / — Que é que tem? / — Amassou o bonde! / (...) às dezesseis horas do dia seguinte saiu um enterro da Rua do Oriente e Gaetaninho não ia na boléia de nenhum dos carros do acompanhamento. Ia no da frente dentro de um caixão fechado com flores pobres por cima.”
 Laranja da China - luso-brasileiro toma o lugar do italiano, ainda na linha do cotidiano em suas minúcias. Todos os contos apresentam uma espécie de paródia desde o título: O Revoltado Robespierre (Sr. Natanael Robespierre dos Anjos).

Obras principais:
Pathé Baby (1926)
Brás, Bexiga e Barra Funda (1927)
Laranja da China (1928)
Anchieta na Capitania de São Vicente (1928)
Mana Maria (romance inacabado e publicado pós-morte 1936)
Cavaquinho e Saxofone (coletânea de artigos e estudos, 1940)
Escreveu para Terra Roxa e Outras Terras (um de seus fundadores), para a Revista Antropofagia e para a Revista Nova (que dirigiu).

CASSIANO  RICARDO  (1895-1974)
   Paulista, Cassiano deixou uma obra marcada pelas tendências de seu tempo sem, entretanto, deixar um estilo próprio. Iniciou sua carreira com Dentro da Noite (1915) neo-simbolismta, passou por tendências parnasianas em A Frauta de Pã (1917, para integrar-se ao Verde-amarelismo com Vamos Caçar Papagaios (1926). Com o formalismo de 45, torna-se meditativo e melancólico. Em 1960, entra para a corrida vanguardista com experimentalismo e franca adesão ao Concretismo e à Poesia Praxis.
Obras principais:
Poesia:
Dentro da Noite (1915)
A Frauta de Pã (1917)
Vamos Caçar Papagaios (1926)
Martim-Cererê (1928)
Deixa Estar, Jacaré (1931)
O Sangue das Horas (1943)
Um Dia depois do Outro (1947)
A Face Perdida (1950)
Poemas Murais (1950)
Sonetos (1952)
João Torto e A Fábula (1956)
Arranha-Céu de Vidro (1956)
 Poesias Completas (1957)
Montanha Russa (1960)
A Difícil Manhã (1960)
Jeremias sem Chorar (1964)
Prosa:
O Brasil no Original (1936)
O Negro na Bandeira (1938)
A Academia e a Prosa Moderna (1939)
Pedro Luís Visto Pelos Modernos (1939)
Marcha para o Oeste (1943)
A Academia e a Língua Brasileira (1943)
A Poesia na Técnica do Romance (1953)
O Homem Cordial (1959)
22 e a Poesia de Hoje (1962)
Reflexos sobre a Poética de Vanguarda (1966)

GUILHERME DE ALMEIDA (1890-1969)
   Sempre se ajustou aos padrões e foi disciplinado, com mestria sobre a língua e seus dispositivos técnicos. Exímio poeta que pode ter sua obra dividida em três etapas:
Pré-modernista - Nós (só de sonetos, 1917), A Dança das Horas (1919), Messidor (contendo os dois anteriores mais A Suave Colheita, 1919), Livro de Horas de Sóror Dolorosa (1920) e Era Uma Vez..., (1922) - influência parnasiano-simbolista, habilidoso artista do verso
Modernismo - A Frauta que Eu Perdi (subtítulo Canções Gregas, 1924) Meu (1925) e Raça (1925) - versos livres, sonoridade e ressurgir de algumas rimas. Raça (rapsódia da mestiçagem brasileira) pertence ao nacionalismo estético com nomeação metonímica (português = velho cavaleiro, índio reluz em cores e preto = samba), versos grandes, frases nominais e vocábulos mais raros.
   Pós-Modernismo - Você (1930), Acaso (1938), Poesia Vária (1947), Camoniana (1956) e Pequeno Cancioneiro (1956) - retorno ao ponto de origem: versos metrificados, rimas raras, sonetos e sentimentalismo. Apanágio da técnica, reconstitui a maneira de Camões e dos Cancioneiros
   “Há uma encruzilhada de três estradas sob a minha cruz de estrelas azuis: / três caminhos se cruzam — um branco, um verde e um preto — três hastes da grande cruz. / E o branco que veio do norte, e o verde que veio da terra, e o preto que veio do leste. / derivam num novo caminho, completam a cruz unidos num só, fundidos num vértice. / Fusão ardente na fornalha tropical de barro vermelho, cozido, estalando ao calor modorrento dos sóis imutáveis: (...)”--Minha Cruz! -  in Raça

MANUEL BANDEIRA (1886-1968)
   É uma das figuras mais importantes da poesia brasileira e um dos iniciadores do Modernismo. Do penumbrismo pós-simbolista de A Cinza das Horas às experiências concretas da década de 60 de Composições e Ponteios, a poesia de Bandeira destaca-se pela consciência técnica com que manipulou o verso livre. Participa indiretamente da SAM, quando Ronald de Carvalho declama seu poema Sapos.
   Sempre pensando que morreria cedo (tuberculoso), acabou vivendo muito e marcando a literatura brasileira. Morte e infância são as molas propulsoras de sua obra. Ironizava o desânimo provocado pela doença, mas em Cinza das Horas apresenta melancolia e sofrimento por causa da “dama branca”. Além de ser um poeta fabuloso, também foi ensaísta, cronista e tradutor. O próprio autor define sua poesia como a do "gosto humilde da tristeza".
    “Febre, hemoptise, dispnéia, e suores noturnos. / A vida inteira que podia ter sido e que não foi. / Tosse, tosse, tosse. / Mandou chamar o médico: / — Diga trinta e três. / — Trinta e três... trinta e três... trinta e três... / — Respire. (...) / — O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado. / — Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax? / — Não. A única coisa a fazer e tocar um tango argentino.” -Pneumotórax
   Ritmo Absoluto e Libertinagem são frutos de um processo de integração com o Rio. Sua poesia contagia-se de uma visão erótico-sentimental, resultante da forma de encarar o amor a partir da experiência do corpo. Libertinagem usa lirismo solto, repleto de cenas do cotidiano, com verdadeiras aulas de solidariedade e ternura.
“Irene preta / Irene boa / Irene sempre de bom humor. / Imagino Irene entrando no céu: / — Licença, meu branco! / E São Pedro bonachão: / — Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.” --Irene no Céu, in Libertinagem
    Em Estrela da Manhã, atinge a plenitude de seu lirismo libertário, mostrando que tudo pode ser matéria poética: um clássico esquecido, uma frase de criança, uma notícia de jornal, a casa em que morava e até mesmo uma propaganda de três sabonetes (Baladas das três mulheres do sabonete Araxá).
Obras principais:
Poesia:
A Cinza das Horas (1917)
Carnaval (1919)
O Ritmo Dissoluto (1924)
Libertinagem (1930)
Estrela da Manhã (1936)
Lira dos Cinquent’Anos (1940)
Belo, Belo (1948)
Mafuá do Malungo (1948)
Opus 10 (1952)
Estrela da Tarde (1963)
Estrela da Vida Inteira (1966)
Prosa:
Crônicas da Província do Brasil (1937)
Guia de Ouro Preto (1938)
Noções de História das Literaturas (1940)
Literatura Hispano-Americana (1949)
Gonçalves Dias (1952)
Itinerário de Pasárgada (1954)
De Poetas e de Poesia (1954)
Flauta de papel (1957)
Andorinha, Andorinha (seleção de Carlos Drummond de Andrade, 1966)
Colóquio Unilateralmente Sentimental (1968)

MÁRIO DE ANDRADE  (1893-1945)
   Um dos organizadores do Modernismo e da SAM, foi o que apresentou projeto mais consistente de renovação. Começou escrevendo críticas de arte e poesia (ainda parnasiana) com o pseudônimo de Mário Sobral. Rompeu com o Parnasianismo e o passado com Paulicéia Desvairada e a Semana, da qual participou ativamente.
   Injetou em tudo que fez um senso de problemático brasileirismo, daí sua investida no folclore. De jeito simples, sua coloquialidade desarticulou o espírito nacional de uma montanha de preconceitos arcaicos. Lutou sempre por uma literatura brasileira e com temas brasileiros.
“O passado é lição para se meditar e não para se reproduzir” - afirmava assim a necessidade de um presente novo, inventivo. Acreditava na arte como instrumento de debate e de combate, comportamento evidenciado em Paulicéia Desvairada. Esta obra oferece uma panorâmica da cidade e de sua vida, ao criticar a mania obsessiva de posse, aqui também satiriza a incompetência dos administradores.
   “Oh! Minhas alucinações” / Vi os deputados, chapéus altos / sob o pálio vesperal, feito de mangas-rosas, / saírem de mãos dadas do Congresso... / Como um possesso num acesso em meus aplausos / aos salvadores do meu estado amado! (...) / Mas os deputados, chapéus altos / Mudavam-se pouco a pouco em cabras! / Crescem-lhes os cornos, decemlhes as barbichas... (...) / se punham a pastar / rente do palácio do senhor presidente... / Oh! Minhas alucinações!” --O rebanho, in Paulicéia Desvairada
   Sua faceta de teórico de estética literária pode ser avaliado em A Escrava que não é Isaura, onde expõe pequenos e paliativos remédios da farmacopéia didático-técnico-poética do Modernismo.
   “Eu creio que os modernistas da Semana de Arte Moderna não devemos servir de exemplo a ninguém. Mas podemos servir de lição. O homem atravessa uma fase integralmente política da humanidade. Nunca jamais ele foi tão ‘momentâneo’ como agora.” --O Movimento Modernista - conferência
   Clã do Jabuti resulta da viagem de descoberta do Brasil, numa aproximação com o folclore como fonte de criação poética. Apoiando-se nas tradições populares brasileiras, utiliza a toada, o coco, a moda, o samba para sustentar seus poemas.
  Seu primeiro romance é Amar, Verbo Intransitivo que penetra na estrutura familiar da burguesia paulistana, sua moral e seus preconceitos. Aborda, ao mesmo tempo, os sonhos e a adaptação dos imigrantes na agitada Paulicéia.
   Já em Macunaíma, Herói sem nenhum caráter, cria um anti-herói com um perfil indolente, brigão, covarde, sincero, mentiroso, trabalhador, preguiçoso, malandro, otário - multifacetado. Inspirando-se no folclore indígena da Amazônia, mesclando a lendas e tradições das mais variadas regiões do Brasil, constrói-se um herói que encarna o homem latino-americano. Macunaíma é uma figura totalmente fora dos esquemas tradicionais da prosa de ficção, uma aglutinação de alguns possíveis tipos brasileiros. Sempre na defesa, Macunaíma começa comendo terra e acaba sendo comido pela terra.
    Remate de Males já evidencia certo distanciamento em relação ao desvairismo inicial. Em Contos de Belazarte, manifesta acentuada preocupação com uma análise psicológico-social das relações familiares, reveladas através de uma linguagem inovadora (sintático e lexicalmente).
Na obra Lira Paulistana, Mário faz uma interpretação poética de seu destino e integração com a cidade de São Paulo. O reflexo do eu na transparência do rio Tietê mostra as águas do rio como se fosse um espelho mágico.
Inspiração - “São Paulo! comoção de minha vida ... / Os meus amores são flores feitas de original... / Arlequinal!... Traje de losangos... Cinza e ouro... / Luz e bruma... Forno e inverno morno... / Elegâncias sutis sem escândalos, sem ciúmes... / Perfumes de Paris... Arys!” --in Poesias Completas
   O Banquete é um explosivo depoimento sobre as linhas mestras do pensamento estético de Mário de Andrade, além de constituir uma sátira sobre certos comportamentos típicos no tempo da ditadura estadonovista.
"Pouca saúde e muita saúva os males do Brasil são." --Macunaíma
Obras Principais
Poesia
Há uma Gota de Sangue em casa Poema (1917)
Paulicéia Desvairada (1922)
Losango Cáqui (1926)
Clã do Jabuti (1927)
Remate de males (1930)
Poesias (1941)
Lira Paulistana (1946)
O Carro da Miséria (1946)
Poesias Completas (1955)
Conto
Primeiro Andar (1926)
Balazarte (1934)
Contos Novos (1946)
Romance
Amar, Verbo Intransitivo (1927)
Macunaíma (1928)
Ensaio
A Escrava que não é Isaura (1925)
O Aleijadinho e Álvares de Azevedo (1935)
O Baile das Quatro Artes (1943)
Aspectos da Literatura Brasileira (1943)
O Empalhador de Passarinhos (1944)
O Banquete (1978)
Crônicas
Os Filhos da Candinha (1943)
Musicologia e Folclore
Ensaio sobre Música Brasileira (1928)
Compêndio de História da Música (1929)
Modinhas e Lundus Imperiais (1930)
Música, Doce Música (1933)
Namoros com a Medicina (1939)
Música do Brasil (1941)
Danças Dramáticas do Brasil (1959)
Música de Feitiçaria (1963)
História da Arte
Padre Jesuíno de Monte Melo (1946)
outros folhetos reunidos nas Obras Completas

OSWALD DE ANDRADE  (1890-1853)
   Foi poeta, romancista, ensaísta e teatrólogo. Figura de muito destaque no Modernismo Brasileiro, ele trouxe de sua viagem a Europa o Futurismo. Formado em Direito, Oswald era um playboy extravagante: usa luvas xadrez e tinha um Cadillac verde apenas porque este tinha cinzeiro, para citar apenas algumas de suas muitas extravagâncias. Amigo de Mário de Andrade, era seu oposto: milionário, extrovertido, mulherengo (casou-se 5 vezes, as mais célebres sendo as duas primeiras esposas: Tarsila do Amaral e Patrícia "Pagu" Galvão).
   “Viajei, fiquei pobre, fiquei rico, casei, enviuvei, casei, divorciei, viajei, casei... já disse que sou conjugal, gremial e ordeiro. O que não me impediu de ter brigado diversas vezes à portuguesa e tomado parte em algumas batalhas campais.” --nota autobiográfica - Diário de Notícias
   Foi um dos principais artistas da Semana de Arte Moderna e lançou o Movimento Pau-Brasil e a Antropofagia, corrente que pretendia devorar a cultura européia e brasileira da época e criar uma verdadeira cultura brasileira. Fazendeiro de café, perdeu tudo e foi à falência em 1929 com o crash da Bolsa de Valores. Militante esquerdista, passou a divulgar o Comunismo junto com Pagu em 1931, mas desligou-se do Partido em 1945.
Sua obra é marcada por irreverência, coloquialismo, nacionalismo, exercício de demolição e crítica. Incomodar os acomodados, estimular o leitor através de palavras de coragem eram constantes preocupações desse autor.
   “A situação ‘revolucionária’ desta bosta mental sul-americana apresentava-se assim: o contrário do burguês não era o proletário — era o boêmio! As massas, ignoradas no território e como hoje, sob a completa devassidão econômica dos políticos e dos ricos. Os intelectuais brincando de roda.”--prefácio de Serafim Ponte Grande.
  Depois de participar da SAM, viaja à Europa e o diário de bordo destas viagens é o romance cubista Memórias Sentimentais de João Miramar, que os críticos chamaram de prosa telegráfica. Este romance-caleidoscópio inaugura, no nível da prosa, a tendência antinormativa da literatura contemporânea, rompendo os modelos realistas. Seus 163 fragmentos registram a trajetória do brasileiro rico de todos os tempos: Europa - casamento - amante - desquite - vida literária - apertos financeiros - ...
   “Beiramávamos em auto pelo espelho de aluguel arborizado das avenidas marinhas sem sol. / Losango, tênues de ouro bandeira nacionalizavam o verde dos montes interiores. / No outro lado azul da baía a Serra dos Órgãos serrava. / Barcos. E o passado voltava na brisa de baforadas gostosas. Tolah ia vinha derrapava entrava em túneis. / Copacabana em um duelo arrepiado na luminosa noite varada pelas frestas da cidade.” - 66. Botafogo, in Memórias Sentimentais de João Miramar
    Em Paris, deslumbrado, descobriu a própria Terra: tinha inventado a poesia de exportação — o Pau-Brasil. Poemas-pílulas, onde mistura-se a linguagem antiga dos cronistas e jesuítas com o modo de falar atual. Com essa mistura, tempera seus poemas com sua fina ironia.
 Relicário - “No baile da Corte / Foi o Conde d’Eu quem disse / Pra Dona Benvinda / Que farinha de Suruí / Pinga de Parati / Fumo de Baependi / É comê bebê pitá e caí”--Pau-Brasil
  O momento esteticamente mais radical do Modernismo foi a Antropofagia. Invocando a cultura e os costumes primitivos do Brasil, este movimento afirma a necessidade de sermos um povo antropófago, para não nos atrofiarmos culturalmente. Deve-se filtrar as contribuições estrangeiras para alcançar uma síntese transformadora.
   Com a crise econômica de 1929, Oswald passa por difíceis condições financeiras e se vê obrigado a conjugar o verbo “crakar”
   “Eu empobreço de repente / Tu enriqueces por minha causa / Ele azula para o sertão / Nós entramos em concordata / Vós protestais por preferência / Eles escafedem a massa / Sê pirata / Sede trouxas / Abrindo o pala / Pessoal sarado / Oxalá eu tivesse sabido que esse verbo era irregular.” -- Memórias Sentimentais de João Miramar
    Falido economicamente, Oswald vai se pendurar nos “reis da vela”, os agiotas do beco do escarro (zona bancária de SP). Com isso, o autor vai recolhendo material para sua peça O Rei da Vela.
   Serafim Ponte Grande é o romance que testemunha a fase de identidade ideológica com a esquerda. Serafim encarna o mito do herói latino-americano individual que parte como um louco em busca da libertação e da utopia. Oswald projeta em Serafim o herói que vai remar sempre contra a corrente do inconformismo, procurando romper, através da crítica, do sarcasmo e da ironia as rédeas sufocantes do ser burguês. Por ser o sonhe de Serafim individual, acaba frustrando-se e, depois de aprender as duras realidades da vida, torna-se um irrecuperável marginal que cai fora do sistema.
    “— Tudo é tempo e contra-tempo! E o tempo é eterno. Eu sou uma forma vitoriosa do tempo. Em luta seletiva, antropofágica. Com outras formas do tempo: moscas, eletro-éticas, cataclismas, polícias e marimbondos! / Ó criadores das elevações ertificiais do destino eu vos digo! A felicidade do homem é uma felicidade guerreira. Tenho dito. Viva a rapaziada! O gênio é uma longa besteira!”  --Serafim Ponte Grande
     Morreu sofrendo dificuldades de saúde e financeiras, mas sem perder o contato com os artistas da época.
Epitáfio - “Eu sou redondo, redondo / Redondo, redondo eu sei / Eu sou uma redond'ilha / Das mulheres que beijei / Vou falecer do oh! amor / Das mulheres de minh’ilha / Minha caveira rirá ah! ah! ah! / Pensando na redondilha.”
Obras principais:
Poesia
Pau-Brasil (1925)
Primeiro Caderno de Poesia do Aluno Oswald de Andrade (1927)
Poesias Reunidas (edição póstuma)
Romance
Os Condenados (I - Alma, II - Estrela do Absinto, III - A escada, 1922 a 1934)
Memórias Sentimentais de João Miramar (1924)
Serafim Ponte Grande (1933)
Marco Zero (I - A Revolução Melancólica, II - Chão, 1943 a 1946)
Manifestos, teses e ensaios
Manifesto Pau-Brasil (1925)
Manifesto Antropófago (1928)
A Arcádia e a Inconfidência (1945)
Ponta de Lança (1945)
A Crise da Filosofia Messiânica (1946)
A Marcha das Utopias (1966)
Teatro
O Homem e o Cavalo (1934)
O Rei da Vela (1937)
A Morta (1937)
O Rei Floquinhos (Infantil, 1953)
Memórias
Um Homem sem Profissão (1954)
Crônicas
Telefonemas (edição póstuma)

TEXTOS MODERNISTAS DA 1ª FASE
Evocação do Recife
Recife
Não a Veneza americana
Não a Mauritsstad dos armadores das Índias Ocidentais.
Não o Recife dos Mascates
Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois — Recife das revoluções libertárias
Mas o Recife sem história nem literatura
Recife sem mais nada
Recife da minha infância (...) --Manuel Bandeira
           
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha  me contar

Vou-me embora pra Pasárgada.
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada. --Manuel Bandeira
           
Pronominais
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro --Fragmentos do livro de poesias Pau-Brasil, de Oswald de Andrade
           
Erro de português
Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
o português.  --Fragmentos do livro de poesias Pau-Brasil, de Oswald de Andrade
           
Mário de Andrade
Eu insulto o burguês! O burguês níquel,
o burguês-burguês!
A digestão bem-feita de São Paulo!
O homem-curva! o homem-nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!

Eu insulto as aristocracias cautelosas!
Os barões lampiões! os condes Joões! os duques zurros!
que vivem dentro de muros sem pulos,
e gemem sangues de alguns mil-réis fracos
para dizerem que as filhas da senhora falam o francês
e tocam os ‘Printemps’ com as unhas!
Come! Come-te a ti mesmo, oh! gelatina pasma!
Oh! purée de batatas morais!
Oh! cabelos nas ventas! oh! carecas! (...)

Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!
Morte ao burguês de giolhos,
cheirando religião e que não crê em Deus!
Ódio vermelho! Ódio fecundo1 Ódio cíclico!
Ódio fundamento, sem perdão!

Fora! Fu! Fora o bom burguês!... --Fragmentos de Ode ao Burguês

Modernismo (1922-1960)
www.graudez.com.br/literatura/modernismo.html