SOS LÍNGUA PORTUGUESA

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Tire suas dúvidas. Faça perguntas!!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

LINGUAGEM - LÍNGUA - FALA

Linguagem        
       A linguagem é o resultado da capacidade comunicativa dos seres. É um instrumento que o emissor utiliza para transmitir mensagens. Existem vários tipos de linguagem:
Linguagem mímica
       É a linguagem dos gestos, a expressão facial e corporal.
Linguagem cromática ou das cores
      Observando-se uma pintura em que sobréssaem cores claras e brilhantes, experimenta-se uma sensação diferente da despertada por um quadro predominantemente escuro e opaco. Tais diferenças no sentir são provocadas pela linguagem cromática.
Linguagem plástica ou das formas
      Olhando-se, atentamente, para uma escultura ou uma obra arquitetônica, observa-se que as formas longas, finas ou estreitas despertam, no observador, sensações diferentes daquelas provocadas por formas curtas, grossas ou largas.
Linguagem musical ou dos sons e ritmos
       O ato de ouvir uma música de tom predominantemente alto e ritmo acelerado certamente envolverá o ouvinte com sensações diversas daquelas provocadas por outra música em tom baixo e ritmo lento. As cantigas de ninar, por exemplo, produzem efeitos bem diferentes das músicas de carnaval.
Linguagem falada
                 É produzida pela articulação de sons humanos.
Linguagem escrita
                    É realizada pela articulação dos sím bolos gráficos, chamados letras e ideogramas.
Linguagem iconográfica
                 É a arte de representar por meio da imagem (desenho, foto e outros]. Na Literatura, usa-se o desenho da palavra para reproduzir sua idéia ou seu significado. Trata-se de um recurso muito utilizado modernamente nas técnicas de comunicação comercial.

 Observação:
               Como o interesse lingüístico recai unicamente nos tipos de linguagem baseados na palavra humana, em todas as passagens em que usarmos a palavra “linguagem”, estaremos nos referindo unicamente à palavra humana.

Língua
             É  um subconjunto da linguagem: a linguagem abrange todos os seres humanos de nosso planeta, enquanto a língua envolve apenas uma parte desses seres.
Pode-se definir a língua como um código ou sistema, em que são encontrados todos os signos e todas as possibilidades articulatórias desses signos, residindo tal sistema no cérebro de cada indivíduo falante.

Fala
              É uma realização individual e momentânea da língua. Quando alguém fala ou escreve, está, na verdade, escolhendo, entre todos os signos conhecidos, apenas alguns; entre todas as regras de combinação (concordância, regência, colocação], apenas algumas. E, enquanto fala, transforma em concreto (som, letra) algumas palavras e regras, ao passo que deixa em abstrato, ou seja, em língua, todas as outras palavras e regras que não são utilizadas. Por isso, diz-se que o ato da fala é uma concretização da língua.

 Conclusão:
LINGUAGEM - é qualquer forma de manifestação comunicativa.
LÍNGUA - é um código em que há um sistema organizado de signos vocais e escritos que obedecem a determinadas leis combinatórias. As línguas diferenciam-se entre si porque são diferentes as suas unidades (signos) e as suas leis de comunicação.
FALA - é a utilização individual, particular e concreta da língua.
          Lembremos, finalmente, que a unidade lingüística (a  palavra) apresenta duas faces:
a) a face material —  SIGNIFICANTE: representada pelos sons (língua falada) ou pelas letras (língua
    escrita).
b) a face imaterial —  SIGNIFICADO : imagem mental (ou conceito) que os sons e as letras transmitem.
                     Essas duas faces reunidas recebem o nome de SIGNO.
Ex.: VACAS:      significante — V - A - C - A - S
        (signo)        significado “animal mamífero, quadrúpede, etc., no plural”.

                                            Deenotação  e  Conotação
                   Embora todo signo 1ing1ístico possua um só  significante, ele poderá, dependendo do contexto, apresentar mais de um significado.
       Sempre que uma palavra evoca seu significado mais comum, aquele que compreendemos imediatamente, estará ocorrendo denotação.
                Quando, ao contrário, a palavra ou o texto evocar sentidos diversos daquele mais convencional, a que estamos habituados, terá ocorrido conotação.
Ex.:  a) No incêndio do supermercado explodiu um bujão de gás.       Texto  denotativo
         b) Seu coração explodiu num incêndio de amor.                          Texto conotativo.
                Se perguntarmos a alguém que fale nossa língua qual o significado de “chave”, o primeiro pensamento que talvez lhe ocorra seja “uma peça de metal que abre fechadura”, pois esse é o significado mais usual, é o primeiro significado, é o significado denotativo. É o significado ligado principalmente a experiências coletivas.
        Contudo, o emissor, ao elaborar sua mensagem, ao realizar seu ato de fala, freqüentemente dá asas à criatividade e, inserindo o signo em determinado contexto, modifica, amplia ou reduz seu significado, o que equivale a dizer que o emissor deixa de lado o significado denotativo, passando a usar a conotação ou significado secundário, periférico.
Contexto 1 - Perdi a chave de minha mala.
Contexto 2 - Esta é a chave do sucesso.
Contexto 3 - Ele encerrou o poema com chave de ouro.
               Observe que, dentre os três contextos acima, em apenas um (o primeiro) a palavra destacada está usada com sentido denotativo, ao passo que nos contextos dois e três são ressaltados os sentidos conotativos. Veja:
Contexto 1 -  “chave” significa “instrumento de metal” denotação.
Contexto 2  -  “chave” significa “segredo, solução” conotação.
Contexto 3 - “chave” significa “fecho, término” conotação
                Com base em tais dados, conclui-se que denotação é o significado mais objetivo, é o significado de primeira linha, o dicionarizado, enquanto conotação é o significado subjetivo, secundário, periférico, bastante ligado às experiências pessoais. “Conotação”, em outras palavras, é produto da linguagem figurada.
                                                    Polissemia e monossemia
           “Sema” é uma unidade de significado. “Poli” significa “muitos”, “vários”.
          Polissemia significa “vários significados”. Diz-se que uma palavra é polissêmica quando é capaz de despertar mais de um significado denotativo, indiferentemente às conotações.
       Podem-se criar várias frases em que a palavra “manga” assume diversos significados denotativos.
a) A manga do seu vestido está rasgada. (denotação)
b) Esta mangueira dá excelentes mangas. (denotação)
c) Preparemo-nos para atacar pelos flancos a manga inimiga. (denotação)
         Em cada um dos três exemplos citados, a palavra manga é monossêmica. No dicionário, são: quatro palavras “manga” diferentes que, por acaso, se escrevem da mesma forma. Trata-se homônimos perfeitos.
     Porém, se um enunciado como “Vivi porque me senti atraído pela manga”, ligado a determinada situação ou contexto, permitir ao ouvinte entendera palavra “manga” com mais de um significado denotativo, aí ocorrerá o fenômeno da polissemia.
       Por tudo que se viu, infere-se que a significação de uma palavra ou de um signo só se define em relação ao contexto em que se encontra, e que a polissemia sempre é ditada pela situação ou contexto, tanto quanto a monossemia.

                                                          EXERCÍCIOS
1. A linguagem científica utiliza signos, explorando fundamentalmente:
       a) O significado denotativo                           c) O significado conotativo
       b)O significado polissêmico                         d) O significante

2. Assinale nos parênteses correspondentes às frases que se seguem:
       A— para predomínio da denotação             B — para predomínio da conotação
a) (  ) “Hoje os pioneiros da psiquiatria ortomolecular têm confirmado que a doença mental é um  mito que os distúrbios emocionais podem ser meramente o primeiro sintoma da óbvia   inabilidade do sistema humano para enfrentar o stress, decorrente da dependência do açúcar.”  (William Dufty)
b) (  ) “Quando o açúcar da cana ou da beterraba é refinado, todas as suas vitaminas, inclusive a  vitamina C, são dispensadas. O açúcar natural, aquele encontrado em frutas e vegetais crus,   fornece a vitamina C necessária  ao funcionamento do organismo.” (William Dufty)
c) (  ) “Faz dois anos que Madalena morreu, dois anos . (Graciliano Ramos)
d) (  ) “Entrei nesse ano com o pé esquerdo.” (Graciliano Ramos)
e) (  ) “O homem trazia um papel na mão, e consultou-o antes de perguntar se era ali que morava  o Sr. Fulano.”
            (Carlos Drummond de Andrade)
f) (  ) “Havia a um canto da sala um álbum de fotografias intoleráveis,/alto de muitos metros e  de infinitos minutos, / em que todos se debruçavam / na alegria de zombar dos mortos de sobrecasaca.” (Carlos Drummond de  Andrade).

3. Mariana, que nunca se casa, mas é exímia em fazer casa para botão, após arrumar a casa, tentava aprender a fazer cálculos com três casas decimais. E há quem diga que casa não atrapalha.
                         Assinale a afirmação correta em relação à palavra “casa”.
a) Foi usada conotativamente.
b) Só tem significação denotativa, não podendo sequer ser usada em sentido conotativo.
                                c) É polissêmica.               d) É monossêmica.
             
4. Nos  textos a seguir, coloque D para aqueles que apresentarem sentido denotativo  e C para os que tiverem sentido conotativo.
1.(    ) “Nem todos podem estar na flor da idade, é claro.
            Mas cada um está na flor da sua idade.”    (Mário Quintana)
2.(     ) “Na  mesma cova do tempo / cai o castigo e o perdão”. (Cecília Meireles)
3.(     ) “E agora, se abre o chão e te abriga, / lençol que não tiveste em vida”. (João Cabral )
4.(     ) “Na acepção lata, literatura É tudo o que aparece fixado por meio de letras - obras científicas, reportagens, noticias, textos de propaganda, livros didáticos, receitas de cozinha, etc.”(Antonio Cândido)
 5.(     ) “... o cidadão desconhecido parou uma fileira de 23 mastodontes blindados.” (Texto da  VEJA, 14 de junho de 1989)
6.(      ) “... e o mistério empolgava-o com as unhas de ferro.” (Machado de Assis)
7.(      ) “Todos gostam de contar uma novidade: contar novidades á a principal  função do repórter.” (Érico Veríssimo)
                                      
                                                    Sincronia e Diacronia
          Sincronia: É a visão de um fenômeno, considerando apenas um momento de seu processo evolutivo.
              Diacronia: É a visão de um fenômeno, considerando comparativamente dois ou mais estágios ou momentos de seu processo evolutivo.
              Compare os três enunciados:

1. “Pedagogo” significa um indivíduo que se especializa em educação.

2. “Pedagogo”, na Grécia antiga, era o escravo que conduzia os filhos do amo ao preceptor ou mestre.

3. “Pedagogo”, que na Grécia antiga significava escravo condutor dos jovens ao mestre, com o tempo passou a significar o indivíduo que conduz outros ao aprendizado, ou um técnico em ensino.
             
             No enunciado 1, há uma observação de um estágio  (o atual) do processo evolutivo da palavra “pedagogo”. Trata-se de uma definição sincrônica.
        No enunciado 2, também se observa apenas um momento do processo evolutivo (o antigo) da palavra “pedagogo”. Trata-se ainda de uma definição de caráter sincrônico.
           Já no enunciado 3, observa-se a comparação, justapõem.se dois estágios diferentes da evolução da palavra “pedagogo”. É uma definição diacrônica.
       Em todos os ramos do conhecimento humano, os estudiosos podem observar os fenômenos por meio de uma visão sincrônica ou diacrônica.

                                                        EXERCÍCIOS
1. Assinale com S se a afirmação for de caráter sincrônico e D se de caráter diacrônico.
a) (   ) Na segunda metade do século XVI, há a consolidação da Reforma na Inglaterra, na  Holanda, nas cidades do Reno e do Báltico; na Espanha, em parte da Itália, em parte dos  Países Baixos, na Áustria e da Alemanha, que constituíam o império dos Habsburgos, a vaga reformista é, entretanto, contida.
b) (   ) Assim como o Barroco é a linguagem da Contra-Reforma eclesiástica do século XVII, o  Arcadismo é uma linguagem que defende os ideais do Despotismo Esclarecido, do Iluminismo  do século XVIII.
c) (   ) Podemos tomar como exemplo o caso da passagem do latim para o português...
d) (   )Estudos que visualizam a língua, em um momento dado, como um sistema estável.

                                                           Tipos de narrador
               O narrador, a voz que conta a história, pode apresentar-se em três posições diferentes com relação aos acontecimentos que esteja narrando.

              Na avenida, Gabriela passou por mim e fez questão de demonstrar entusiasmo, pelo tom com que me cumprimentou.
               O narrador se coloca dentro da história, é um dos personagens, porque usa a primeira pessoa“mim”, “me”. Qualquer referência à primeira pessoa (eu, nós, meu, nosso...) mostra ao leitor que o narrador está dentro da história, que é uma das personagens (principal ou secundária]. Chama-se narrador-personagemnarrador-participanteponto de vista interno ou narrador subjetivo.
             Gabriela atravessava a rua pensando em encontrar-se com Joaquim.
               Neste exemplo, o narrador coloca-se fora da história; ele não é uma das personagens, mas tem a capacidade de enxergar o que passa dentro da personagem, no seu espaço interno, íntimo, psicológico ou sentimental... É chamado de narrador onisciente (que sabe tudo).
            Gabriela atravessava a rua e parecia preocupada com alguma coisa. Talvez estivesse pensando em procurar Joaquim.
                Neste exemplo, o narrador também se coloca fora da história, também não é uma das personagens, mas é diferente do narrador que escreveu o exemplo 2. Aqui, ele não sabe o que acontece no mundo interno da personagem, o que se deduz do fato de ter dito “parecia preocupada” e “talvez estivesse pensando”. Trata-se do narrador observador.

           















domingo, 18 de setembro de 2011

REDAÇÃO 7: DISSERTAÇÃO BASEADA EM DOIS OU MAIS TEXTOS

         Aqui vamos ver o caso em que você receba dois ou mais textos em que basear sua redação.Existem três possibilidades: dois textos em prosa, dois textos em verso ou um poema e um texto em prosa.  Independentemente disso, o procedimento será  o mesmo.
        De início procure ler atentamente os textos, procurando determinar o conteúdo básico de cada um. Em seguida, associe os dois conteúdos de modo a encontrar um conteúdo básico comum aos dois textos. Como fazer isso?  Basta perceber algo que os textos tenham em comum, analisando suas ideias centrais.
         Veja um exemplo.
Texto  1
          Lira Paulistana
Eu nem sei se  vale a pena
Cantar São Paulo na lida,
Só gente muito iludida
Limpa o gosto e assopra a avena.
Esta angústia tão serena,
Muita fome e pouco pão.
Eu só vejo na função
Miséria, dolo, ferida.
         Isso é vida?"
            (Mário de Andrade)















 Texto  2

    "O cidadão brasileiro paga um número de tributos que é, no mínimo, três vezes superior às contribuições cobradas no Japão. Uma listagem incompleta dos diferentes tipos de impostos, taxas e contribuições em vigor no Brasil ( ... ) revela. a existência de quase 60 diferentes maneiras de tirar dinheiro dos contribuintes praticadas pelas três esferas de poder (município, estado e União).
............................................................................................................................
      No Japão, ao contrário, o Ministério das Finanças relaciona apenas 20 tributos. Mais grave ainda do que a disparidade dos números é o fato de que a estrutura tributária japonesa está concentrada nos chamados impostos diretos, muito mais justos do que indiretos. Para o ano fiscal, 74,1 % da arrecadação no Japão é obtida apenas de quatro impostos diretos; sobre a renda, sobre as corporações, sobre heranças e sobre os valores da terra.
                                                                               (Folha de São Paulo)














 Para  elaborar  uma  dissertação  a  partir  destes  dois  textos,  devemos  seguir  os  seguintes  passos:



1.Compreensão  do  conteúdo  básico do  1º  texto.
2.Compreensão  do  conteúdo  básico  do  2º  texto.
3.Associação  das  idéias  principais  dos  dois  textos.
4.Elaboração  de  um  tema.
5.Escolha  de  um  dos  esquemas  básicos  de  dissertação.
6.Elaboração  da  dissertação

                 





                   
Seguindo  os  passos  acima,  você  poderia  elaborar  um  tema  como  o  seguinte:
                O  governo  vê  no  aumento  da  carga  tributária  uma  solução  para 
                                         resolver  seus  problemas  financeiros.
                            A  partir  daí  podemos  ter  o  seguinte  texto  dissertativo:

                                             TRIBUTO  SOBRE  A  FOME

          A maneira mais fácil de um governo resolver problemas, com rapidez, é aumentar a carga tributária. Quando já  não é viável aumentar o que foi por diversas vezes aumentado, criam-se novos impostos. No Brasil este procedimento é rotineiro e contribui para acelerar o processo de pauperização do nosso povo
             Os especialistas em Direito Tributário estimam que o número de impostos pagos pelos brasileiros é  de, no mínimo, sessenta.  São inúmeros os tributos indiretos que, cobrados em cada produto que adquirimos, incidem igualmente sobre o cidadão, quer ele ganhe um salário mínimo, quer seja um poderoso industrial
             O mais assustador não é o número de impostos, mas o fato de que tendem a aumentar, com o passar do tempo. É  admirável a criatividade de nossos governantes no que tange à implantação    de  impostos insólitos, como o selo-pedágio, o compulsório sobre os combustíveis e tantos outros. Alguns deles, pelo seu caráter bizarro, fazem-nos lembrar do imposto sobre as janelas,   instituído há séculos na Inglaterra, o que determinou o tamanho diminuto das janelas construídas na época.
           O número exorbitante de tributos, principalmente os indiretos, colaboram de maneira substancial para o empobrecimento progressivo e acelerado da maior parte de nossa população, agravando os problemas sociais, martirizando aqueles que, embora trabalhando de sol a sol, não conseguem prover seu sustento.
       É de se lamentar que a mesma criatividade demonstrada por muitos dos nossos governantes para a criação de novos tributos não seja plenamente utilizada para encontrar soluções  para os problemas emergenciais que angustiam a população.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

REDAÇÃO 6: DISSERTAÇÃO A PARTIR DE UM TEXTO

                                           O  TEXTO  E  A  DISSERTAÇÃO
         É possível  que, em uma prova, você receba um texto.  Assim, pensamos em um texto em prosa.  Como você  deve proceder'? Não há nada de especial.
      Primeiramente  você  deve ler o texto com muita atenção, procurando compreender o assunto que está sendo abordado. Em uma primeira leitura, terá uma noção do seu conteúdo. Leia-o novamente quantas vezes forem necessárias para  perceber as ideias básicas. Estas ideias podem ser resumidas de modo a encontrar-se o conteúdo básico do texto.
        
        Leia atentamente o seguinte texto:
     “O principal problema não está nos salários. Ele está na maneira desastrada com que se administram as estatais. Elas desperdiçam dinheiro (milhões de dólares por ano). Não geram lucros para investimentos simples e estão sempre endividadas até o pescoço. As estatais fabricam aço, plástico, adubo e uma quantidade enorme de mercadorias e serviços que o setor privado pode perfeitamente administrar.
      Não haveria problema algum com os salários dos funcionários das estatais se o país estivesse bem, com taxas civilizadas de inflação e taxas de crescimento econômico de 5% ao ano. A questão é que não está. Nos últimos anos de recessão, muitas companhias privadas demitiram em massa, uma parte depois  de pedir concordata. Todos, empresários e trabalhadores, pagaram m preço alto por um penoso ajuste do Estado. Menos as estatais. A Petrobrás teve um prejuízo de 140 milhões de dólares e não demitiu. O Lloyd, empresa estatal de navegação, está falido e carrega uma dívida de 320 milhões de dólares, mas continus s empregar 1.000 pessoas, que não têm o que fazer. O quadro das estatais é horroroso, mas continua a pagar salários do mês no dia 20, anuários e gratificações.
   As estatais foram criadas a partir dos anos 40 para dar um empuxo à industrialização brasileira. O Estado escolheu esse caminho para promover o desenvolvimento porque não havia, no país, capital privado suficiente para construir siderúrgicas, companhias de petróleo e hidrelétricas. Prestaram um serviço muito bom, mas continuam a existir numa realidade diversa. O governo não em dinheiro para tocá-las, nem é mais necessrio, numa economia mais madura que a de quatro décadas atrás, que continue a produzir aço, plástico e outros bens. Hoje, elas são um problema econômico e político. Econômico, porque funcionam mal. Político, porque transformaram-se em corporações fechadas e arrogantes."

        Tentaremos agora compreender o conteúdo básico deste texto. Para isto, resumiremos este trecho, procurando determinar as ideias básicas mais importantes e, portanto, deixando de lado os detalhes, a fim de extrairmos apenas as ideias principais. Se assim procedermos, chegaremos ao seguinte parágrafo:
    O principal problema das estatais e que são mal-administradas. Desperdiçam dinheiro, não geram lucros e, ao contrário disso, estão endividadas. Nos últimos anos de recessão, as empresas privadas demitiram funcionários em miassa,  enquanto as estatais não demitiram. No passado, desempenharam papel importante na economia, promovendo  desenvolvimento econômico. Hoje, porém, as circunstâncias mudaram e elas ocupam espaços que poderiam ser ocupados pela livre iniciativa. São um problema econômico, pois o governo não dispõe de recursos para sustentá-las e elas funcionam mal. São também urn problema político, pois o governo, de certa forma, perdeu o controle sobre elas.

        Depois de resumirmos as idéias principais, cabe elaborar um tema dissertativo. Antes, porém, convém  lembrar que. neste caso, a associação  a um aspecto da realidade  torna-se desnecessário, uma vez que o texto já está se referindo a um aspecto da nossa realidade econômica. Voltmos ao tema. Para elaborá-lo, basta  estabelecer o conteúdo básico do texto. Sugerimos que seja feito da seguinte maneira:

     TEMA: 
          As estatais são hoje, no Brasil, um sério probema, tanto no que se refere   
              ao aspecto  político, como também sob o ponto de vista econômico.

      
      Para chegarmos à dissertação a partir do texto, então,  passamos pelas seguintes etapas:
I. Compreensão do conteúdo básico do texto.
2. Formulação de um tema dissertativo.
3.Aplicação de uma das técnicas já estudadas.
4. Elaboração de uma dissertação .

    
                                             OS  GIGANTES  INTOCÁVEIS
              
           Num mundo que exclui os perdedores, num sistema em que a competitividade determina os sobreviventes, eliminando a ineficácia e a incompetência, no Brasil mantêm-se intocáveis, como verdadeiras ilhas que desconhecem quaisquer abalos climáticos, as empresas estatais - certamente um dos nossos maiores problemas, tanto sob o aspecto econômico quanto político.
           Há aproximadamente meio século, quando o Brasil pretendia impulsionar, de maneira substancial, o seu desenvolvimento econômico, sobretudo nos setores ligados a petróleo, à siderurgia e àconstrução de hidrelétricas, foram criadas as empresas estatais. Na época,  não havia capital privado suficiente para a criação de empresas deste porte. Dessa forma, coube ao Estado a  implantação destas indústrias e edificações, indispensáveis ao nosso crescimento econômico.
         Mas,  com o  passar das décadas, estas mesmas empresas começaram a adquirir tamanha autosuficiência  na administração próprios recursos, que até mesmo o governo foi perdendo gradativamente um real controle sobre elas. Inchadas pelo empreguismo que sempre caracterizou nossa prática política, acabaram por transformar-se em empresas de muitos funcionários e pouca eficiência. Deficitárias, mal-administradas, tornam-se um peso quase insustentável que recai sobre os ombros de todos nós.
           Dessa forma, só nos resta esperar que as estatais, que hoje prestam serviços que poderiam ser perfeitamente oferecidos pela iniciativa privada, passem por um necessário processo de desestatização. Esperamos também que os funcionários mais humildes destas corporações não se vejam prejudicados pela privatização, já que os verdadeiros privilégios e gratificações nunca recaíram sobre eles, de fato.
                                      


sábado, 10 de setembro de 2011

REDAÇÃO 5: DISSERTACÃO A PARTIR DE UM ESTÍMULO VISUAL

         Aqui você vai aprender a como proceder no momento em que tiver de fazer uma  disserta(:ao a partir de um desenho, gravura, "charge" ou qualquer outro tipo de estímulo visual.

Estímulo visual sem texto 
 

           Para compreender  conteúdo básico do desenho, podem estabelecer, a princípio,  que não está havendo comunicação propriamente dita, pois o desenho sugere que um dos interlocutores não está ouvindo o outro. Caso esteja ouvindo, não o faz com a devida atenção, para que possa sustentar um diálogo produtivo.
            Deste conteúdo, podemos elaborar um tema:
        
        Apesar da importância da comunicação para uma melhor convivência, nota-se claramente que falar é fácil, mas ouvir e dialogar é uma prática que não se encontra com facilidade.
           
         Para desenvolver esta redação, podemos aplicar a técnica básica da dissertação, ou seja, a do uso de argumentos.
             Como  se pode perceber, devemos passar pelas seguintes etapas até chegar à dissertação:

1. Compreensão do conteúdo básico do desenho.
2. Formulação de um tema  dissertativo.
3. Aplicação de uma das técnicas.
4. Elaboração de uma dissertação.
                                                  




                                                     

                                    OUVIR:  MISSÃO  QUASE  IMPOSSÍVEL

            Caso um dia parássemos para analisar como são as conversas, os supostos diálogos ocorridos nas diversas situações do nosso cotidiano, ficaríamos surpresos com os inúmeros elementos que interferem negativamente no processo de comunicação. Dentre eles destacamos a agitação das cidades grandes, a falta de paciência em ouvir e a ansiedade de falar.
            Envolvidos na rotina e na neurotizante correria das grandes cidades, já de início torna·se difícil imaginar que o diálogo entre duas ou mais pessoas possa ser diferente de frases interrompidas, mal-entendidos, perguntas sem resposta, ou mesmo a total falta de oportunidade de conversar. Quantas vezes nos corredores de firmas, fábricas, escolas e tantos outros lugares, a cena se repete:  duas pessoas andando em sentidos opostos, vão conversando enquanto se distanciam, aumentando o tom de voz até que se perdem de vista, interrompendo, assim, o assunto tratado.
             Outro elemento que dificulta substancialmente o estabelecimento do diálogo é a incapacidade de ouvir. Ouvir não é s escutar o que o outro disse, mas entender o que o interlocutor falou e refletir sobre o que escutou, a fim de dar continuidade à conversa. O que mais podemos notar nos diálogos é a falta de paciência para ouvir o que a pessoa tem a dizer até que ela conclua seu raciocínio e possa, dessa forma, fazer-se entender. Ao que parece, essa impaciência é fruto, em parte, de um certa ansiedade que cada um tem  em comunicar sua idéias.
             Assim, o que se costuma ver habitualmente é um arremedo de diálogo através do qual as pessoas dificilmente conseguem uma interação pela linguagem oral. Acreditamos que no dia em que essas dificuldades forem superadas, cada indivíduo poderá ampliar a compreensão do outro e, consequentemente, da própria natureza humana.