SOS LÍNGUA PORTUGUESA

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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A PROSA MODERNISTA DA SEGUNDA FASE

                O  ROMANCE  DE  30
1.CARACTERÍS-TICAS
 A primeira geração modernista tentou dar novo rumo á prosa, mas não conseguiu sustentar a ficção nacional deixada principalmente por José de Alencar, Machado de Assis e Raul Pompéia. Coube aos escritores da 2ª geração do Modernismo a promoção do nosso romance e conto, embora o romance modernista não tenha sido totalmente original. Nesta fase, a literatura dá um grande salto de qualidade e se distribui em três linhas básicas: a prosa regionalista, a prosa urbana e a prosa psicológica.
O regionalismo, que vinha do Romantismo e Pré-Modernismo, se concentra agora na região Nordeste, apresentando a seca, a opressão do grande fazendeiro e a briga pela posse da terra.
2.MARCO    
   iNICIAL
Em 1928, José Américo de Almeida publicou A BAGACEIRA, que reabriu a vertente regionalista já iniciada pelos pré-modernistas e românticos, sendo tido como o primeiro romance propriamente modernista.
3. O ROMANCE 
    DE  30
 A partir de 1930, um grupo de escritores começou a interessar-se pelos problemas sociais das diversas regiões do país e iniciaram a escrever romances de temática agrária, tentando usar suas obras como armas de combate contra as injustiças sociais. Encaravam seus romances como transformadores da sociedade. O início dessa fase foi com o já citado romance A Bagaceira, de José Américo de Almeida.
4.GRACILIANO  
    RAMOS

Graciliano Ramos nasceu em Quebrângulo (AL), em 1892, e faleceu no Rio de Janeiro, em 1953. Viveu durante muito tempo nos sertões do Nordeste, que conheceu profundamente, tendo sido prefeito da cidade alagoana de Palmeira dos Índios.Transferiu-se depois para Maceió, onde exerceu o cargo de diretor da Imprensa Oficial e Instrução Pública de Alagoas. Data desse período sua estreia na literatura, com o romance Caetés (1933), e a amizade com escritores da vanguarda nordestina: Rachel de Queiroz, José Lins do Rego e Jorge Amado.
Em março de 1936, foi preso como comunista, passando por diversos presídios e submetido a todo o tipo de humilhações. Sem provas formais de acusação, foi libertado em janeiro do ano seguinte. Dessa dolorosa fase de sua vida resultou Memórias do Cárcere, um impressionante depoimento sobre a realidade brasileira relacionada com o comunismo e sobre o sofrimento dos prisioneiros políticos.    
Ingressou posteriormente no Partido Comunista Brasileiro, tendo então viajado para a Rússia, experiência que relata em Viagem.
Graciliano Ramos é considerado um dos maiores romancistas modernos e seus romances tidos como romances de tensão crítica, isto é, o herói opõe-se e resiste ao meio natural e ao social, meios que o ferem e marcam de modo irreversível.
Seus romances têm como temas: a seca do Nordeste, o cangaço, a morte, o trágico, as injustiças sociais, o misticismo, os códigos primitivos de honra, a constante luta pela sobrevivência. Antonio Candido classifica a obra de Graciliano Ramos em:
romances em primeira pessoa: Caetés, São Bernardo e Angústia.
romance em terceira pessoa: Vidas Secas - considerada a grande obra do romance modernista brasileiro, retrata as subfiguras humanas, vítimas do fatalismo irredutível da região nordestina das secas.
romances autobiográficos: Infância e Memórias do Cárcere.
Outras obras: Viventes das Alagoas, Alexandre e outros heróis, Linhas Tortas, Insônia.
 . VIDAS SECAS: Enfoca o problema da divisão agrária.Apresenta a trajetória de Fabiano, Sinhá Vitória, os dois filhos do casal e a cachorra Baleia. Fabiano é um camponês sem terra, para quem a seca apenas intensifica a miséria permanente. Seu drama está vinculado à divisão injusta da terra. É um romance formado por capítulos independentes, mas que constituem um todo.
5.JOSÉ LINS  DO  REGO

José Lins do Rego Cavalcanti nasceu em 1901, no engenho Corredor, município de Pilar, Estado da Paraíba, e faleceu no Rio de Janeiro, em 1957. Pertencia a uma família tradicional, ligada ao patriarcalismo rural e à economia açucareira do Nordeste.
Formou-se em Direito no Recife, época em que entrou em contato com Gilberto Freire e José Américo de Almeida. Esteve posteriormente em Alagoas, onde conheceu Rachel de Queiroz, até que se fixou no Rio de Janeiro, tendo aí colaborado assiduamente com jornais, escrevendo crônicas, ensaios críticos e reminiscências.
Estreou na literatura, em 1932, com Menino de Engenho, seguido pelos romances Doidinho, Bangüe, Moleque Ricardo, Usina e Fogo Morto - série que ele mesmo chamou de “ciclo da cana-de-açúcar".
Ao “ ciclo da seca e do cangaço" pertencem Pedra Bonita e Cangaceiros, romances impregnados do peculiar misticismo do Nordeste.
Autor regionalista par excelência, José Lins do Rego sempre manteve uma profunda relação com sua terra de origem, mas sem jamais perder a atitude crítica que Gilberto Freire imprimiu ao regionalismo modernista do Nordeste. Por isso mesmo sua obra é um dos maiores depoimentos humanos que se tem na literatura regional brasileira e, ao mesmo tempo, um depoimento social, ao narrar a ascensão e o declínio dos engenhos e toda a sorte de consequências que sofreram a região e sem habitantes.
Outras obras: Pureza, Riacho Doce, Água mãe, Eurídice, o biográfico Meus verdes anos.
FOGO MORTO:Esta obra focaliza o progresso e a decadência de um engenho de açúcar na Paraíba, no século passado. É considerado a obra-prima de José  Lins do Rego. O relato é dividido em três partes, cada qual correspondenmte a um personagem:
. Mestre Zé Amaro: artesão, homem amargo e sofrido, vendo a prepotência dos senhores rurais, a loucura mansa da filha. É apontado pelo povo como lobisomem. Engaja-se como informante de um grupo de cangaceiros, o que o faz encontrar uma saída social e pessoal para suas angústias.
. Coronel Lula de Holanda: É o típico proprietário de engenho em decadência, vivendo da memória das grandezas do passado, preso na casa-grande em ruínas, já meio maluco, recusando-se a compreender a extensão da sua miséria.
. Capitão Vitorino: Nas duas primeiras partes é um personagem grotesco, de quem todos zombam. Mas no último segmento do romance adquire uma grande dignidade, tem a força moral dos que acreditam na justiça e na liberdade. Luta contra tudo o que lhe parece opressão ou corrupção, a partir de seus princípios liberais.
6. JORGE         
    AMADO

Jorge Amado nasceu em Itabuna, região cacaueira da Bahia, em 1912, fez seus primeiros estudos em Ilhéus e formou-se em Direito no Rio de Janeiro. Colaborou na imprensa, estreando na literatura em 1932, com O País do Carnaval. Participou da luta política do país,filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro, sendo preso e, como outros prisioneiros políticos, submetido a humilhações na prisão. Posteriormente foi eleito deputado, pelo PCB, mas perdeu seu cargo, pois o partido foi considerado ilegal. Mudou-se então para o exterior, época em que visitou varias países socialistas.
Jorge Amado é o grande representante do regionalismo baiano. Suas obras apresentam uma linguagem aparentemente "incorreta" e simples - pois ele retrata o falar do povo - e um conteúdo humano e social cheio de elementos folclóricos, de tradições e crenças da Bahia. Criou tipos marginalizados, utilizando-se deles para analisar toda a sociedade.
Até 1950, seus romances são marcadamente políticos e sociais e, a partir daí, inicia uma fase mais lírica, em que trata, com humor, das coisas do cotidiano. Por essa razão, alguns críticos literários classificaram sua obra em:
romances proletários: O País do Carnaval, Suor e Capitães da Areia. Seus temas são: o negro, as crianças abandonadas e delinquentes, a miséria do cais do porto, enfim, a vida urbana em Salvador.
. romances do ciclo do cacau: Cacau, Terras do Sem Fim e São Jorge dos Ihéus. Seus temas são: o cangaço, a exploração do trabalhador nas fazendas de cacau, ou seja, os problemas sociais, econômicos e políticos da zona rural.
• romances líricos e crônicas de costumes: Jubiabá, Mar Morto e Gabriela, cravo e canela.
Outras obras: Seara Vermelha; O amor de Castro Alves (reeditado como O amor do soldado); Os Subterrâneos da Liberdade; A morte e A morte de Quincas Berro D'Água; Os velhos marinheiros; Os pastores da noite; Dona Flor e seus dois maridos; Tenda dos milagres; Bahia de Todos os Santos; ABC de Castro Alves; O cavaleiro da esperança; O mundo da paz; O gato malhado e a andorinha sinhá; Teresa Batista cansada de guerra; Tieta do Agreste; Farda, Fardão e camisola de dormir; Tocaia grande; O sumiço da santa; Navegação de cabotagem.
7.RACHEL  DE  
   QUEIROZ

Rachel de Queiro nasceu em Fortaleza (CE) em 1910. Teve uma infância itinerante, devido à grande seca de 1915, vivendo entre sua terra natal, a fazenda de sua família (no interior do Ceará), em Belém (PA) e, mais tarde, no Rio de Janeiro, onde se fixou definitivamente.
Tradutora, cronista, teatróloga, romancista, estreou na literatura em 1930, com o romance O Quinze, escrevendo em seguida João Miguel, obras acentuadamente regionalistas, de acordo com os padrões dos romances modernistas brasileiros e que retratam a paisagem nordestina: a seca, o flagelo, a miséria, a fome, o cangaço e o coronelismo.
Participou de atividades políticas em 1937 (início do Estado Novo de Getúlio Vargas), tendo sido presa por suas ideias esquerdistas. É dessa época Caminho de pedras, romance social e politicamente engajado. 
As Três Marias, no entanto, foge ao regionalismo, ao contar as experiências de algumas adolescentes num internato religioso, que se veem, depois, diante da realidade da vida. E um romance que fala de problemas psicológicos.
Rachel de Queiroz foi a primeira mulher a ser admitida, em 1977, na Academia Brasileira de Letras.
Suas obras:
romances - O Quinze, João Miguel, Caminho de pedras, As tr~es Marias, O galo de ouro, Memorial de Maria Moura.
teatro - Lampião, A beata Maria do Egito, A sereia voadora.
crônicas - A donzela e a moura torta, Cem crônicas escolhidas, O brasileiro perplexo, O caçador de tatu.
literatura infantil - O menino mágico.
8.ÉRICO  
   VERÍSSIMO
Érico Veríssimo nasceu em Cruz Alta (RS), em 1905, e faleceu em Porto Alegre (RS), no ano de 1975. Filho de uma rica família que se arruinou financeiramente, foi obrigado a trabalhar ainda jovem como bancário.
Em 1931 mudou-se.para Porto Alegre, onde foi secretário, redator e, mais tarde, dire -tor da Revista do Globo.
Estreou em 1932, com Fantoches, mas o marco inicial de seu êxito como romancista acontece no ano seguinte, com Clarissa. A partir daí iniciou uma intensa atividade literária, indo várias vezes aos Estados Unidos, em missões culturais, tendo também dado um curso de Literatura Brasileira na Universidade de Berkley.
E o representante do romance modernista da Região Sul do Brasil e seus temas abordam: os problemas sociais e humanos, decorrentes da imigração italiana no Rio Grande do Sul, e a crise moral e espiritual da sociedade urbana moderna, cujo cenário é Porto Alegre.
Podemos dividir a obra de Veríssimo em três fases:
primeira fase: Fantoches, Clarissa, Caminhos Cruzados, Música ao Longe, Um Lugar ao Sol, Olhai os Lírios do Campo, O Resto é Silêncio e Saga.
segunda fase: O Tempo e o Vento - trilogia épica que narra a saga de uma família, desde o século XVIII até o século XX, retratando o passado histórico e a formação social e política do Estado do Rio Grande do Sul. Compreende três volumes: O Continente (o passado), O Retrato (início do século XX) e O Arquipélago (narrativa que chega até 1945, no governo de Getúlio Vargas).
terceira fase: O Senhor  Embaixador; O Prisioneiro e Incidente em Antares. Fase de postura universalista, crítica e comprometida com os problemas políticos e sociais.
Outras obras: Gato Preto em Campo de Neve, A Volta do Gato Preto e México (narrativas de viagem); A Vida de Joana D'Arc (biografia); Solo de Clarineta (memórias).
9.DYONÉLIO
    MACHADO

(1895 – 1985) Gaúcho de Quaraí, formou-se pela Faculdade de Medicina de Porto Alegre, especializando-se em Psiquiatria. Deu início a sua carreira literária com Um Pobre Homem. Dedicou-se também ao jornalismo e à militância política, sendo eleito Deputado Estadual pelo Partido Comunista Brasileiro. Com a Revolução de 1930, o partido foi cassado e Dyonélio preso, o que tornou a acontecer diversas vezes durante o Estado Novo.
Por sugestão de Érico Veríssimo, escreveu um romance para um concurso de repercussão, com o qual recebeu o “Prêmio Mchado de Assis” de 1934. O romance se tornou a mais conhecida de suas obras. Os Ratos.
Sobre seu estilo podemos dizer dizer que Dyonélio Machado impressiona pela secura do seu estilo: a frase é concisa, econômica, substantiva, onde não transparece nenhuma empolgação. Mostra apenas as ações dos personagens, empregando o discurso direto ou indireto livre para revelar o que lhes vai na mente. Os personagens são mesquinhamente humanos, vivendo um dia a dia cinzento e medíocre, enclausurados numa realidade triste, miserável. Comunista, Dyonélio disseca criticamente a existência alienada do homem do capitalismo, mas seu texto não chega a ser panfletário ou ideológico, com a pretensão de denunciar a deformação provocada no homem pobre por um sistema social que o explora. Como psiquiatra que é, dá mais realce aos gestos, ideias, pensamentos, impulsos dos personagens.
Obras principais:
Os Ratos: Nela expressa a luta de Naziazeno na tentativa de conseguir dinheiro para pagar a dívida com o leiteiro, que se recusa a continuar trazendo o leite, se não receber o pagamento atrasado. Nazazieno passa o dia em busca do dinheiro, consegue, mas à noite sonha que os ratos devoraram o dinheiro.
Outras obras: Um Pobre Homem, Uma Definição Biológica do Crime, O Louco do Cati, Desolação, Passos Perdidos, Os Deuses Econômicos, Prodígios, Endiabrados, Sol, Subterrâneo, Nuanças, Fada, Ele vem do Fundão.
10.CYRO  MARTINS
(1908 – 1995) Romancista, ensaísta, novelista, médico psiquiatra. Pessoa simples e sonhadora, começou sua carreira aos 15 anos, escrevendo artigos políticos, oposicionistas, libertadores e contos regionais, publicados em jornais da sua cidade. Foi um dos autores mais produtivos do período e grande parte de sua obra está dedicada à temática rural. Em um dos seus contos, Alma Gaudéria, revive uma das últimas carreiradas de campanha, junto à venda de seu pai.
Seu primeiro livro publicado foi Campo Fora, onde retrata suas exdperiências infantis vividas na campanha, as gauchadas, as carreiradas, os “causos” de galpão, os tesouros e assombrações das lendas.
A literatura de Cyro Martins fala do gaúcho que foi uma figura de grande destaque histórico, mas tornou-se marginalizado pela evolução natural dos fenômenos sociais, econômicos e políticos. Foi um profundo estudioso da obra humana na ficção e na realidade.
Principais obras:
Porteira Fechada – tem como tema a tirania econômica da classe dominante (os fazendeiros)  sobre a massa de trabalhadores rurais. O problema básico é o da distribuição e da apropriação das terras e o modo de exploração das mesmas. Esse livro, junto com Sem Rumo e Estrada Nova  retrata a degradação que é imposta ao gaúchos pobres, motivada pelo afastamento do seu habitat natural, o campo, e a necessidade de se refugiar nas favelas das cidades grandes e forma o que é chamada “trilogia do gaúcho a pé”. Além disso, escreveu: A Entrevista, A Dama do Saladeiro, O Mundo em que Vivemos, Sombras na Correnteza, Príncipe da Vila.

1.Cândido Portinari (1903-1962), um dos mais importantes artistas brasileiros do século XX, tratou de diferentes aspectos da nossa realidade em seus quadros:
Sobre a temática dos “Retirantes”, Portinari também escreveu o seguinte poemas:
(....) Os retirantes vêm vindo com trouxas e embrulhos       
Vêm das terras secas e escuras, pedregulhos           
Doloridos como fagulhas de carvão aceso
Corpos disformes, uns panos sujos,                                 
Rasgados e sem cor, dependurados                                         
 (....)
Homens de enorme ventre bojudo
Mulheres com trouxas caídas para o lado
Pançudas, carregando ao colo um garoto
Choramingando, remelento... 

Das quatro obras reproduzidas, assinale aquelas que abordam a problemática que é tema do poema.
(a) 1 e 2        (b) 1 e 3       (c) 2 e 3      (d) 3 e 4    (e) 2 e 4

2.Cândido Portinari, em seu livro Retalhos de Minha Vida de Infância, descreve os pés dos trabalhadores.
“Pés disformes. Pés que podem contar uma história. Confundiam-se com as pedras e os espinhos. Pés semelhantes aos mapas: com montes e vales, vincos como rios. (...) Pés sofridos com muitos e muitos quilômetros de marcha. Pés que só os santos têm. Sobre a terra, difícil era distingui-los. Agarrados ao solo,
eram como alicerces, muitas vezes suportavam apenas um corpo franzino e doente.”
As fantasias sobre o Novo Mundo, a diversidade da natureza e do homem americano e a crítica social foram temas que inspiraram muitos artistas ao longo de nossa História. Dentre estas imagens, a que melhor caracteriza a crítica social contida no texto de Portinari é:
3.Leia o fragmento abaixo, do capítulo chamado “O mundo coberto de penas”, penúl-
timo do livro Vidas Secas.
O  Mulungu do bebedouro cobria-se de arribações. Mau sinal, provavelmente o sertão ia pegar fogo. Vinham em bandos, arranchavam-se nas árvores da beira do rio, descansavam, bebiam e, como em redor não havia comida, seguiam viagem para o sul. O casal agoniado sonhava desgraças. O sol chupava os poços, e aquelas excomungadas levavam o resto da água, queriam matar o gado..
  Sinhá Vitória falou assim, mas Fabiano resmungou, franziu a testa, achando a frase extravagante. Aves matarem bois e cabras, que lembrança! Olhou a mulher, desconfiado, julgou que ela estivesse tresvariando.
Sobre esse fragmento e o capítulo mencionado são feitas as seguintes afirmações:
I- O capítulo retrata a seca que se aproxima anunciada pelas “arribações” (bando de aves), que chegam para beber a água restante no local.
II- Fabiano tenta e com ajuda dos dois filhos consegue matar grande parte das aves de arribação e expulsar o resto, podendo assim, o gado beber à vontade e eles ficarem na fazenda onde estavam.
III- Há uma ambiguidade no título do capítulo: o mundo está coberto de penas (aves) ao mesmo tempo em que está coberto de penas (sofrimentos) causados pela seca.
                                                Quais estão corretas?
(a) Apenas I          (b) Apenas II          (c) Apenas III           (d) Apenas I e II          (e) Apenas I e III
4-Leia o fragmento:
  “O pequeno sentou-se, acomodou nas pernas a cachorra, pôs-se a contar-lhe baixinho uma estória. Tinha o vocabulário quase tão minguado como o do papagaio que morrera no tempo da seca.”
Em Vidas Secas, de Graciliano Ramos, como exemplifica o texto, através das personagens, há uma aproximação entre:
  (a) homem e animal        (b) criança e homem          (c) cão e papagaio     
                   (d) papagaio e criança         (e) natureza e homem

                                                                                                                                                                                                                                              

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

SEGUNDA FASE DO MODERNISMO (1930 - 1945)

 1-A  POESIA  MODERNISTA  DA  SEGUNDA  FASE 

1.CARACTERÍSTICAS

             

Reflete  o mundo moderno, canta o homem presente. Importa ao poeta mais a sinceridade de seus temas do que a beleza ou a feiura do universo enfocado. Revela uma visão original da vida, dos seres e do mundo.
  Principais  características:
.Aproximação da prosa na estrutura rítmica, vocabular e temática.
.Abandono das formas poéticas consagradas.
. O instrumento do modernismo é o verso livre.            
2.CECÍLIA    
    MEIRELES
Nasceu no Rio de Janeiro, em 1901, cidade onde viria a morrer, em 1964. Órfa de pais, foi criada pela avó materna, aoriana. Formou-se professora primária, dedicando-se longos anos ao magistério, experiência da qual resultou um belíssimo livro, em prosa; para  curso primário: Criança, meu amor.
Estreou sua carreira de poetisa com Espectros (1919), época em que se aproximou do grupo ligado à revista modernista Festa, logo optando por caminhos próprios e mais modernos.
Ensinou Literatura Brasileira nas Universidades do Distrito Federal e do Texas, tendo também viajado por vários países de que gostava muito: México, Índia e, sobretudo, Portugal, lugar onde seu mérito foi reconhecido antes mesmo de se consagrar no Brasil como uma das maiores vozes da poesia em língua portuguesa contemporânea.
Lírica e intimista, Cecília valorizou a riqueza e o ritmo do vocabulário português, tendo sido, talvez, aquela que cadenciou com mais beleza os versos curtos, utilizando ainda, algumas vezes, os versos livres.
Algumas obras:
poesia - Nunca mais e poema dos poemas, Baladas para El-Rei, Viagem, Vaga Música, Mar absoluto, Retrato natural, Amor em Leonoreta, Doze noturnos da Holanda, Romanceiro da Inconfidência, Poemas escritos na Índia, Solombra, Ou isto ou aquilo, etc.
prosa - Notícia da poesia brasileira; Problemas de literatura infantil; Escolha o seu sonho; Giroflê, Giroflá; etc.
3.CARLOS   
   DRUMMOND  DE    
   ANDRADE

Nasceu em Itabira (MG), em 1902, e faleceu em 1987, no Rio de Janeiro. Fez os estudos primários em sua cidade natal, iniciou os secundários em Friburgo, terminando-os em Belo Horizonte (MG), onde também diplomou-se em Farmácia. Foi professor de Português e de Geografia e durante toda sua vida colaborou no jornalismo. Em 1933 transferiu-se para o Rio de Janeiro, como funcionário público.
A partir de 1950, voltou-se inteiramente à atividade literária, fazendo traduções, escrevendo poesias, contos e intensificando sua produção de cronista.
É considerado um dos maiores poetas da literatura brasileira contemporânea. A maioria de seus poemas apresenta versos soltos e livres, isto é, sem rimas e sem um número determinado de sílabas, fugindo assim da métrica rígida tradicional.
Toda sua obra registra o "sentimento do mundo" - para ele, função essencial do poeta - e relata os acontecimentos, a realidade do dia a dia, os problemas do ser humano (brasileiro ou não), enfim, tudo aquilo que rodeia o homem ou a ele se refere: questões de ordem social, política, moral ou psicológica. E o faz com ironia, humor, esperança ou descrença, mas sempre com uma visão crítica e com um profundo conhecimento da alma humana.
Obras:
poesia - Alguma poesia, Brejo das almas, Sentimento do mundo, A rosa do povo, Poesia até agora, Claro -ell1gma, Viola de bolso, Viola de bols novamente encordo-ada, A vida passada a limpo, Lição de coisas, Boitempo, Obra completa, A paixão medida, Corpo, Amar se aprende amando, Amor, sinal estranhO, Poesia errante, o amor natural, etc.
prosa - Confissões de Minas; Contos de aprendiz; Passeios na ilha; Fala, amendoeira; A bolsa e a vida; Cadeira de balanço, Caminhos de João Brandão; O poder ultrajovem; De notícias e não-notícias faz-se a crônica; Os dias lindos; Contos plausíveis; Boca de luar; O observador no escritÓrio; Tempo, vida, poesia; O avesso das coisas; MoÇa deitada na Grama.
4.VINICIUS  DE 
    MORAES
Marcus Vinicius da Cruz de Mello Moraes nasceu em 19 de outubro de 1913, no Rio de Janeiro. Ei-lo segundo suas próprias pa1avras: "capitão-do-mato, poeta, diplomata, o branco mais preto do Brasil. Saravá". Morreu em 9 de ju1ho de 1980, no Rio de Janeiro. A exemp10 de Cecília Meireles, o início de sua carreira está intimamente ligado ao Neo-Simbolismo da "corrente espiritualista" e a renovação católica da década de 30. Percebe-se em vários de seus poemas dessa fase um tom bíblico, seja nas epígrafes, seja diluído pelos versos. No entanto, o eixo de sua obra logo se deslocaria para um sensualismo erótico, o que viria acentuar uma contradição entre o prazer da carne e a formação religiosa; destaque também para a valorização do momento, para um acentuado imediatismo - as coisas acontecem "de repente, não mais que de repente" -, ao mesmo tempo que se busca algo mais perene. Desse quadro talvez resulte outra constante em sua poética: a felicidade e a infelicidade. Em varias oportunidades valoriza a alegria:
"É  melhor ser alegre que ser triste
 A alegria é a melhor coisa que existe
 E assim como a luz no coração"
                    ("Samba da bênção")
Em outras ocasiões, no entanto, o poeta associa a inspiração poética à tristeza:
"Para que vieste              Se foi por um verso
Na minha janela             Não sou mais poeta
Meter o nariz?                Ando tão feliz."
                     ("A um passarinho")
Em 1956, Vinicius de Moraes convidou Tom Jobim para fazer a música de sua peça teatral Orfeu da conceição. Assim nasceu a parceria que, logo depois, com a inclusão do cantor João Gilberto, daria início ao movimento de renovação da MPB, conhecido como bossa-nova. Posteriormente, Vinicius fez diversas outras parcerias - com Edu Lobo, Francis Hime e até mesmo Ary Barroso, compositor da famosa Aquarela do Brasil.
Principais obras: O Caminho para a Distância; Forma e Exegese; Ariana, a Mulher; Novos Poemas; Cinco Elegias; Poemas, Sonetos e Baladas; Pátria Minha; Livro de Sonetos; Novos Poemas II, O Mergulhador; A Arca de Noé.
5. MÁRIO  
    QUINTANA
(1906 – 1994) Nasceu em Alegrete, tradicional cidade oligárquica da campanha rio-grandense,filho de uma família de classe média. Com 13 anos ingressou no Colégio Militar de Porto Alegre. Em 1924, abandonou os estudos e, após curto retorno a Alegrete, em que trabalhou na farmácia do pai, fixou-se definitivamente em Porto Alegre. Durante muitos anos entregou-se á vida Boêmia, muito intensa na capital. Tornou-se tradutor da Editora do Globo, onde passou para o português livros de autores estrangeiros famosos. Também colaborou permanentemente com a imprensa. Apesar da consagração nacional que o cercou na velhice e das dezenas de títulos que recebeu,morreu em extrema pobreza, em 1994.
Seja por razões pessoais que ele nunca explicitou, seja por ter vivido numa sociedade pastoril em derrocada, Mário Quintana elaborava uma poesia eminentemente crepuscular, percorrida por uma constante amargura e articulada em torno de poucos elementos: a morte e a tristeza das coisas.
Desde seu livro de estreia, Rua dos Cataventos, composto por 35 sonetos, que parecem marchar contra o verso livre dos modernistas, percebe-se a melancolia intensa do eu-lírico.Sua interioridade está dilacerada,à maneira dos românticos. A todo momento ele se refere aos desencantos que o afligem,porém sua linguagem é tão evasiva, tão vaga e simbólica, que não se sabe, com clareza, quais são estes males. Ou seja, a tristeza do poeta é visível, as causas não. Exemplo famoso encontramos no primeiro quarteto do soneto XVII:
Da vez primeira em que me assassinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha...
Depois, de cada vez que me mataram.
 Foram levando qualquer coisa minha...
Este universo de ruínas interiores, de sonhos mortos e de naufrágios pessoais aparece em toda a sua obra, como em A carta, do livro Apontamentos de história sobrenatural:
 Hoje encontrei dentro de u,livro uma velha carta amarelecida.
Rasguei-a sem procurar ao menos saber de quem seria...
 Eu tenho um medo horrível
A essas marés montantes do passado, Com suas quilhas afundadas, com
Meus sucessivos cadáveres amarrados aos mastros e gáveas...
Ai de mim,
Ai de ti, ó velho mar profundo,
Eu venho sempre à tona de todos os naufrágios!


         
No  meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra,                         
tinha uma pedra no meio do caminho                                                              
tinha uma pedra  no meio do caminho.  
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.  
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha lima pedra.  (Drummond)


                  
                   “ Quando eu nasci, um   
              anjo  torto desses  que vivem
               na sombra disse:Vai, Carlos,   
                     ser gauche na vida.”
José
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já  não pode beber,
 já não pode fumar,
cuspir já não pede,
a  noite  esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e  tudo fugiu
e tudo mofou,
 e agora, José?

E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
 sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
 seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
 não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse ...
Mas você não morre,
você  é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
 para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha. José!
José, para onde?
                (C. D. de Andrade)


1. (PUCC-SP) José teria, segundo o poeta, possibilidades de alterar seu destino. Essas possibilidades estão sugeridas:
a) na 5ª e 6ª estrofes.               b) na 1ª, 2ª e 3ª estrofes.           
 c) na 3ª, 4ª e 6ª estrofes.f        d) na 4ª e 5ª estrofes.                   
                                  e) n.d.a .

2.(PUCC-SP) Só não é linguagem figurada:
a) "sua incoerência, seu ódio".     b) "seu instante de febre".      
c) "seu terno de vidro"                   d) "sua lavra de ouro".                
                                         e) n.d.a.

3. (PUCC-SP) Das possibilidades sugeridas pelo poeta para que Jose mudasse seu destino, a mais extremada está contida no verso:
a) "se você tocasse a valsa vienense".   b) "se você morresse".                   
 c) "José, para onde?”.                              d) "quer ir para Minas".               
                                           e) n.d.a.

4. (PUCC-SP) Para o poeta, José só não é:
a) alguém realizado e atuante.         b) um solitário.                    
c) um joão-ninguém frustrado.
d) alguém sem objetivo e desesperançado.                 
e) n.d.a.

5. (PUCC-SP) "A noite esfriou" é um verso repetido. Com isso, o poeta deseja:
a} deixar bem claro que José foi abandonado porque fazia frio.
b) traduzir a ideia de que José sentiu frio porque anoiteceu.
c) exprimir que,  após o término da festa, a temperatura caíra.
d) intensificar o sentimento de abandono, tornando-o um sofrimento quase físico.          
e) n.d.a.


6. (PUCC-SP) O verso que exprime concisamente que José  e "ninguém" é:
a) "você que faz versos".        b) "a festa acabou".      
c) "você que é sem nome".   d) "que zomba dos outros".         
e) n.d.a.

7. (PUCC-SP) O verso que expressa essencialmente a ideia de um José sem norte é:
a) "José, para onde?".        b) "sozinho no escuro".                
c) "mas você não morre"    d) "E tudo fugiu".                   
                                    e) n.d.a.

8. (PUCC-SP) Assinale a afirmativa falsa a respeito do texto.
a) Jose é alguém bem individualizado e a ele o poeta se dirige com afetividade.
b) O ritmo dos sete primeiros versos da 5ª estrofe é dançante.
c) "Sem teogonia" significa "sem deuses", "sem credo", "sem religião".
d) Os versos são em redondilha menor porque tal ritmo se ajusta perfeitamente à intimidade, singeleza e  espontaneidade das ideias.
e) n.d.a.

Autorretrato
Provinciano que nunca soube
Escolher bem uma gravata;
Pernambucano a quem repugna
A faca do pernambucano;
Poeta ruim que na arte da prosa
Envelheceu na infância da arte,

E até mesmo escrevendo crônicas
Ficou cronista de província;
Arquiteto falhado, músico
Falhado (engoliu um dia
Um piano, mas o teclado

Ficou de fora); sem família,
Religião ou filosofia;
Mal tendo a inquietação de espírito
Que vem do sobrenatural,
E em matéria de profissão
Um tísico profissional.
 (Manuel Bandeira)

 Poema de sete faces
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
 ( .... )
 Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo
mais vasto é o meu coração.
(Carlos Drummond de Andrade)

9.Esses poemas têm em comum o fato de:
(A) descreverem aspectos físicos dos próprios autores.
(B) refletirem um sentimento pessimista.
(C) terem a doença como tema.
(D) narrarem a vida dos autores desde o nascimento.
(E) defenderem crenças religiosas.



sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O MODERNISMO (1922 - ........) - 1ª FASE

1.CONTEXTO
A - No Mundo:                                             
Progresso científico, tecnológico e industrial; 
Teoria da relatividade;                     
Freud funda a psicanálise;                
Guerras Mundiais (1ª e 2ª);    
Revolução Russa;                                                
Crise econômica de 1929;                   
Nazismo e fascismo.       
B - No Brasil:
Fim da República Velha;
Política café-com-leite;
Levas de imigrantes;
Organização do movimento operário (greves);
Partido Comunista ;                               
Início da Era Vargas.                                                                      
2.MARCO  INICIAL
Oficialmente,  movimento modernista teve seu inicio com a famosa Semana de Arte Moderna de 1922.
3.CARACTERÍSTICAS
a)Reação contra o Parnasianismo, o Romantismo e o Realismo;
b)Independência cultural;
c)Valorização da imagem nacional e das novas técnicas de progresso;
d)Liberdade no vocabulário, na sintaxe, nos temas e na visão  de mundo;
e)Linguagem simples, viva,  clara, espontânea, cotidiana  direta;
f) Mescla dos gêneros; 
g)Senso de humor, alegria, sátira.
4.VANGUARDAS
    EUROPEIAS
Movimentos artísticos e culturais que vieram a influenciar a literatura e, especial-mente, o modernismo:
FUTURISMO: exaltação da vida moderna, da máquina. O Manifesto Técnico da Literatura Futurista" prega a destruição da sintaxe, o menosprezo das classes gramaticais
EXPRESSIONISMO: prega a manifestação do mundo interior do artista, sem dar importância às regres de belo ou feio. Influenciou, no Brasil, Anita Malfatti  e Augusto dos Anjos.
CUBISMO: valorização das formas  geométricas (cubos, cilindros, esferas ). Na literatura valorizava a aproximação entre as várias manifestações artísticas (pintura, música, escultura, literatura) dava destaque à construção do texto e dos espaços em branco e preto na folha. Influenciou Oswald de Andrade a  Poesia Concretista de  1960.
DADAÍSMO: O mais radical de todos, pregava a liberdade total: o importante era a manifestação do artista, o leitor que entendesse se pudesse. 
SURREALISMO: a arte é um  produto do sonho, da não-razão. Influenciado por Freud.
5. SEMANA DE   
    ARTE MODERNA
A-ANTECEDENTES:
•Aproximação entre Oswald de Andrade e Mário de Andrade, os dois grandes mentores da Semana, e a publicação de MEMÓRIAS SENTIMENTAIS DE JOÃO MIRAMAR, HÁ UMA GOTA  DE SANGUE EM CADA POEMA;
•Manuel Bandeira publica A Cinza das Horas e  Menotti del Picchia agita com o poema Juca  Mulato;
•Exposição das caricaturas de Di Cavalcanti;
•A polêmica exposição das obras da pintora Anita Malfatti;
•Manuel Bandeira publica "Carnaval";
•O escultor  Vítor Brecheret  volta ao Brasil e adere ás novas ideias;
•Oswald de Andrade anuncia, numa festa, que está sendo preparado um manifesto memorável para a comemoração do centenário da Independência do Brasil;
•Graça Aranha retoma da Europa e assume o comando da Semana de Arte Moderna .
6.GRUPOS, 
    REVISTAS  
    MANIFESTOS
KLAXON -  Primeiro órgão do movimento, criado para difundir a Semana de Arte Moderna.
MANIFESTO DA  POESIA PAU-BRASIL – Escrito por Oswald de Andrade, defendia a ideia de misturar as culturas já existentes (nativa,colonizada e tradicional.
CONGRESSO REGIONALISTA – Ocorreu em 1926, em Recife, e propôs a valorização do homem e das tradições nordestinas.
A REVISTA - Publicada em Minas Gerais, tinha em Carlos Drummond de Andrade um  dos redatores.
REVISTA DE ANTROPOFAGIA - Publicada em São Paulo, entre 1928 e 1929, terminou por mostrar  o “racha" do grupo modernista inicial.
MOVIMENTO E MANIFESTO ANTROPOFÁGlCO - Ocorreuem 1928 e propunha o que deveria ser repudiado, o que deveria ser assimilado e superado.
7.FASES  DO  MODERNISMO
1ª FASE – GERAÇÃO DE  22 (1922 a 1930) -  Fase  anárquica, de liberdade absoluta, de destruição da linguagem e, ao mesmo tempo, de pesquisa estética. Houve predominância da poesia. Definiu e implantou o Modernismo ao Brasil.
2ª FASE – GERAÇÃO DE 30 (1930 a  1945) – Mais equilibrada, com liberdade formal e de temática, valorizando o cotidiano, o senso de humor e o espiritualismo na poesia. Os autores voltaram-se para o social. A prosa passa a ter grande importância, através do romance. É nessa fase que se inicia o verdadeiro surto do romance regionalista, integrado na problemática do homem em sua luta cotidiana contra os problemas sociais e geográfico, inaugurando os modernos ciclos   da ficção brasileira: o da cana-de-açúcar, o do cacau, o da seca, o do cangaço, o do pampa. É chamado também de Romance de 30.
3ª FASE – GERAÇÃO DE 45 (1945  a ......) – Aperfeiçoamento e disciplina, retorno ao ritmo e aos padrões tradicionalistas, concepção da poesia como arte da palavra. É a fase da revitalização e grande desenvolvimento do teatro. Interessa a realidade interior, a literatura não tem compromisso com a realidade real. Os aspectos psicológicos passam a ter maior importância que os materiais. A prosa urbana enfoca o conflito do indivíduo perante a sociedade.

                           1 - O  PRIMEIRO  MOMENTO  MODERNISTA  
                        AUTORES  DA  1ª  FASE    OU  GERAÇÃO  DE  1922
1. OSWALD  
DE   ANDRADE
(1890 -1954) Nasceu e morreu em São Paulo. Foi um dos líderes do Movimento Modernista. Espírito irreverente e combativo, foi um guerrilheiro cultural. Satirizou e debochou das instituições sociais. Seu valor literário foi contestado por alguns críticos, mas vem sendo re-estudado e revalorizado atualmente. Sempre se preocupou fundamentalmente com o nacional, sendo o fundador de duas revistas importantes: Movimento Pau-Brasil  e  Antropofagia,  que difundiam as idéias modernistas. De obra irregular, seus livros foram sucesso e teve até peças teatrais proibidas na época, como O Rei da Vela.
OBRAS: Pau-Vermelho, Brasil (poesia), Os Condenados, Memórias Sentimentais de João Miramar, Estrela de Absinto, Serafim Ponte Grande, A Escada
2.MÁRIO  DE   
   ANDRADE
(1893 – 1945) Principal líder do movimento, foi, enquanto viveu, a figura central deste, sendo conhecido como “O Papa do Modernismo”. Foi um dos mais dinâmi-cos batalhadores pela renovação da arte brasileira (folclore, literatura, música). Estreou na literatura em 1917, com “Há um Gota de Sangue em cada Poema”, influenciado pela Primeira Guerra Mundial. Produziu grandes obras.
OBRAS:
Na poesia: Pauliceia Desvairada (Faz um panorama da cidade de São Paulo, identificando-se com ela, sentindo toda a Terra-Brasil; amor ao bairro, à rua, à neblina, em  22 poemas de forma livre), Clã do Jabuti, Lira Paulistanam Losango Cáqui, Remate dos Males, O Carro  da Miséria.
Na  prosa:  Macunaíma (Uma simbologia do  homem brasileiro e sátira da linguagem, mistura lendas indígenas e folclore brasileiro, onde cria o personagem-título Macunaíma, que vem para a cidade de São Paulo à procura de um talismã perdido, contando suas andanças e aventuras até recuperar a pedra e voltar para sua tribo no Amazonas, junto com os irmãos que o acompanharam na viagem.), Amar, verbo Intransitivo (Romance psicológico sobre a educação sexual de um adolescente, Carlos,  por Fräulein Elza, governanta alemã).
3.MANUEL
    BANDEIRA
(1886 -1968) Um dos maiores poetas brasileiros, com suas poesias simples e ternas., de temas tirados de notícias de jornais, anúncios, comerciais, recordações de lugares e cidades, da infância, do cotidiano. Suas primeiras obras ligam-se às escolas anteriores, mas, de obra para obra, foi caminhando para a libertação total. Em 1919 já ridicularizava o Parnasianismo, com a poesia Os Sapos, declamada na Semana de Arte Moderna. Embora não tenha participado diretamente dela, foi um verdadeiro pregador das ideias modernistas, o que levou Mário de Andrade a chamá-lo de São João Batista do Modernismo. Dominou magistralmente o verso livre. Alcançou uma simplicidade de linguagem e forma a ponto de dispensar a pontuação. Mestre nos mais diversos ritmos, sua poesia é bastante autobiográfica, de fundo melancólico, com certa frequência irônico, com temática muitas vezes da morte, talvez por haver sofrido muitos anos com a tuberculose, chegando até à beira da morte. É possivelmente o melhor dos poetas modernistas.
OBRAS: Cinza das Horas, Carnaval, Ritmo Dissoluto, Libertinagem, Estrela da Ma-nhã, Mafuá do Malungo, Frauta de Papel, Vou-me embora pra Pasárgada...
                                                                                                                   
  Poeminhas  cinéticos
1) O moço  entra apressado                    
    Para ver a namorada                                              
    E é da seguinte forma                                            
                                   escada.                                                                                    
                             a                                                                                                       
                  subiu
          ele                                                                                                                     
Que                                                                                                                   

Mas lá em cima está o pai                                                                          
Da pequena que ele adora                                                 
E por isso pela escada                                                          
Assim
               ele                                                                               
                        veio                                                                       
                                    embora.

 2) Era um homem bem vestido              
     Foi beber no botequim                         
     Bebeu muito, bebeu tato  
     Que   
              s   i   
                a   u
                         d
                           e
                                 l
                             á      
                                  a   s    m.
                                     s   i                                                                                                            

                                            Pronominais
                                          Dê-me um cigarro
                                          Diz a gramática
                                          Do professor e do aluno
                                          E do mulato sabido.
                                          Mas o bom negro e o bom branco
                                          Da Nação Brasileira
                                          Dizem todos os dias
                                          Deixa disso, camarada,
                                         Me dá um cigarro.
                                                                    Oswald de Andrade
Moça  linda bem tratada
 Moça linda bem tratada         
Três séculos de família,
 Burra como uma porta:                                            
           Um  amor.                                     
Grã-fino do despudor                                                                            
Esporte, ignorância e sexo.                                             
Burro como uma porta:
        Um coió.                                                      
Mulher gordaça, filó
De ouro por todos os poros
Burra como uma porta:
         Paciência...
Plutocrata sem consciência
Nada porta, terremoto
Que a porta do pobre arromba
        Uma  bomba.
                    Mário de Andrade
                                        EXERCÍCIOS
1.(PUCSP) Identifique no texto abaixo as características do movimento literário a que ele pertence. Explique ao menos duas características identificadas, exemplificando com o texto.
        Erro de português
Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O  português.  

2.(FUVEST) Leia atentamente O texto.
"Quando hoje acordei, ainda fazia escuro                                     
(Embora a manhã já estivesse avançada).                                     
Chovia uma triste chuva de resignação                                          
Como contraste e consolo ao calor tempestuoso                        
da noite.
Então me levantei,
Bebi o café que eu mesmo preparei.
Depois me deitei novamente, acendi urn                                                                                                                  
um cigarro e fiquei pensando ...
Humildemente pensando na vida
Como contraste e consolo ao calor tempestuoso                        
e nas mulheres que amei."
                                    Manuel Bandeira
1.Transcreva  o verso que sugere a solidão  do  poeta:
............................................................................................
    Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá  sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
La a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide a vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de DBO ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasár-gada.
                 (Manuel Bandeira)

2. (FAAP-SP) A simples leitura do texto já nos convence tratar-se de um poema filiado ao modernismo já que se trata de um poema:
a) de tom coloquial, sem rima, em que não está presente a pontuação tradicional.
b) em que predomina o vago, o etéreo, o indizível.
c) de absoluta precisão formal.
d) em que aparece a figura da mulher idealizada e a fuga de um lugar distante e edênico.
e) que busca o bucólico, o campestre, o fantástico.

3. (FAAP-SP) Pasárgada, cidade lendária da antiga Pérsia, no poema indica outro espaço e outro tempo. No texto, há uma oposição entre um aqui e um lá; entre um agora e um então. Esta oposição recebe o nome de:
 a) silepse.      b) antítese.       c) pleonasmo.        
       d) sinestesia.     e) polissíndeto.

4. (FAAP-SP) Não é difícil definir o tema da ida para Pasárgada:
a) busca dos prazeres libidinosos        
b) evasão espacial e temporal            
c) volta à infância                                    
d) amor à civilização                                  
e) apego ao poder

5 .(FAAP-SP) Voltaire afirmava que "quem quiser fundar alguma coisa de grande deve começar por ser completamente louco". Bandeira nega este mundo chato e mofino, percorrendo vastidões da fantasia, ainda que seja para cair na loucura, especialmente em:
a) Joana a Louca de Espanha
    Vem a ser contraparente
    Da nora que nunca tive
b) ... farei ginástica
    Andarei de bicicleta                                                  
 c) Montarei em burro brabo
    Subirei no pau-de-sebo  
 d) Tem telefone automático
     Tem alcalóide à vontade
e) Tem prostitutas bonitas
     Para a gente namorar

6. (FAAP-SP) Nesta estrofe, o poeta devidamente refugiado no mágico Éden imaginário, projeta uma série de ações insignificantes que compõem o cotidiano de um menino sadio. E o retorno psicológico à infância - marca de um tempo feliz e de liberdade. A estrofe começa assim:
a) Vou-me embora pra Pasárgada
     Lá sou amigo do rei
b) Vou-me embora pra Pasárgada
     Aqui eu não sou feliz
c) E como farei ginástica
d) Em Pasárgada tem tudo
    É outra civilização
e) E quando eu estiver mais triste
    Mas triste de não ter jeito
    Andarei de bicicleta

7.(FAAP-SP) Inconformado com o real concreto, o poeta enumera um conjunto de vantagens que este mundo fantástico oferece: sexo livre, uma nova percepção do tempo e do espaço, uma nova permeabilidade para uma revisão do mundo material. A  estrofe começa assim:  
a) Vou-me embora pra Pasárgada
    Lá sou amigo do rei
b) Vou-me embora pra Pasárgada  
    Aqui eu não sou feliz
c) E como farei ginástica
    Andarei de bicicleta
d) Em Pasárgada tem tudo
     É outra civilização
e) E quando eu estiver mais triste
    Mas triste de não ter jeito