SOS LÍNGUA PORTUGUESA

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sábado, 27 de novembro de 2010

ORTOGRAFIA

            ORTHO  (grego)   =   correta   +  GRAFIA   (grego)  =   escrita                                                                                       
            Assim,   ortografia  é  o  emprego correto das letras  e  dos  sinais gráficos.

            Esta é a parte da gramática que mais dores de cabeça causa a alunos, professores e todas as pessoas que querem escrever bem.  E tudo isso acontece devido às  representações gráficas dos fonemas (sons que produzimos ao falar), porque alguns deles podem ser representados por letras diferentes, conforme for a palavra a ser escrita.   Observe bem as relações abaixo:

RELAÇÕES  ENTRE  FONEMAS  E  LETRAS     
      
       1) Princípios  básicos:
              
               a)Uma  mesma  letra  pode  representar  mais  de  um  fonema.
                    Exs.:  exame  -  xale  -  próximo  =  sexo      /     cedo  -   casa

               b)Um  mesmo  fonema  pode  ser  representado  por  letras  diferentes.
                    Exs.:                X -  exame,  êxito                  /G/      G  -  girafa,  gênero
                                  /Z/     Z  -  azul,  azeite                                J   -  jiló,  gorjeta
                                            S  -  casa,  base 
 
                                 /X/     X  -  caixa,  xícara                  /K/       C  -  caule,  coisa
                                           CH  -  chalé,  chefe                              QU  -  quilo,  quero

                                            S  -  sábio,  freguês        SS  -  girassol,  ssaro
                                           C  -  cidade,  pacífico     SC  -  crescer,  disciplina
                                /S/       Z  -  palidez,  giz              -  crea,  deo
                                           Ç  -  açúcar,  preguiça    XC  -  exceto,  excelente
                                           X  -  ximo,  texto       XS  -  exsudar,  exsolver

               c)Um  fonema  pode  ser  representado  por  duas  letras  (dígrafos):
                  Exs.:  machado  -  mulher  -  minhoca  -  carro  -  massa  -  guerra

               d) Uma  letra  pode  representar  dois  fonemas.
                   Exs.:  fixo  -  sexo  -  axila  -  xi  -  anexo  -  ônix  -  tórax

               e)O  H  no  início  das  palavras  não  representa  nenhum  fonema.
                  Exs.:  hora  -  hoje  -  hotel  -  humano  -  hélice

               f) As  letras  M  e  N  não  seguidas  de  vogal  não  representam  fonemas.
                  Exs.:  campo  -  tempo  -  tinta  -  bumbo  -  bomba  -  banda  -   tenda

               g)Nos  grupos  AM  e  EM / EN , no  final  de  palavras,  o  M  e  o  N  equivalem  às          
             semivogais  U  e  I  respectivamente.
                   Exs.:  também  -  parabéns  -  cantam  -  falam - ninguém

                                            (A  partir  da  próxima  postagem, vamos começar a ver algumas regras que auxiliam
                                              a resolver  tais problemas.)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

ACENTUAÇÃO GRÁFICA

1-CONCEITOS  BÁSICOS
     a) Acento  Tônico -  intensidade  maior  ou  menor  na  pronúncia de um fonema.: cidade, faca,  urubu...
    b) Acento  Gráfico - sinal que se coloca sobre a vogal tônica da palavra, conforma as regras de acentuação: café,  dendê, cipó, históia.... Não confundir com acento tônico, que muitas vezes não leva acento gráfico.
      c) Sílaba  Tônica  - sílaba que recebe o acento tônico,  mas  nem  sempre  leva  acento  gráfico: cidade, ca...
      d) Vogal  Tônica – é a vogal  que está na sílaba tônica: cidade, faca, café, copo ...

2-CLASSIFICAÇÃO  DAS  SÍLABAS  QUANTO  AO  ACENTO  TÔNICO
     a) Sílaba Tônica – é  a que recebe o acento tônico. Ex.: cadeira
     b) Sílaba  Subtônica – é a que aparece em palavras derivadas, sendo a sílaba tônica da palavra primitiva:
          sozinho,  amargamente,  cafezinho...
     c) Sílaba  Átona  - é a  que não recebe o acento tônico e pode ser:
          Exs.:  MONTANHA =  mon – sílaba átona,  ta – sílaba tônica, nha – sílaba átona.
                     CAFEZINHO = ca – sílaba átona, fe – sílaba subtônica, zi – sílaba tônica, nho – sílaba átona.

3-CLASSIFICAÇÃO  DAS  PALAVRAS  QUANTO  AO  ACENTO  TÔNICO
    a) Oxítonas  -  acento tônico na  última sílaba: ca, feliz, rapaz, poder,  urubu...
    b) Paroxítonas -  acento tônico na penúltima  sílaba: mesa, montanha, cidade,  hisria...
    c) Proparoxítonas - acento tônico na antepenúltima sílaba:  esmago, lâmpada, quido...
    d) Monossílabos  Tônicos  -  têm autonomia fonética e  são  pronunciados:  é, nós, sol, nó,  céu, mau...
     e) Monossílabos  Átonos  - não têm  autonomia fonética , sendo pronunciados fracamente:  me, te, se, nos, vos,  lhe, por, o, a, os, as...

4-  ACENTUAÇÃO  GRÁFICA
     a)Monossílabos:  O – E – A: pé, dó, lá,  má...    
     b)Oxítonas: O – E – A – EM: jiló, chulé, Amapá, ninguém...
     c)Paroxítonas: USEI UM LIRÃO/ X – EN - PS - ON + DOC: bônus, pônei, álbum, revólver,
        júri, flúor, órfão, tórax, pólen, bíceps, elétron, água, história, série...
     d)Proparoxítonas: todas: lâmpada, líquido, máquina...
     e)Hiatos: I ou  U  sós: saída, saúde, baú, saí..( -nh: rainha, bainha, tainha...)
                       ou com S após: saíste, balaústre, faísca, distribuíste...
            Observação 1: Quando  o  I  e  o  U  tônicos  vierem  depois  de  um  ditongo,  não  levarão  mais    
    acento:   baiuca,  bocaiuva,  cauila,  feiura,  reiuno...
            Observação 2:  EE  e  OO não são mais  acentuados:  creem,  deem,  leem,  veem, voo, perdôo...
      f)Ditongos abertos:      ÉU: céu, chapéu, réu, incréu, pitéu, solidéu...
         ÉI  e  ÓI: só se a palavra for oxítona: papéis, coronéis, fiéis, pastéis,  sóis,  lençóis, rouxinóis...
         Assim= assembleia, geleia, colméia, jiboia, claraboia, jóia ... não levam mais acento, pois são
         paroxítonas.
      g)Acentos diferenciais = só  continuam  com acento:
          . têm(plural) para diferençar de tem (singular);  contém, detém, mantém... / contêm, detêm,
             mantêm;
          . vêm (plural) para diferençar de vem (singular); provém, intervém... / provêm,  intervêm...
          . pôr (verbo)  para diferençar  de por (preposição);
          . pôde (pretérito)  para  diferençar de pode (presente).
            Os outros acentos diferenciais desapareceram: as, para, pelo(s), polo(s), pera, forma, coa(s)...


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

USO DO TREMA E DO HÍFEN

                                                               O TREMA

               O trema foi inteiramente suprimido em palavras portuguesas ou aportuguesadas.
Obs.: Conserva-se, no entanto, em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros: hübneriano (de Hübner),  mülleriano (de Müller), etc.

                                                         USO  DO  HÍFEN
        a) Divisão  silábica:  im-pos-sí-vel,  cac-to,  tran-sa-tlân-ti-co,  felds-pa-to,  trans-con-ti-nen-tal...
        b) Translineação: final  de  linha  (não deixar vogais  sozinhas,  não  fazer  separações  que  gerem cacófatos,  repetir  o  hífen  se  for  palavra  que  o  requeira).
         c)Verbos  pronominais:  mandá-lo,  comprei-o,  encontraram-nos,  vendê-lo-ei...

   1-Uso  do hífen em compostos, locuções e encadeamentos vocabulares

    a) Emprega-se o hífen nas palavras compostas por justaposicão que não contêm formas de ligação e cujos elementos (substantivos, adjetivos, numerais, verbos) constituem uma unidade sintagmática e semântica e mantêm acento próprio, podendo dar-se o caso de o primeiro elemento estar reduzido: ano-Iuz,  arco-íris, decreto-Iei, médico-cirurgião,  tenente-coronel, tio-avô, amor-perfeito, guarda-noturno, mato-grossense, norte-americano, porto-alegrense, sul-africano, afro-Iuso-brasileiro, primeiro-ministro, segunda-feira, conta-gotas, guarda-chuva...

Obs.: Certos compostos, em relação aos quais se perdeu, em certa medida, a noção de composição, grafam-se aglutinadamente: girassol,  madressilva, mandachuva, pontapé, paraquedas, paraquedista, etc.

    b) Emprega-se o hífen nas palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológicas, estejam ou não ligados por preposição ou qualquer outro elemento: abóbora-menina, couve-flor, erva-doce, feijão-verde, ervilha-de-cheiro, bem-me-quer (nome de planta que também se dá à margarida e ao malmequer), andorinha-do-mar, cobra-d'água, bem-te-vi....

     c)Emprega-se o hífen nos compostos com as advérbios bem e mal, quando estes formam com o elemento seguinte uma unidade sintagmática e semântica e tal elemento começar por vogal ou h. No entanto, o advérbio bem, ao contrário de mal, pode não se aglutinar com palavras começadas por consoante. Alguns exemplos: bem-aventurado, bem-estar, bem-humorado, mal-afortunado, mal-estar, mal-humorado, bem-criado (cf. malcriado), bem-ditoso (cf. malditoso), bem-falante (cf. malfalante), bem-mandado (cf. malmandado), bem-nascido (cf. malnascido), bem-soante (cf. malsoante), bem-visto (cf. malvisto).

Obs.: Em  muitos  compostos, o advérbio bem aparece aglutinado com a segundo elemento, quer este tenha ou não vida à  parte: benfazejo, benfeito, benfeitor, benquerença, etc.

       d) Em locuções de qualquer tipo, sejam elas substantivas, adjetivas, pronominais, adverbiais, prepositivas  ou conjuncionais, não se emprega em geral o hífen, salvo algumas exceções já consagradas pelo uso, como: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia,  ao deus-dará,  à queima-roupa...

    2-Uso  do hífen nas formações por prefixação, recomposição e sufixação
a)      Devemos usar o hífen:

              -  HIPER,  INTER, SUPER, SUB  +  R:  hiper-requintado,  inter-racial,  inter-regional,  super-resistente, sub-raça, sub-regente...
            
              -  VOGAL  +  VOGAL  IGUAL:  anti-inflamatório,  contra-ataque,  micro-ondas,  semi-interno...
                  Obs.:  Esta regra acima também se aplica com elementos não autônomos ou falsos prefixos, de origem grega e latina, como: aero, agro, arqui,auto, bio, eletro, geo,   hidro,  inter, macro, maxi, micro, mini, multi, neo, pan, pluri, proto, pseudo, retro, semi, tele, etc:
           
             -  LETRA  H:   mini-hotel,  anti-higiênico,  co-herdeiro,  eletro-hidráulico,  super-homem...
              -  CIRCUM  e  PAN  +  VOGAL,  M,  N:  pan-americano,  circum-navegação...
              -  ALÉM    e  AQUÉM:   além-mar,  além-Tejo,  aquém-fronteiras...
              -  RECÉM  e  SEM:  recém-nascido,  recém-chegado,  sem-terra,  sem-fim,  sem-vergonha... 
              -  PRÉ,  PRÓ,  PÓS:  pré-vestibular,    pró-reitor,  pós-graduação...
              -  EX, VICE, SOTO:  ex-marido, vice-presidente, soto-mestre...                         

        b-Não  devemos  usar  o  hífen:
           
                -  VOGAL  +  VOGAL  DIFERENTE:  autoaprendizagem,  autoescola,  extraoficial,  extracurricular,      
                infraestrutura,  semianalfabeto,  semiopaco...
                 Obs.:  Esta regra acima também se aplica com elementos não autônomos ou falsos prefixos, de origem grega e latina, como: aero, agro, arqui,auto, bio, eletro, geo,   hidro,  inter, macro, maxi, micro, mini, multi, neo, pan, pluri, proto, pseudo, retro, semi, tele, etc:

            -  VOGAL  +  S  e  R: antirracismo,  antirreligioso,  contrarregra,  ultrassom,  infrassom,  semirreta...

          Fonte: Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, Academia Brasileira de Letras, 5ª edição, Global Editora, 2009.



quarta-feira, 10 de novembro de 2010

MUDANÇAS NA LÍNGUA PORTUGUESA


               Este é um assunto que vem causando dificuldades entre os alunos e discussões entre os entendidos. Principalmente sobre os motivos de tais mudanças e da maneira como foram feitas.Por exemplo:
                - Por que eliminar o pobrezinho do trema, com o qual já estávamos acostumados,  e deixar o coitado do pinguim sem nenhuma proteção na cabeça lá naquele frio danado? Sem falar na lingüiça, que perdeu um pouco do sabor sem o trema!
               - Por que manter o acento no éi, éu e ói das oxítonas  e retirá-lo das paroxítonas? O que incomoda aquele a final da ideia e da joia, por exemplo! Eu, particularmente, ainda tenho um certo arrepio,  quando deparo com uma palavra com estes ditongos sem acentos.  Sem falar nos alfabetizadores, que precisam ensinar que se pronuncia  meia com e fechado e ideia com e aberto, mas não se usa nada para diferenciar na escrita? Ou que o herói tem acento, mas o heroico não?
               - Para que manter alguns acentos diferenciais ( pôr. têm, vêm, pôde...) e tirar de outros ( para, pera, polo...) ?  Se era para tirar, tirassem de todos, seria mais fácil e lógico!
               Haveria mudanças mais significativas a serem feitas, como regularizar o erro cometido pela maioria dos falantes na pronúncia da palavra gratuito. Poucos são os que a pronunciam corretamente: gra-tui-to = ditongo, pois a maioria insiste em falar erradamente: gra-tu-i-to = hiato. O lógico, após tantos anos de erro, seria legitimar o hiato, colocando acento agudo no i, e nós, amantes do bom Português, ficaríamos mais descansados ao ouvi-lo. E aproveitariam para incluir os intuito, fortuito, circuito, fluido... que padecem pelo mesmo problema.
              Isto sem falar nas várias grafias de um mesmo fonema, como o /z/, por exemplo, que pode ser representado por s, z, e x (casa, azar, exame...). Pior ainda é o caso do fonema /s/, que aparece escrito com s, c, x, z, ç, ss, sc, sç, xc, xs (português, cedo, explodir, aridez, caça, massa, descer, cresça, exceto, esxudar). Isto dá um nó na cabeça de qualquer aluno! Tais dificuldades é que poderiam ser analisadas pelos senhores filólogos, gramáticos e outros envolvidos no assunto, e tomadas medidas de simplificação da representação gráfica dos fonemas, o que viria a facilitar enormemente a vida de professores e alunos, os quais ficariam imensamente gratos.
                Essa desculpa de unificar o Português de todos os países que o usam é tolice. Se quisermos ler um autor de Portugal, procuremos um livro em edição brasileira. Jornais e revistas, pior ainda: com tantos nacionais, quem vai se preocupar em ler  os de Portugal, de Moçambique, de Cabo Verde...? E viajar para tais lugares, quem iria, a não ser alguns poucos abonados?
               Não que eu seja favorável a criar caso com Portugal  e outros países que usem a mesma língua nossa (Em termos, pois cada um possui suas variantes locais!), mas um país como o Brasil, com sua imensidão territorial permeada por inúmeras influências linguísticas das correntes imigratórias, precisaria criar uma Gramática Portuguesa Brasileira, que atendesse às necessidades dos seus falantes e a um número gigantesco de alunos e professores do nosso Sistema Educacional.
Ninguém pode negar que o Português falado no Brasil apresenta inúmeras diferenças do praticado em Portugal e nos demais países que o falam!  Então, deixem de lado os “considerandos” e os “entretantos”, senhores acadêmicos, e tomem uma atitude em prol dos estudantes, uma vez que a escrita neste país está ficando cada vez pior. Vamos facilitar a vida de quem escreve!