SOS LÍNGUA PORTUGUESA

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sexta-feira, 29 de junho de 2012

A POESIA BARROCA DE GREGÓRIO DE MATOS

SEMINÁRIO                                                                                  
                                       José Pereira da Silva (UERJ e ABF)

   Como não sou um literato nem tenho dedicado grande parte de minha vida aos estudos literários, partirei do excelente trabalho de Domício Proença Filho, Estilos de Época na Literatura, para desenvolver o tema que me coube neste Seminário.
   Pode-se afirmar que o estilo barroco se configurou nos moldes da Contra-Reforma e dos Concílios de Trento (século XVI), tentando “conciliar a novidade renascentista com a tradição religiosa que vinha da Idade Média” (PROENÇA FILHO, 1973: 139), pois foram principalmente esses dois acontecimentos – continua –, que marcaram os princípios ideológicos do homem daquele tempo, impondo-lhe “traços relevantes em pensamento, concepções sociais e políticas, arte e, naturalmente, religião.” (p. 140).
    Reformatado, o pensamento cristão medieval reaparece no Barroco: o equilíbrio do homem medieval se transforma em conflito permanente, representado em jogo de oposições e contrastes.
   “E de imediato se depreende que o Homem barroco se debate num conflito oriundo deste duelo entre espírito cristão e espírito secular, que leva a contrições como esta atribuída a Gregório de Matos”, continua Domício, exemplificando com o soneto abaixo:
 “Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado
Da vossa piedade me despida:
Porque quanto mais tenho delinqüido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.

Se basta a vos irar tanto um pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma ovelha perdida e já cobrada
Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na Sacra História:

Eu sou, Senhor, ovelha desgarrada;
Cobrai-me; e não queirais, Pastor Divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.”
                                                 (TOPA, 1999: II, 37)

     Na medida do possível, mostraremos poemas de Gregório de Matos que tragam algumas das seguintes características do Barroco relacionadas por Domício Proença Filho: 1 – O culto do contraste; 2 – Oposição do homem voltado para o céu ao homem voltado para a terra; 3 – Preferência (dentro do espírito de contrastes) pelos aspectos cruéis, dolorosos, sangrentos e repugnantes; 4 – Pessimismo; 5 – Humanização do sobrenatural; 6 – Fusionismo; 7 – Intensidade; 8 – Acumulação de elementos; 9 – Impulso pessoal; 10 – Niilismo temático; 11 – Tendência para a descrição e 12 – Culto da solidão.

1 – O culto do contraste
   Segundo Ronaldes de Melo e Souza, em “As máscaras de Gregório de Mattos” (SOUZA, 2000: 15), através do fingimento, o poeta está sempre em contraste, inclusive consigo mesmo e com os princípios que defende:
   Gregório de Mattos se comporta como persona ficta, ostentando várias máscaras, fingindo diversas vozes, representando, enfim, a proliferação indefinida de um ser que não cessa de ser outro. A heterogeneidade radical do poeta se manifesta nas múltiplas vozes (religiosa, erótica, lírica, jocosa, satírica, encomiástica), que presidem à gênese e ao desenvolvimento de sua obra essencialmente dialógica e polifônica. Argumenta-se que o conceito operatório do barroco, que é a dobra (le pli, Deleuze), constitui o fundamento histórico-cultural da obra gregoriana, que poeticamente se desdobra em fuga incessante e metamorfose contínua.
   Assim, quase que antecipando Fernando Pessoa na criação de heterônimos [a terminologia talvez não seja a mais adequada], afirmando que “o poeta se despersonaliza para personificar outros eus”, Ronaldes de Melo e Souza acrescenta, na página seguinte:
Adriano Espínola levanta a hipótese de que o licenciado Rabello e o frei Lourenço Ribeiro são máscaras biográficas de Gregório de Mattos.
   Nestas duas criações alonímicas, uma que o exalta e outra que o verbera, o riso de Gregório de Mattos atinge a culminância de uma bufoneria transcendental. Perfeito fingidor, o poeta finge, não somente a sua obra, mas também a sua vida pessoal, de persona convicta. E finge tão completamente, que chega a fingir duas máscaras simétricas e opostas: uma adjuvante e outra oponente. Esta mascarada biográfica representa dramaticamente a polaridade barroca do sublime e do grotesco.
Não apresentaremos exemplo da obra de Gregório de Matos neste ponto porque o primeiro soneto transcrito é suficiente para ilustrar os referidos contrastes.

2 – Oposição do homem voltado para o céuao homem voltado para a terra
   Tratando de seu comportamento religioso, bem explícito nas peças de acusação e de defesa encontradas no processo inquisitorial que sofrera, pode-se concluir que
   Provavelmente a causa dessas visões antagônicas reside na própria figura do escritor, na ambigüidade, em termos de comportamento e crenças religiosas, entre a pessoa empírica e a persona poética. Se a primeira é capaz de falar “muitas coisas escandalosas”, como quer o acusador, ou de ser um “louco jocoso”, como o considera seu defensor, a segunda se mostra capaz de fingir uma devoção extrema, de um “legítimo e inteiro cristão velho”.
   O ponto de  união entre esses extremos se encontra no temperamento burlesco, farsante, ora manifesto, ora latente, no tratamento literário dado aos temas religiosos, como expressão mesma do comportamento ambíguo da pessoa empírica jocosa e da persona poética devota do autor.
   Daí o conflito permanente do poeta cindindo entre a consciência do pecado e a necessidade da salvação, entre o desejo da transgressão e a solicitação do perdão, entre certezas divinas e dúvidas terrenas,...
    Eis um soneto que bem retrata este aspecto da obra gregoriana:
 “Ofendi-vos, meu Deus, é bem verdade,
É verdade, Senhor, que hei delinqüido,
Delinqüido vos tenho e ofendido,
Ofendido vos tem minha maldade.

Maldade que encaminha à vaidade,
Vaidade que todo me há vencido.
Vencido quero ver-me e arrependido,
Arrependido a tanta enormidade.

Arrependido estou de coração,
De coração vos busco, dai-me os braços,
Abraços que me rendem vossa luz.

Luz que claro me mostra a salvação,
A salvação pertendo em tais abraços,
Misericórdia, amor, Jesus, Jesus.”
                            (TOPA, 1999: II, 39)

3 – Preferência (dentro do espírito de contrastes)pelos aspectos cruéis, dolorosos, sangrentos e repugnantes
    Mesmo um poema sacro adquire tonalidade satírica ao ser introduzido pela didascália “Ao braço do menino Jesus da Sé quando desapareceu do corpo”. O texto tipicamente gregoriano tem de ser lido como intertexto e metatexto. (SOUZA, 2000: 17)
Eis o soneto que escreveu “A Cristo Senhor Nosso crucificado, estando o Poeta na última hora da sua vida”:
 “Meu Deus, que estais pendente em um madeiro,
Em cuja Lei protesto de viver,
Em cuja Santa Lei hei de morrer,
Animoso, constante, firme e inteiro.

Neste lance, por ser o derradeiro,
Pois vejo a minha vida anoitecer,
É, meu Jesus, a hora de se ver
A brandura de um Pai, manso cordeiro.

Mui grande é vosso amor e meu delito;
Porém pode ter fim todo o pecar,
E não o vosso amor, que é infinito.

Essa razão me obriga a confiar
Que por mais que pequei neste conflito,
Espero em vosso amor de me salvar.”
                                            (TOPA, 1999: II, 41)

4 – Pessimismo
    Esse pessimismo nasce “do conflito entre o eu e o mundo”, levando o poeta ao “bifrontismo do homem, santo e pecador”, conforme ensina Domício Proença Filho, op. cit., p. 141.
   Eis o que escreve o poeta “aos Missionários, em ocasião que corriam a Via Sacra”, quando o arcebispo da Bahia dava exorbitantes direções à Missão, juntamente com o exercício da Via Sacra:
 “Via de prefeição é a Sacra Via,
Via do Céu, caminho da verdade;
Mas ir ao Céu com tal publicidade
Mais que à virtude o boto à hipocrisia.

O ódio é d’alma infame companhia,
A paz deixou-a Deus à Cristandade;
Mas arrastar por força uma vontade,
Em vez de caridade é tirania.

O dar pregões no púlpito é indecência:
[“]Qué de fulano?[“] e [“]Venha aqui sicrano![“],
Porque pecado e pecador se veja;

É próprio de um porteiro d’audiência;
E se nisto mal digo ou mal me engano,
Eu me sumeto à Santa Madre Igreja.”
                                           (TOPA, 1999: II, 361)

5 – Humanização do sobrenatural
   O fato mesmo de terem sido colocados em primeiro lugar os poemas sacros, no códice organizado pelo licenciado Rabello, dá-lhe um pragmatismo imediato, para salvar a obra, apresentando seu autor como um poeta religioso, isto é, com a máscara sacral. (Cf. ESPÍNOLA, 2000: 112)
   Um exemplo desta metamorfose, entre muitos encontráveis na arte poética de Gregório de Matos, pode ser o soneto abaixo, pois “No sermão que pregou na Madre de Deus Dom João Franco de Oliveira, pondera o Poeta a fragilidade humana”:
Na oração que desaterra........................... aterra,
Quer Deus que a quem está o cuidado....... dado
Pregue que a vida é emprestado............... estado,
Mistérios mil que desenterra.................... enterra.

Quem não cuida de si que é terra.............. erra,
Que o alto Rei por afamado..................... amado
E quem lhe assiste ao desvelado............... lado
Da morte ao ar não desaferra.................. aferra.

Quem do mundo a mortal loucura............ cura,
À vontade de Deus sagrada...................... agrada
Firmar-lhe a vida em atadura................... dura.

Ó voz zelosa que dobrada......................... brada,
Já sei que a flor da formosura................... usura
Será no fim desta jornada........................ nada.
                                                     (TOPA, 1999: II, 62)

6 – Fusionismo
   Assim como no soneto que apresentaremos no item 8, onde há fusão do racional com o irracional, do sacro com o satírico etc., podemos ver a fusão do humano com o divino, do terreno com o celestial etc. no primeiro dos poemas sacros apresentado no códice do licenciado, onde o poeta recorre ao Eclesiastes, de onde extrai o versículo 3:20 para construir seu primeiro verso, persuadindo retoricamente o leitor, conativa e apelativamente. Vejamos:
 “Que és terra, homem, e em terra hás de tornar-te,
Te lembra hoje Deus por sua Igreja;
De pó te faz espelho em que se veja
A vil matéria de que quis formar-te.

Lembra-te Deus que és pó para humilhar-te,
E como o teu baixel sempre fraqueja
Nos mares da vaidade onde peleja,
Te põe à vista a terra onde salvar-te.

Alerta, alerta, pois que o vento berra,
E se assopra a vaidade e incha o pano,
Na proa a terra tens, amaina e ferra.

Todo o lenho mortal, baixel humano,
Se busca a salvação, tome hoje terra,
Que a terra de hoje é porto soberano.”
                                       (TOPA, 1999: II, 64)

7 – Intensidade
   Essa intensidade é traduzida, segundo Afrânio Coutinho em sua Introdução à Literatura Brasileira (COUTINHO, 1972: 107),
 ...num sentimento de grandiosidade e esplendor, de magnificência e pompa, de majestade e grandeza heróica, expressos na tendência superlativa e hiperbólica, no exagero do epíteto. Mas essa tendência encontra seu reverso no pendor para a renúncia e a nobreza de alma, responsável pelo equilíbrio instável de muitas personagens barrocas, que vivem entre a virtude e a fraqueza, entre a pureza e o pecado, entre o rigorismo moral ou a luta árdua e a queda e o arrependimento. Não há mediocridade na sua alma, porque Deus está presente, no seu coração e espírito, mesmo quando enleadas pelo pecado.
   Aproveito para exemplificar com um par de sonetos criados nos mesmos versos consoantes, com o que o poeta, sem nomear os interlocutores, mostra um diálogo, uma teatralidade em sua lírica:
Quem perde o bem que teve possuído,
A morte não dilate ao sentimento,
Que esta dor, esta mágoa, este tormento,
Não pode ter tormento parecido.

Quem perde o bem logrado, tem perdido
O discurso, a razão, o entendimento;
Porque caber não pode em pensamento
A esperança de ser restituído.

Quando fosse a esperança alento à vida,
‘té nas faltas do bem seria engano
O presumir melhoras desta sorte.

Porque onde falta o bem, é homicida
A memória, que atalha o próprio dano,
O refúgio, que priva a mesma morte.
(TOPA, 1999: II, 83)
O bem que não chegou ser possuído
Perdido causa tanto sentimento
Que faltando-lhe a causa do tormento,
Faz ser maior tormento o padecido.

Sentir o bem logrado e já perdido
Mágoa será do próprio entendimento;
Porém o bem que perde um pensamento
Não o deixa outro bem restituído.

Se o logro satisfaz a mesma vida
E depois de logrado fica engano
A falta que o bem faz em qualquer sorte:

Infalível será ser homicida
O bem que sem ser mal motiva o dano,
O mal que sem ser bem apressa a morte.
(TOPA, 1999: II, 85)
   Essa técnica é utilizada noutros diálogos em que as personagens são nomeadas, como é o caso dos três sonetos amorosos “do Poeta”, compostos nos mesmos consoantes e respondidos do mesmo modo por “Floralva”, conforme se pode ler em TOPA (1999: II, 298-303).

8 – Acumulação de elementos
   São bastante numerosos os poemas em que Gregório se utiliza estilisticamente deste recurso da acumulação de elementos, que se faz de diversas maneiras.
   Aproveitaremos a oportunidade para exemplificar a acumulação de elementos (aqui, como no exemplo do item 2) com mais um soneto religioso que se torna uma sátira, dada o contexto de sua produção pela didascália (cf. item 3).
 “O todo sem a parte não é todo,
A parte sem o todo não é parte,
Mas se a parte o faz todo, sendo parte,
Não se diga que é parte, sendo todo.

Em todo o Sacramento está Deus todo
E todo assiste inteiro em qualquer parte,
E feito em partes todo em toda a parte,
Em qualquer parte sempre fica todo.

O braço de Jesus não seja parte,
Pois que feito Jesus em partes todo,
Assiste cada parte em sua parte.

Não se sabendo parte deste todo,
Um braço que lhe acharam, sendo parte,
Nos disse as partes todas deste todo.”
                            (TOPA, 1999: II, 47-8)

9 – Impulso pessoal
    Nos poemas amorosos e nos eróticos, naturalmente, o impulso vem à tona a cada passo, o que é mais que natural, apesar de serem fartos os modelos de todos eles. Por isto, exemplificarei com um poema satírico e autobiográfico (AMADO, 1992: I, 31):
 “E pois cronista sou.

Se souberas falar também falaras,
também satirizaras, se souberas,
e se foras poeta, poetaras.

 Cansado de vos pregar
cultíssimas profecias,
quero das culteranias
hoje o hábito enforcar;
de que serve arrebentar,
por quem de mim não tem mágoa?
Verdades direi como água,
porque todos entendais
os ladinos, e os boçais
a Musa praguejadora.
Entendeis-me agora?

Permiti, minha formosa,
que esta prosa envolta em verso
de um Poeta tão perverso
se consagre a vosso pé,
pois rendido à fossa fé
sou já Poeta converso.

Mas amo por amar, que é liberdade.”

10 – Niilismo temático
    Um interessante exemplo dessa carência de motivo para a produção poética ou literária é o soneto escrito ao Conde da Ericeira, D. Luís de Meneses, pedindo louvores ao poeta, que não lhe achou préstimo algum:
“Um soneto começo em vosso gabo,
Contemos esta regra por primeira;
Já lá vão duas e esta é a terceira,
Já este quartetinho está no cabo.

Na quinta troce agora a porca o rabo,
A sexta vá também desta maneira;
Na sétima entro já com grã canseira,
E saio dos quartetos muito brabo.

Agora nos tercetos que direi?
Direi que vós, Senhor, a mim me honrais,
Gabando-vos a vós, e eu fico um rei.

Nesta vida um soneto já ditei,
Se desta agora escapo, nunca mais;
Louvado seja Deus, que o acabei.”
                          (TOPA, 1999: II, 358)

11 – Tendência para a descrição
    As didascálias, caracterizando um discurso mascarado do poeta, fazem uma ligação direta entre a obra literária e a sua biografia, assinada pelo licenciado. E “como é que o licenciado podia saber tudo acerca do poeta e das circunstâncias que motivaram a elaboração de seus poemas?” – pergunta Ronaldes (SOUZA, 2000: 16-17), propondo imediatamente: “A resposta a esta pergunta é que o biógrafo consegue saber tudo acerca do poeta e seu ofício, porque o licenciado Rabello e Gregório de Mattos são uma mesma pessoa, que se representa dramaticamente desdobrada no biógrafo e no biografado.”
   Ou seja, aquelas “legendas” que têm tantas variantes, conforme se pode ver na tese de Francisco Topa (1999), constituem o elemento descritivo por excelência na comédia em que se constitui a obra poética de Gregório de Matos, considerada deste ponto de vista, levado “até a inverossimilhança” (PROENÇA FILHO, 1973: 142).

12 – Culto da solidão
   Segundo Domício (p. 142), “o poeta, mais que outros, é um raro, que cria o seu mundo particular e nele se isola”.
   Gregório criou um par opositivo de máscaras, típico das artes literária e dramática de seu tempo, para revelar sua criadora faceta biográfica: a “de tom encomiástico, assinada pelo licenciado, e a de tom satírico, encetada pelo frei Lourenço Ribeiro.” (ESPÍNOLA, 2000: 30).
   É por isto que, depois de analisar profundamente o conteúdo crítico-literário da obra citada de Adriano Espínola, com seus bem fundamentados argumentos, Ronaldes pôde concluir, com segurança em relação a Gregório de Matos e Guerra:
   Os fingimentos de sua novíssima comédia tropical o credenciam como um dos maiores poetas barrocos da literatura mundial. Além do ludismo polêmico do texto, do intertexto e do metatexto, o poeta revela o que há de mais profundo na cultura barroca, e que é a interminável demanda de uma identidade perpetuamente mobilizada no ritmo de transe da alteridade e do emascaramento. Como Pessoa, e por mais que se desdobre em vários eus, Gregório de Mattos permanece sempre o anônimo de si mesmo. Ao rasurar o eu próprio para fingir os outros eus, o poeta converte todo o seu texto num verdadeiro palimpsesto.
..................................................................................................
O enigma de Gregório de Mattos não é simplesmente filológico, mas radicalmente ontológico. (SOUZA, 2000: 17)

13 – CONCLUSÃO
   À guisa de conclusão, trago à baila novamente o primeiro dos atuais sócios honorários da Academia Brasileira de Filologia (SPINA, 1995: 79-80):
   Incontestavelmente Gregório de Matos possuía absoluto domínio da técnica versificatória: manejava todos os gêneros poéticos e com original maestria. Parodiava os sonetos clássicos, prevalecia-se dos paralelismos, das antíteses, dos calemburgos de poesias alheias que tanta fama alcançaram, para elaborar os seus. Isto também não desmerece o talento de Gregório, porquanto essas adaptações poéticas, justamente com poesias que granjearam larga popularidade, não constituem uma artimanha que implique desonestidade, mas uma faceta por onde fulge o espírito brincalhão e satírico do poeta baiano.
    Expurgada a sua obra desse joio muitas vezes mal interpretado, ainda fica um majestoso monumento literário. Negar-lhe a originalidade que sempre mereceu é negar a verdade histórica do meio em que viveu. Gregório, pis, é uma emersão dessa corrupta e provocante sociedade colonial, e menos um “fâmulo e projeção” de Quevedo, porque um “temperamento não s imita”, e sobretudo satírico, que se caracteriza pela ausência quase absoluta de formalismo, e por conseguinte por um algo cunho de personalidade.

14 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AMADO, James (ed.). Gregório de Matos: obra poética. 3ª ed. Preparação e notas de Emanuel Araújo. Rio de Janeiro: Record, 1992, 2 vol.
COUTINHO, Afrânio. Introdução à literatura no Brasil. 7ª ed. Rio de Janeiro: Distribuidora de Livros Escolares, [1972].
ESPÍNOLA, Adriano. As artes de enganar: um estudo das máscaras poéticas e biográficas de Gregorio de Mattos. [Rio de Janeiro]: Topbooks, [2000].
PROENÇA FILHO, Domício. Estilos de época na literatura (através de textos comentados). 4ª ed. rev. e ampl. [Rio de Janeiro; São Paulo]: Liceu, 1973.
SOUZA, Ronaldes de Melo e. As máscaras de Gregório de Mattos. In: ESPÍNOLA, Adriano. As artes de enganar: um estudo das máscaras poéticas e biográficas de Gregorio de Mattos. [Rio de Janeiro]: Topbooks, [2000], p. 15-17.
SPINA, Segismundo. A poesia de Gregório de Matos. São Paulo: Edusp, 1995.
––––––. Gregório de Matos. In: COUTINHO, Afrânio; COUTINHO, Eduardo de Faria. (Dir.). A literatura no Brasil. Vol. II, Parte II: Estilos de época – Era barroca / Era neoclássica.  3ª ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: José Olympio; Niterói: Eduff, 1986, p. 114-125.
TOPA, Francisco. Edição crítica da obra poética de Gregório de Matos. Porto: Edição do Autor, 1999, 2 vol. [Dois tomos em cada volume].

 www.filologia.org.br/abf/volume3/numero1/01.htm - 194k

terça-feira, 26 de junho de 2012

BARROCO (1601 - 1768): LITERATURA


LITERATURA
       Devido à peculiaridades de sua formação como colônia, no Brasil a cultura literária custou a se desenvolver. Portugal não fazia nenhuma questão de educar os territórios colonizados, pois o grande interesse era a exploração de seus recursos. Bibliotecas e escolas públicas não havia, e o que se aprendia - quando se aprendia - era uma instrução elementar sob a tutela da Igreja, especialmente dos jesuítas, fortemente direcionada para a catequese, e ali se encerrava a educação, sem perspectivas nenhumas de aprofundamento ou de aprimoramento do gosto literário a não ser que os pupilos acabassem por ingressar nas fileiras da Igreja, que então lhes daria melhor preparo.
      Acrescente-se a isso que grande parte da população era analfabeta e a transmissão de cultura era baseada quase toda na oralidade, a imprensa era proibida, manuscritos eram raros pois o papel era custoso, e só circulavam livros que haviam passado pela censura do governo, principalmente vidas de santos, catecismos, uns poucos romances inocentes de cavalaria, compêndios de latim, lógica e legislação, de modo que além de os leitores serem poucos, quase não havia o que ler.
       Assim, a escassa literatura produzida durante o Barroco nasceu principalmente entre os padres, alguns deles de elevada ilustração, ou no seio de alguma família nobre ou abastada, entre os oficiais do governo, que podiam se dar ao luxo de estudar na metrópole, e era consumida neste mesmo círculo reduzido. O que pôde florescer nesse contexto paupérrimo seguiu em linhas gerais o Barroco literário europeu, caracterizando-se numa ênfase na retórica exuberante, no gosto pelas figuras de linguagem, no cultivo dos contrastes e no apelo emocional. Salvo por raros literatos que serão em breve mencionados, somente no século XVIII é que a literatura vai começar a adquirir uma feição mais rica e mais nitidamente nativa, acompanhando o crescimento das cidades litorâneas e o surgimento do ciclo do ouro em Minas Gerais, ao mesmo tempo em que começava uma transição para o Arcadismo e seus valores classicistas

Poesia
     Didaticamente, o Barroco brasileiro tem seu marco inicial em 1601, com a publicação do poema épico Prosopopeia, de Bento Teixeira. Conheça a seguir os trechos selecionados:
I
Cantem Poetas o Poder Romano,
Sobmetendo Nações ao jugo duro;
O Mantuano pinte o Rei Troiano,
Descendo à confusão do Reino escuro;
Que eu canto um Albuquerque soberano,
Da Fé, da cara Pátria firme muro,
Cujo valor e ser, que o Ceo lhe inspira,
Pode estancar a Lácia e Grega lira.
II
As Délficas irmãs chamar não quero,
que tal invocação é vão estudo;
Aquele chamo só, de quem espero
A vida que se espera em fim de tudo.
Ele fará meu Verso tão sincero,
Quanto fora sem ele tosco e rudo,
Que per rezão negar não deve o menos
Quem deu o mais a míseros terrenos.

   Esse poema, além de traçar elogios aos primeiros donatários da capitania de Pernambuco, narra o naufrágio sofrido por um deles, o donatário Jorge Albuquerque Coelho. Apesar de os críticos o considerarem de pouco valor literário, o texto tem seu valor histórico, pois foi a primeira obra do Barroco brasileiro e o marco inicial do primeiro estilo de época a surgir no Brasil.
  No campo da poesia, destaca-se o precursor Bento Teixeira com seu épico Prosopopéia, inspirado na tradição de Camões, seguido de Manuel Botelho de Oliveira, autor de Música do Parnaso, o primeiro livro impresso de autor nascido no Brasil, uma coletânea de poemas em português e espanhol em rigorosa orientação cultista e conceptista, afim da poesia de Góngora, e mais tarde o frei Manuel de Santa Maria, também da escola camoniana.
      Mas o maior poeta do barroco brasileiro é Gregório de Matos, de grande veia satírica, e igualmente penetrante na religião, na filosofia e no amor, muitas vezes de crua carga erótica. Também fez uso de uma linguagem culta e cheia de figuras de linguagem. Foi apelidado de O Boca do Inferno por suas críticas mordazes aos costumes da época. Na sua lírica religiosa os problemas do pecado e da culpa são importantes, como é o conflito da paixão com a dimensão espiritual do amor.

Prosa
     Na prosa o grande expoente é o Padre Antônio Vieira, com os seus sermões, dos quais é notável o Sermão da Primeira Dominga da Quaresma, onde defendia os nativos da escravidão, comparando-os aos hebreus escravizados no Egito. No mesmo tom é o Sermão 14 do Rosário, condenando a escravidão dos africanos, comparado-a ao calvário de Cristo. Outras peças importantes de sua oratória são o Sermão de Santo António aos Peixes, o Sermão do Mandato, mas talvez a mais célebre seja o Sermão da Sexagésima, de 1655. Nele não apenas defende os índios, mas também e, principalmente, ataca seus algozes, os dominicanos, por meio de hábil encadeamento de imagens evocativas.
   Sua escrita era animada pelo anseio de estabelecer um império português e católico regido pelo zelo cívico e a justiça, mas sua voz foi interpretada como uma ameaça à ordem estabelecida, o que lhe trouxe problemas políticos e atraiu sobre si a suspeita de heresia. Defendendo os cristãos-novos foi perseguido pela Inquisição, que o teve preso por dois anos, além de ter-lhe cassado o direito à expressão pública de suas idéias. Banido para o Brasil, encontrou a oposição dos colonos lusos, a quem desagradava que falasse pelos índios.
    Seu estilo pode ser sentido neste fragmento:
"O trigo que semeou o pregador evangélico, diz Cristo que é a palavra de Deus. Os espinhos, as pedras, o caminho e a terra boa em que o trigo caiu, são os diversos corações dos homens. Os espinhos são os corações embaraçados com cuidados, com riquezas, com delícias; e nestes afoga-se a palavra de Deus. As pedras são os corações duros e obstinados; e nestes seca-se a palavra de Deus, e se nasce, não cria raízes. Os caminhos são os corações inquietos e perturbados com a passagem e tropel das coisas do Mundo, umas que vão, outras que vêm, outras que atravessam, e todas passam; e nestes é pisada a palavra de Deus, porque a desatendem ou a desprezam. Finalmente, a terra boa são os corações bons ou os homens de bom coração; e nestes prende e frutifica a palavra divina, com tanta fecundidade e abundância, que se colhe cento por um: Et fructumfecitcentuplum."
   Outros nomes na prosa do período são historiadores ou cronistas, como Sebastião da Rocha Pita, autor de uma História da América Portuguesa, Nuno Marques Pereira, cujo Compêndio Narrativo do Peregrino da América é considerado uma das primeiras narrativas de cunho literário do Brasil, na forma de uma alegoria moralizante,[53] e o frei Vicente do Salvador, autor da Historia do Brazil, de onde vem este excerto que trata do Descobrimento:
"A Terra do Brasil, que está na América, huma das quatro partes do Mundo, não se descobrio de proposito, e de principal intento; mas acaso indo Pedro Alvares Cabral, por mandado de El Rey Dom Manoel no (ano) de mil e quinhentos para a India por Capitão Mor de doze Naus, afastando-se da costa de Guiné, que já era descoberta ao Oriente, achou estoutra ao Ocidente, da qual não havia noticia alguma, foi a costeando alguns dias com tromentathe chegar a hum porto seguro, do qual a terra visinha ficou com o mesmo nome.
   "Ali desembarcou o dito Capitão com seus soldados armados, pera peleijarem; porque mandou primeiro hum batel com alguns a descobrir campo, e derão novas de muitos Gentios, que virão; porem não foramnecessarias armas, porque só de verem homens vestidos, e calçados, e brancos, e com barba - do que tudosellescaressem - os tiverão por divinos, e mais que homens, e assim chamando-lhes Carahibas, que quer dizer na sua lingoa cousa divina, se chegaram pacificamente aos nossos."

Gregório de Matos
"Que falta nesta cidade? Verdade.
Que mais por sua desonra? Honra. 
Falta mais que se lhe ponha? Vergonha.
O demo a viver se exponha
Por mais que a fama a exalta
Numa cidade onde falta
Verdade, honra e vergonha." 
      Assim Gregório de Matos abre um poema criticando a Bahia de seu tempo. A sátira política tornou-se uma das vertentes mais conhecidas de sua obra poética.
      Gregório de Matos Guerra era o terceiro filho de um fidalgo português, estabelecido no Recôncavo baiano como senhor de engenho, e de uma brasileira. Ao contrário dos irmãos mais velhos que não se adequaram aos estudos e dedicaram a ajudar o pai na fazenda, Gregório recebeu instrução na infância e adolescência e foi enviado para a Universidade de Coimbra, onde bacharelou-se em direito.
    Teria sido juiz do Cível, de Crime e de Órfãos em Lisboa durante muitos anos. Na Corte portuguesa, envolveu-se na vida literária que deixava o maneirismo camoniano e atingia o barroco, seguindo as influências espanholas de Gôngora e Quevedo. Por essa ocasião, teria também casado e tido acesso ao rei Pedro 2o, de quem ganhou simpatia e favores.
     Sua sorte, porém, mudou bruscamente. Enviuvou e caiu em desgraça com o rei, segundo alguns biógrafos, por intriga de alguém ridicularizado em um de seus poemas satíricos. Acabou retornando à Bahia em 1681, a princípio trabalhando para o Arcebispo, como tesoureiro-mór, mas logo desligado de suas funções.
    Casou-se, então, com Maria dos Povos, a quem dedicou um de seus sonetos mais famosos. Vendeu as terras que recebera de herança e, segundo consta, guardou o dinheiro num saco no canto da casa, gastando-o à vontade e sem fazer economia. Ao mesmo tempo, tratou de exercer a advocacia, escrevendo argumentações judiciais em versos.
    A certa altura, resolveu abandonar tudo e saiu pelo Recôncavo como cantador itinerante, convivendo com o povo, freqüentando as festas populares, banqueteando-se sempre que convidado. É nessa época que se avoluma sua obra satírica (inclusive erótico-obscena) que iria lhe valer o apelido de "Boca do Inferno". Mas foi a crítica política à corrupção e o arremedo aos fidalgos locais que resultaram em sua deportação para Angola.
    De lá, só pôde retornar em 1695, com a condição de se estabelecer em Pernambuco e não na Bahia, além de evitar as sátiras. Segundo os estudiosos, nesses momentos finais de vida, tornou-se mais devoto e deu vazão à poesia religiosa, em que pede perdão a Deus por seus pecados. Morreu em data incerta no ano seguinte.
     Vale lembrar que a fama de Gregório de Matos - um dos grandes poetas barrocos não só do Brasil, mas da língua portuguesa - é devida a uma obra efetivamente sólida, em que o autor soube manejar os cânones da época, seja de modo erudito em poemas líricos de cunho filosófico e religioso, seja na obra satírica de cunho popularesco. O virtuosismo estilístico de Gregório de Matos não encontra um rival a altura na poesia portuguesa do mesmo período.


“Eu sou aquele, que passados anos
cantei na minha lira maldizente
torpezas do Brasil, vícios, e enganos”
     Esse era Gregório de Matos Guerra, o “Boca do Inferno”. Com seu espírito crítico, satirizava políticos, comerciantes, clero, colonizadores e até mesmo o povo. Para isso, usava palavrões e um vocabulário bem baixo em suas obras.
   Nasceu supostamente em 7 de abril de 1633 na Bahia e morreu em Recife em 1696. Veio de uma família rica que possuía dois engenhos de cana-de-açúcar e 130 escravos.
   Educou-se em casa e no colégio jesuíta. Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra e lá exerceu a profissão sendo, inclusive, juiz de órfãos.
   Em 1681, quando voltou para o Brasil, foi vigário-geral e tesoureiro-mor, porém, durante este período recusou-se a usar a batina e denunciou injustiças da Ordem em que servia. Por causa disso, o Bispo ordenou seu afastamento.
   Escreveu poesia lírica, satírica e religiosa. Suas poesias satíricas possuem um ótimo material do ponto de vista sociológico e lingüístico (já que o autor usava um vocabulário bem popular). Nelas o escritor narra episódios da vida popular, cotidiana e política. Através delas podemos conhecer melhor a sociedade da época (período colonial).
   A poesia lírica de Gregório de Matos também é muito boa e pode ser dividida em:
- Poesia lírico-amorosa
- Poesia lírico-filosófica
- Poesia lírico-religiosa

 POESIA LÍRICO-AMOROSA
Características
- O amor é retratado como fonte de prazer e sofrimento
- A mulher é retratada como um anjo e fonte de perdição (pois desperta o desejo carnal)
TEXTO
Rompe o Poeta com a Primeira Impaciência Querendo Declarar-se e Temendo Perder Por Ousado
Anjo no nome, Angélica na cara,
Isso é ser flor, e Anjo juntamente,
Ser Angélica flor, e Anjo florente,
Em quem, se não em vós se uniformara?
Quem veria uma flor, que a não cortara
De verde pé, de rama florescente?
E quem um Anjo vira tão luzente,
Que por seu Deus, o não idolatrara?
Se como Anjo sois dos meus altares,
Fôreis o meu custódio, e minha guarda,
Livrara eu de diabólicos azares.
Mas vejo, que tão bela, e tão galharda,
Posto que os Anjos nunca dão pesares,
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.
Vocabulário
Uniformar: tornar uniforme, com uma só forma
Galharda: elegante

POESIA LÍRICO-RELIGIOSA
Características
- O autor está dividido entre pecado e virtude (sente culpa por pecar e busca a salvação)
- O autor vê o pecado como um erro humano, mas também, como a única forma de Deus cometer o ato do perdão.
- O eu-lírico, muitas vezes, se comporta como advogado que faz a própria defesa diante de Deus (para tal, usava, até mesmo, trechos da Bíblia)
 TEXTO
Ao mesmo assunto e na Mesma Ocasião
Pequei Senhor: mas não porque hei pecado,
Da vossa Alta Piedade me despido:
Antes, quanto mais tenho delinqüido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.
Se basta a vos irar tanto pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.
Se uma ovelha perdida, já cobrada,
Glória tal, e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na Sacra História,
Eu sou, Senhor, ovelha desgarrada;
Cobrai-a; e não queirais, Pastor Divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória
Vocabulário
Despido: despeço
Sobeja: sobra
Cobrada: recuperada

POESIA LÍRICO-FILOSOFICA
Características
-Pessimismo
-Angústia diante da vida
-Temas abordando o desconcerto do mundo e a instabilidade dos bens materiais
TEXTO
Moraliza o Poeta nos Ocidentes do Sol a Inconstância dos Bens do Mundo
Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.
Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a Luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.
Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.
Vocabulário:
Pena: dor, sofrimento
   Gregório de Matos foi o maior nome do Barroco brasileiro. Casou-se e pouco tempo depois abandonou a mulher e a carreira de advogado para ser repentista no Recôncavo Baiano.
   Em uma de suas sátiras ofendeu o governador da Bahia – Antonio Luis da Câmara Coutinho – e foi preso e exilado para Angola. Teve autorização para voltar para o país (mas não para a Bahia), foi para Recife e morreu em 1696.
   A obra de Gregório de Matos foi publicada pela Academia Brasileira de Letras cerca de 230 anos depois da sua morte. Por causa disso, muitos de seus poemas se perderam e muitos textos que levam o seu nome são de autoria duvidosa, já que Gregório de Matos teve muito imitadores anônimos.

pt.wikipedia.org/wiki/Barroco_no_Brasil - 229k
educacao.uol.com.br/biografias/gregorio-de-matos.jhtm - 54k
www.infoescola.com/escritores/gregorio-de-matos-guerra/ - 26k