SOS LÍNGUA PORTUGUESA

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quarta-feira, 21 de junho de 2017

REVISÃO GERAL DE LITERATURA: QUINHENTISMO, BARROCO, ARCADISMO

I - Q.UINHENTISMO

INSTRUÇÃO: Para responder à questão 01, leia o fragmento abaixo .
  E tanto que ele começou de ir para Ia, acudiram pela praia homens, quando aos dois, quando aos três, de maneira que, ao chegar o batel à boca do rio, já ali havia dezoito ou vinte homens. Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Nas mãos traziam arcos com suas setas. Vinham todos rijamente sobre 'o batel. ( ... ) A feição deles é serem pardos, maneira de. avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Não fazem o menor caso de
encobrir ou deixar de encobrir suas vergonhas do que de mostrar a cara. Acerca disso são de grande inocência.

1-Assinale a alternativa que preenche correta e respectivamente as lacunas da frase.
   Percebemos o caráter___________ do texto de ___________ , espécie de certidão de nascimento do Brasil por se tratar do primeiro relato feito por europeus. Essa literatura fi-cou conhecida como literatura de informação ou de viagem.       .
       (A) descritivo - Caminha       (B) doutrinário - Anchieta        (C) romântico - Lery
                        (D) irônico - Alencar          (E) objetivo - Vieira

2- A literatura do século XVI no Brasil tinha a intenção de mostrar como era a terra recém-descoberta, numa de suas tendências, e de pregar a doutrina católica difundida na metrópole, como a outra tendência. Essas duas tendências do Quinhen- tismo são, respectivamente, a:
(A) Literatura Doutrinal e a Literatura de Catequese.
(B) Literatura de Catequese e a Literatura de Informação.
(C) Literatura de Catequese e a Literatura de Viagem.
(D) Literatura de Informação e a Literatura de Viagem.
(E) Literatura de Informação e a Literatura de Catequese.

II - BARROCO
INSTRUÇÃO: Para responder às questões 01 e 02, leia com atenção o poema abaixo, de Gregório de Matos.

A Jesus Cristo Nosso Senhor

Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado,
da vossa alta clemência me despido;
Porque, quanto mais tenho delinquido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.

Se basta a vos irar tanto pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma ovelha perdida e já cobrada
Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na sacra história,
Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada,
Cobrai-a; e não queirais, pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.

1- Considere as seguintes afirmações sobre o poema:

I - É um soneto que representa perfeitamente a temática lírico-religiosa, na qual o poeta coloca-se como um pecador.
II - O poeta, humildemente, afirma não ser merecedor da misericórdia e do perdão divinos, pois seu pecado é muito grave.
III - O poeta apresenta-se como uma ovelha desgarrada que, se for recuperada, contribuirá para elevar a glória divina.
                                 Quais estão corretas?
(A) Apenas I.    (B) Apenas II.   (C) Apenas III.  (D) Apenas I e III.   (E) Apenas II e III.

2 - A respeito do mesmo poema, é incorreto afirmar que:
(A) o soneto tem uma das características típicas da literatura barroca: o homem atormentado pela ideia de cair em desgraça junto a Deus.
(B) o poeta acredita que a bondade e a clemência de Jesus são muito maiores do que o seu pecado.
(C) o poeta aparece como um advogado de si mesmo, defendendo o seu direito de ser perdoado por Jesus.
(D) o soneto menciona explicitamente a Bíblia, o livro sagrado dos cristãos.
(E) a metáfora da ovelha indica que o texto está ligado ao princípio de louvação da natureza, típico do Barroco.

INSTRUÇÃO: Leia com atenção c poema abaixo,  de Gregório de Matos, para responder à questão.             .
                 Aos Vícios
Eu sou aquele, que os passados anos
cantei na minha lira maldizente
torpezas do Brasil, vícios e enganos.

E bem que os descantei bastanternente,
canto segunda vez na mesma lira
o mesmo assunto em plectro diferente.
                        (...)
De que pode servir calar quem cala?
Nunca se há de falar o que se sente?
Sempre se há de sentir o que se fala.

Qual homem pode haver tão paciente,
Que vendo o triste estado da Bahia,
Não chore, não suspire e não lamente?

3-Considere as seguintes afirmações sobre o poema.
I- Esse poema representa o lado satírico e irreverente do poeta frente a uma sociedade colonial decadente.
II- O poema revela o impulso do poeta em denunciar os vícios da vida na capital da colônia.
III- Gregório de Matos canta na mesma lira a vida simples da Bahia.
                                                      Quais estão corretas?
(A) Apenas I.     (B) Apenas II.     (C) Apenas III.    (D) Apenas I e II.     (E) I, II e III.

Para responder à questão 04, leia o poema abaixo.

A cada canto um grande Conselheiro,
Que nos quer governar cabana e vinha:
Não sabem governar sua cozinha,
E querem governar o Mundo inteiro!

Em cada porta um bem frequente Olheiro
da vida do vizinho e da vizinha,
pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha
para o levar à Praça e ao Terreiro.

Estupendas usuras nos mercados:
Todos os que não furtam, muito pobres:
Eis aqui a Cidade da Bahia.

Muitos mulatos desavergonhados,
Trazendo pelos pés aos Homens nobres;
posta nas palmas toda a picardia.

 5- Considere as afirmações abaixo sobre o poema.
I - Faz uma crítica a vários grupos sociais da Bahia do seu tempo, apontando defeitos em todos eles.
II - Por ironizar a situação, como no penúltimo verso, percebemos tratar-se de um poema de Gregório de Matos Guerra, na sua vertente satírica.
III -Pelo estilo apaixonado e idealista, podemos afirmar que se trata de um poema vinculado à estética árcade.
                                              Quais estão corretas?
    (A) Apenas I.       (B) Apenas II.      (C) Apenas III.   (D) Apenas I e II.    (E) I, II e III.  

Instrução: Para responder a questão de número 06 leia o poema abaixo, de Gregório de Matos Guerra, poeta barroco.

Triste Bahia! Ó quão dessemelhante
Estás e estou do nosso antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,
Rica te vi eu já, tu a mi abundante.

A ti trocou-te a máquina mercante
Que em tua larga barra tem entrado.
A mim foi-me trocando, e tem trocado,
Tanto negócio e tanto negociante.

Deste em dar tanto açúcar excelente
Pelas drogas inúteis, que abelhuda
Simples aceitas do sagaz Brichote.

Oh! se quisera Deus, que de repente
Um dia amanheceras tão sisuda
Que fora de algodão o teu capote!

6. Considere as afirmações abaixo sobre o poema.
I - .Percebe-se, na primeira estrofe, a aproximação do eu-lírico e do objeto poético, ambos empobrecidos depois de um período inicial de abundância.
II - O motivo claro da falência' do objeto poético, no caso a cidade da Bahia, é uma série de invasões e guerras feitas pelos holandeses.
III - Na terceira estrofe, a voz lírica critica a "simples" Bahia, que se deixou enganar pelo "sagaz" inglês (ironia feita com a palavra Brichote, derivada de British (inglês), que trocou muitas mercadorias inúteis pelo bom açúcar.
IV - Percebe-se a presença de figuras de linguagem como as metáforas antitéticas da terceira estrofe e as antíteses e aliterações da primeira.
                                                  Quais estão corretas?
                            (A) Apenas I e II.   (B) Apenas I e III.  (C) Apenas I, III e IV  0
                                              (D) Apenas II, III e IV  (E) I, II, III e IV

 III - ARCADISMO

INSTRUÇÃO: Leia o seguinte texto, fragmento do poema Marília de Dirceu, pararesponder às questões 01  02.

Vem, ó Marília, vem lograr comigo
Destes alegres campos a beleza,
Destas copadas árvores o abrigo ...

Deixa louvar da corte a vã grandeza:
Quanto me agrada mais estar contigo,
Notando as perfeições da Natureza!

1- Considere as seguintes afirmações sobre o texto.
I - O poeta convida a amada, Marília, para aproveitarem juntos as maravilhas da cidade (a corte).
II- Trata-se de um fragmento de um célebre poema de Tomás Antônio Gonzaga, no qual faz um elogio à vida simples e natural dos camponeses.
III - A natureza é vista como perfeita, em oposição à inutilidade da cidade.
                                                     Quais estão corretas?
(A) Apenas I.     (B) Apenas II.   (C) Apenas III.      (D) Apenas II e III.     (E) I, II e III.

2 - Ainda segundo o texto, é correto afirmar que:
(A) a preocupação com a simplicidade, no estilo de Vida e no estilo de texto, é típica da escola árcade.
(B) a admiração pelo progresso da cidade, presente nesse texto, é característica do Parnasianismo.
(C) o indivíduo está em dúvida entre uma coisa e outra, o campo e a cidade, perspectiva que é típica do Barroco.
(D) a preocupação com o regional e o interior do Brasil, como aparece no texto, é marca do Modernismo.
(E) a fuga do mundo real para um idealizado, como propõe o texto, é marca do Romantismo.

3 - Considere as seguintes afirmações sobre Tomás Antônio Gonzaga e Cláudio Manuel da Costa.
I - Tomás Antônio Gonzaga escreveu Cartas Chilenas, com o objetivo de homenagear o governador de Minas Gerais, seu amigo.
II- Cláudio Manuel da Costa mostra  inclinação para o Arcadismo, mas ainda apresenta influências do Barroco.
III -  Tomás Antônio Gonzaga é o autor do poema lírico Marília de Dirceu, obra impregnada de pastoralismo  e galanteria próprios dos árcades.
                                         Quais estão corretas?
(,A) Apenas I.    (B) Apenas 11.   (C) Apenas III.   (D) Apenas I e II.    (E) Apenas II e III.

4-Assinale a alternativa que preenche correta e respectivamente, associando as escolas literárias e suas principais características:
_________________,maior poeta barroco brasileiro, criticou severamente a sociedade colonial brasileira, desenvolvendo também :a :poesia lírica, em que trata de temas ligados ao amor e ­­­­­­­­­­­­­­­­________

(A)Cláudio Manoel da Costa - à religiosidade
           (B)Cláudio Manoel da Costa - ao pastoralismo
           (C)Gregório-de-Matos - ao pastoralismo
           (D)Gregório  de Matos - à religiosidade
..         (E) Padre Vieira - à religiosidade ''
             
5-Numere a coluna da direita de acordo com a:da esquerda, associando as escolas 
literárias a suas principais características.

 (1)  Barroco                 (     ) linguagem simples
                                     (     ) oposição entre valores materiais e espirituais
                                     (     ) linguagem complexa
 (2)Arcadismo              (     ) bucolismo

    A sequencia correta de cima para baixo é:
(A) 1-1-2-2-1    (B) 1-1-2-2     (C)1-2-2-1    (D) 2-1-1-2     (E) 2-2-1-1


6-O Arcadismo brasileiro se tornou importante para a literatura nacional por tratar, em algumas de suas obras, de um tema tipicamente brasileiro, o índio. Uma dessas obras te- matiza a guerra ocorrida nas Missões Jesuíticas, noroeste do atual Rio Grande do Sul, guerra que se deu entre uma aliança de portugueses e espanhóis contra os índios missioneiros comandados por Sepé Tiaraju, personagem histórico retomado como herói.
                              A obra que apresenta o enredo descrito acima:

(A) Caramuru, de Santa Rita Durão.                    
(B) O Uraguai, de Basílio da Gama.                      
(C) O Guarani, de José de Alencar.
(O) O Canto do Piaga, de Gonçalves Dias.      :              
(E) A Confederação dos Tamoios, de Gonçalves de Magalhães.                           
                                     
INSTRUÇÃO: Para responder à questão 07 leia o fragmento abaixo.

De amar, minha Marília, a formosura
Não se podem livrar humanos peitos.
Adoram os Heróis; e os mesmos brutos
Aos grilhões de Cupido estão sujeitos.
Quem, Marília, despreza uma beleza,
         A luz da razão precisa;
         E se tem discurso, pisa
    A Lei, que lhe ditou a Natureza.

7. Para o poeta Tomás Antônio Gonzaga, o amor é uma lei da natureza. Essa caracte- rística, a objetividade dos sentimentos, está presente na escola literária chamada de:
(A) Romantismo.   (B) Barroco.   (C) Realismo .  (D) Simbolismo.  (E) Arcadismo.

GABARITO  COMENTADO

I-QUINHENTISMO:
1-Resposta A. O fragmento pertence à Carta Do Descobrimento do Brasil, escrita por Pero Vaz de Caminha, escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral.
2-Resposta E.A literatura do século XVI, no Brasil, era a de Informação, escrita sobre a terra e os indígenas pelos viajantes que por aqui passavam e a de Catequese, produzida pelos padres jesuítas durante sua obra de catequização dos indígenas: cartas, relatórios, peças teatrais, poesias simples...

II-BARROCO
1-Resposta D. O soneto que serve de base para a afirmativa é característica da poesia religiosa produzida por Gregório de Matos na última fase da sua vida: o pecador arrependido que se penitencia de seus pecados e crê na misericórdia divina para redimi-lo.
2.Resposta E. O princípio da louvação da natureza é típico do Arcadismo e Romantismo, não do Barroco.
3.Resposta D. O poema enfocado é típico da poesia satírica DE Gregório de Matos Guerra, que nela criticava governantes, ricos, poderosos e qualquer pessoa que lhe caísse em desagrado, o que lhe valeu o apelido de “Boca do Inferno”.
4.Resposta D. O soneto é outro exemplar da poesia satírica de Gregório de Matos Guerra criticando a sociedade baiana da época.
5.Resposta C. Outro exemplo da poesia satírica de Gregório de Matos Guerra, uma crítica aos governantes e á sociedade baiana.

III-ARCADISMO
1.Resposta D. Ao contrário do que diz a afirmativa I, o poema é um convite para apreciar a vida no campo, característica da escola árcade, da qual o poema “Marília de Dirceu”, de Tomás Antônio Gonzaga, é o mais famoso exemplo.
2. Resposta A. A preocupação com a simplicidade da poesia e o louvor à simplicidade da natureza é uma forte característica da poesia do Arcadismo.
3. Resposta E. O objetivo de Tomás Antônio Gonzaga, ao escrever Cartas Chilenas, foi o de criticar o governador de Minas Gerais.
4.Resposta D. é a única alternativa que apresenta palavras corretas para preencher os espaços do texto. Nas demais não há correspondência entre elas e o texto.
5.Resposta D. A numeração combina escolas e características corretamente.
6.Resposta B. A obra ‘O Uraguai”,de Basílio da Gama, poeta árcade, focaliza a guerra ocorrida entre os indígenas que habitavam as Missões Jesuíticas dos Sete Povos das Missões e os portugueses e espanhóis, que queriam expulsá-los e apossar-se da terra.
Resposta E. O poema em foco, “ Marília de Dirceu”, de Tomás Antônio Gonzaga, é um típico e famoso representante do período literário Arcadismo.




sábado, 3 de junho de 2017

QUESTÕES SOBRE CRÔNICA E PROSA CONTEMPORÂNEA

1) Considere as afirmativas abaixo:
I-A crônica., gênero literário em prosa , na sua forma atual derivou-se do jornalismo.
II-A crônica é uma narrativa curta que se apoia em dois aspectos fundamentais: o fato e o comentário.
III-A afirmação da crônica como gênero se deve a Machado de Asais, embora José de A-lencar  já lhe tivesse dado um certo relevo.
Estão corretas as afirmativas::
            (A)I e II           (B)II e lII         (C) I e III         (D)I, II e III

2) ''Notabiliza-se· como cronista, dos mais lidos e apreciados. Impregna tudo que escreve de um grande amor à vida, à pureza e liberdade de sentimentos. Ama os seres humildes e sofredores, dá ênfase ao cotidiano, aos pequenos gestos, numa linguagem singela, de tom coloquial, intimista."· ..
O trecho acima refere-se ao cronista:
a) Carlos Drumond de Andrade
b) Fernando Sabino
c) Luís Fernando Veríssimo
d) Paulo Mendes Campos
e) Rubem Braga

3) Associe o nome do cronista às características descritas:
(   )Numa linguagem lírica, busca, atrás das aparências , a essência da vida, a magia e
o prazer da existência.
(   )Num  tom, na maioria das vezes irreverente e irônico, comenta os mais variados fatos do cotidiano das pessoas e suas atitudes, seu modo de agir.
(  )De linguagem simples e direta, busca traduzir tudo aquilo que vê em cada pequeno momento da vida, valorizando-o, resgatando sua importância e beleza.
(   ) Seu modo de escrever é baseado no conflito de situações, mostrando o ridículo que há nas coisas vistas sob certos ângulos diferentes.
(1) Rubem Braga
(2) Paulo Mendes  Campos
(3) Fernando Sabino
(4) Luís Fernando Veríssimo

4) Assinale só a alternativa incorreta:
a) A linguagem das crônicas de Paulo Mendes Campos é bastante marcada pelo lirismo poético.
b) Paulo Mendes Campos busca na infância a utopia necessária para, com sua pureza e alegria de viver, tentar superar o tédio, a insensibilidade e a solidão da cidade grande.
c) O Cego de Ipanema, Homenzinho na Ventania e O anjo bêbado são livros de crô-nicas de Paulo Mendes Campos.
d) A crônica de tendência humorística, que se acentuou dos anos 70 para cá, pode muito bem ser representada por nomes como Luís Fernando Veríssimo, Carlos Eduardo Novaes e Jô Soares.
e) Infelizmente, Drummond, Manuel Bandeira, Vinícius de Moraes e Cecília Meireles, por serem grandes poetas. nunca se interessaram por escrever crônicas.

5)Não é verdadeiro com relação a Rubem Braga:  .
a) Enquanto escritor, dedicou-se fielmente à crônica, que reuniu em livros como: O conde e o passarinho, A cidade e a roça, Ai de ti, Copacabana!
b) É considerado como o grande mestre da crônica contemporânea.
c) Sua linguagem exuberante e colorida constrói-se com as mais variadas figuras de estilo, riqueza de adjetivação , abundância de expressões pitorescas.
d) Sua crônica procura captar e resgatar o lado humano e sensível  que se esconde por detrás das situações mais simples, dos incidentes banais.
e) Desprezando os excessos das figuras de estilo ou a sofisticação expressional , Rubem Braga tem uma linguagem enxuta, direta, ágil.

Instrução: Leia o fragmento abaixo extraído d'O analista de Bagé, de Luís Fernando Veríssimo, e responda as questões.
Existem rnuitas histórias sobre o analista de Bagé mas não sei se todas são verdadeiras. Seus métodos são certamente pouco ortodoxos, embora ele mesmo se descreva como um "freudiano barbaridade ". E parece que dão certo, pois a clientela aumenta. Foi ele que de-senvolveu a terapia do joelhaço.·    .
Diz que quando recebe um paciente novo no seu consultório a primeira coisa. que o ana-lista de Bagé faz é lhe dar um joelhaço. Em paciente homem, claro, pois em mulher, se-gu-do ele, "só se bate pra descarrega energia”. Depois do joelhaço o paciente é levado dobra-do ao meio, para o divã coberto com um pelego.
- Te abanca, índio velho, que tá incluído no preço.
- Ai - diz o paciente '
- Toma um mate?
-Na-não ... -geme o paciente
- Respira fundo, tchê. Enche o bucho que passa ..
O paciente respira fundo. O analista de Bagé pergunta:
- Agora, qual é o causo?
- É a depressão, doutor.
( .. .)
- Só sei que estou deprimido e isso é terrível. É pior do que tudo.
Aí o analista de Bagé chega a sua cadeira para perto do divã a pergunta:
- É" pior que joelhaço?

6) Considere as afirmações sobre o texto.
I- A linguagem do texto está repleta de expressões tipicamente gauchescas como "barba-ridade", "índio velho" e "bucho".
II- A técnica do analista é a de fazer o paciente perceber que nada dói mais do que o joe-lhaço e que, portanto, a sua depressão não tem sentido.
III - O analista, "freudiano barbaridade", possui métodos bastante comuns a todos os ana-listas seguidores de Freud.
Quais estão corretas?
(A) Apenas I       (B) Apenas II   (C) Apenas III   (D) Apenas I e II      (E) I, II, III

7) Sobre o texto, pode-se afirmar que:           .
(A) existe um contraste entre a "doença"  do paciente, que é psicológica, e a cura promo-vida pelo analista, que é física.
(B) é clara a origem do paciente, um indígena, visto que o analista o reconhece e o trata por "índio velho".
(C) o joelhaço comentado no texto é meramente figurativo, na verdade é como se o ana-lista desse o golpe com suas palavras.
(D) a linguagem do texto é marcadamente urbana, sem nada que faça lembrar o falar ga-uchesco, pois seu autor é de Porto Alegre.
(E) se percebe a intenção do analista de tirar o dinheiro do analisado sem o curar, porque nada .do que ele faz necessita de formação acadêmica.        

8)No ano de 2002, foi produzido no Rio Grande do Sul um filme chamado "A paixão de Jacobina", que retrata a revolta dos Mückers, ocorrida no Morre Ferrabrás, em Sapiranga. Esse filme foi baseado em um romance do escritor contemporâneo Luiz Antonio de Assis Brasil, que nesta ficção baseada em fatos históricos aborda o movimento messiânico ocorrido nos anos de 1870.
O nome do livro no qual foi baseado o filme é
(A) O tempo e o vento.            (B) A Ferro e Fogo.              (C) Videiras de Cristal.
                      (D) Um Castelo no Pampa.        (E) As Virtudes da Casa .

9) Numere a segunda coluna de acordo com a primeira.
Coluna 1
1.Clarice Lispector
2.Osman Lins
3.Cecília Meireles
4.Rachel de Queiroz
5.Érico Veríssimo

Coluna 2
(   ) Painel épico da formação da civilização gaúcha. O Tempo e o Vento é um clássico que consagrou o nome do seu autor como um dos grandes romancistas brasileiros.
(   ) Escreveu Romanceiro da Inconfidência; "sua linguagem é simples e acessível", preo-cupa-se com o tempo, com a solidão e o sentimento.
(   ) O romance A Rainha dos Cárceres da Grécia demonstra que o seu autor tendeu tanto para a ficção como para o ensaio.
(   ) Em A paixão Segundo G,H., analisa uma figura profundamente interessada na sua interrelação como cosmo.
(   ) Chico Bento, D. lnácia, Cordulina são personagens de um dos seu conhecidos roman-ces, que figura na literatura brasileira regionalista como um dos mais lidos.
                A sequência obtida é:
        a) 3, 1,4,5,2.   b) 1,5,2,4,3.   c) 5,3,2, 1,4.   d) 3, 1,4,2,5.   e) 4,2,5,3, 1.

10) Peça de Nélson Rodrigues que se desenvolve em diferentes planos: o da vida real, concreta, objetiva; o da vida da imaginação, desregrada, liberta. Consiste no que se pode chamar de "tragédia da memória" e afirmou-se como um marco do teatro moderno brasileiro. Trata-se de:
   a) Álbum de Família.              b) A   Falecida.                c) Vestido de Noiva         
                       d) Navalha na Carne.       e) Beijo no Asfalto.

11) Dias Gomes, Ariano Suassuna, Oduvaldo Vianna Filho e Plínio Marcos são dramaturgos brasileiros contemporâneos que escreveram, respectivamente:
a) O Santo Inquérito, O Auto da Compadecida, Rasga Coração, Navalha na Carne.
b) O Pagador de Promessas, Os Ossos do Barão, O Assalto, O Abajur Lilás.
c) O Berço do herói, A Pena e a Lei, O Último Carro, Quando as Máquinas Param.
d) As Primícias, Álbum de Família, À Prova de Fogo, Barrela.
e) O Rei de Ramos, Farsa da Boa Preguiça, Senhora da Boca do Lixo, Homens de Papel.

12) Leia O seguinte fragmento de O Continente I, de Érico Veríssimo:
     Ana procurava sempre esquecer os dias de medo e aflição, principalmente aquele - o pior de todos! - em que, chegando à casa uma tarde, vira, horrorizada, um índio coroado aproximar-se, na ponta dos pés, da cama onde seu filho dormia a sesta. Quase sem pensar no que fazia, apanhou o mosquete carregado que estava a um canto, ergueu-o à altura do rosto, apontou-o na direção do índio e atirou. O coroado caiu com um gemido sobre Pedro, que despertou alarmado, desvencilhou-se daquela "coisa" que estava em cima de seu peito e saltou para fora da cama já com o punhal na mão e todo banhado no sangue do bugre. Vendo o filho assim ensanguentado, ela se pôs a gritar, imaginando que também o tivesse atingido com o tiro. Os vizinhos acudiram e foi só depois de muito tempo que tudo se aclarou. Ana Terra não gostava de recordar ·esse dia. Ficara com o ombro arroxeado e dolorido por causa do coice que a arma lhe dera ao disparar. A sangueira que saia do corpo do coroado deixara-a tonta. Não tinha tido coragem de ir olhar de perto ... Mas um vizinho lhe contara:
- Ficou com um rombo deste tamanho no pulmão. ,J"
    Ana passara o resto daquele dia tomando chá de folhas de laranjeira. Tinha matado um homem.

Esse fragmento exemplifica o comportamento de Ana Terra no decorrer de todo o roman-ce, ou seja:
a) covarde por ser uma personagem feminina.
b) inconsequente, pois age sempre com impulsividade.
c) fuxiqueira, porque passa conversando com vizinhos, para saber da vida dos outros.
d) corajosa, pois demonstra capacidade para enfrentar as adversidades.
e) insegura, porque seus dias são marcados por medo e aflicão.

13) Relacione autor e obra, colocando entre parênteses o número correspondente ao autor:
(1) Guimarães Rosa
(2) Dalton Trevisan
(3) Lins do Rego
(4) Érico Verissimo
(5) Jorge Amado

(   ) Menino de Engenho
(   ) Cacau
(   ) Olhai os Lírios do Campo
(   ) Grande sertão: Veredas
(   ) O Vampiro de Curitiba

                 a) 3 - 5 - 4 - 1 - 2        b) 5 - 3 - 4 - J - 2         c) 4 5 3 1 2
                               d) 4 - 5 - 2 - 3 - 1       e) 1-3-2-4-5

14) Sobre o personagem Analista de Bagé, considere as seguintes afirmações.
I - O Analista, apesar dele ter um linguajar gauchesco, em nada mais se diferencia de ou-tros profissionais da área.
II - O consultório do Analista tem um divã coberto com pelego, e, quando o paciente chega, ele lhe oferece um chimarrão.
III - O Analista tem uma recepcionista, chamada Lindaura, que foi instruída por ele a avaliar os pacientes antes de entrarem no consultório.
                                             Quais estão corretas?
(A) Apenas I
(B) Apenas ll
(C) Apenas I e II
(D) Apenas II e III
(E) I, II, III

15)Não é verdadeira  com relação a Fernando Sabino:
a) Além de cronista, é também contista e romancista, como atestam, neste último caso, os livros: O Encontro marcado e O Grande Mentecapto.
b)Costuma misturar. num mesmo livro, crônicas e contos, como ocorre em: O Homem Nu, A Falta que Ela me Faz e O Galo sou Eu.
c) A linguagem trabalhada e  a busca da palavra precisa e mais expressiva são marcos de seu estilo que, no entanto. não afetam certo tom informal que há em seus textos.
d) Sua crônica explora, muitas vezes, o elemento conflitivo das situações e, com humor e malícia, procura revelar o lado ridículo de certos acontecimentos.
e)Típico escritor carioca, suas crônicas são fortemente marcadas pela presença de expressões populares e personagens característicos dos morros e favelas do Rio.    

16) "Clessi (choramingando) - O olhar daquele homem despe a gente!
Mãe (com absoluta falta de compostura) - Você exagera, Scarlett!
Clessi - Rett é indigno de entrar numa casa de família!
Mãe (cruzando as pernas; incrível falta de modos) - Em compensação, Ashley é espiritual demais. De- mais! Assim também não gosto.
Clessi (chorando despeitada) - Ashley pediu a mão de Melânie! Vai-se casar com Melânie!
Mãe (saliente) - Se eu fosse você preferia Rett. (Noutro tom) Cem vezes melhor que outro!
Clessi (chorosa) - Eu não acho!
Mãe (sensual e descritiva) - Mas é, minha filha!  Você viu como ele  é forte? Assim! Forte mesmo!”
     No trecho acima, as personagens de Vestido de Noiva subitamente se põem a recitar diálogos do filme E o Vento Levou. No contexto dessa obra de Nélson Rodrigues, esse recurso de composição configura- se como:
a) crítica à internacionalização da cultura, reivindicando o privilégio dos temas nacionais.
b) sátira do melodrama, o que dá dimensão autocrítica à peça.
c) sátira do cinema, indicando a superioridade estética do teatro.
d) intertextualidade, visando indicar o caráter universal das paixões humanas.
e) metalinguagern, visando revelar o caráter ficcional da construção dramática.

A educação pela pedra

Uma educação pela pedra: por lições;
para aprender da pedra, frequentá-la;
captar sua voz inenfática, impessoal
(pela de dicção e/a começa as aulas).
A lição de moral, sua resistência fria
ao que flui e a fluir, a ser maleada;
a de poética, sua carnadura concreta;
a de economia, seu adensar-se compacta:
lições da pedra (de fora para dentro,
cartilha muda), para quem soletrá-Ia.
Outra educação pela pedra: no Sertão
(de dentro para fora, a pré-didática).
No Sertão a pedra não sabe lecionar,
e se lecionasse não ensinaria nada;
lá não se aprende a pedra: lá a pedra,
uma pedra de nascença, entranha a alma.
                                     João Cabra! de Meio Neto.

17) Pode-se, nesse poema de João Cabral de Meio Neto,  identificar que:
I. há dois modos de educação pela pedra, marcados pelos indefinidos "uma" e "outra".
II. há preferência pela estrutura complexa e registro de versos brancos.   .
III. existe só um modo de educação pela pedra, baseado numa só lição: a lição da cartilha.
                                            Está(ão) correta(s)
a) apenas I.       b) apenas II.    c) apenas I e II.    d) apenas III.     e) apenas II e III.


GABARITO: 1-A, 2-D, 3- 1/4/2/3, 4-E, 5-C, 6-D, 7-A, 8-C, 9- 5/3/2/1/4, 10- C, 11- C, 12 –D, 13 –A, 14 –E, 15 –E, 16 –B, 17 – C.